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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Ó Captain, My Captain ! Um poema de Walt Whitman e o seu contexto

1. - Walt Whitman



 foto preto e branco d Walt Whitman de chapéu e uma barba branca longa  Walt Whitman (Huntington, 31 de maio de 1819 – Camden, 26 de março de 1892) foi um poeta, ensaísta e jornalista norte-americano, considerado por muitos como o "pai do verso livre". Paulo Leminski o considerava o grande poeta da Revolução americana, como Maiakovsky seria o grande poeta da Revolução russa. Sua obra Folhas de Relva é considerada um marco na literatura universal, principalmente dentro do gênero poético.


Leaves of Grass

No início de Julho de 1855 publicou a primeira edição de "Leaves of Grass", impressa na Rome Brothers de Brooklyn e cujos custos Whitman suportou. Os versos deste livro eram livres, longos e brancos, imitando os ritmos da fala.

Com esta obra, Walt Whitman inventou um novo tipo de poesia para uma nova nação. O livro foi primeiro visto como bizarro e obsceno - um crítico disse que o autor deveria ser açoitado em público. Através de revisões e adições ao livro até à sua morte, Whitman atingiu o seu objetivo, criando uma nova referência para poetas americanos.

A primeira edição da obra mais importante da sua carreira, não mencionava o nome do autor, e continha apenas 12 poemas e um prefácio.

A obra poética de Whitman centra-se na colectânea "Leaves of Grass", dado que ao longo da sua vida o escritor se dedicou a rever e completar aquele livro, que teve oito edições durante a vida do poeta.


Fernando Pessoa escreveu um poema de nome "Saudação a Walt Whitman".

"Introduziu uma nova subjectividade na concepção poética e fez da sua poesia um hino à vida. A técnica inovadora dos seus poemas, nos quais a ideia de totalidade se traduziu no verso livre, influenciou não apenas a literatura americana posterior, mas todo o lirismo moderno, incluindo o poeta e ensaísta português Fernando Pessoa."


2. - Ó Captain, My Captain


"Ó Captain! My Captain!" é um poema metafórico, escrito em 1865 por Walt Whitman, relativo à morte do Presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln.

Walt Whitman escreveu o poema depois do assassinato de Abraham Lincoln

Repetidas referências metafóricas são feitas a esta questão durante todo o verso. O "navio" de que fala é a intenção de representar os Estados Unidos da América, enquanto a sua "viagem terrível", lembra os problemas da Guerra Civil Americana. O personagem titular "Capitão" é o próprio Lincoln.

Com uma metrica convencional e esquema de rimas, o que é incomum para Whitman, foi o único poema antológico durante a vida de Whitman.

3. - Abraham Lincoln



foto de Abraham Lincoln   Abraham Lincoln (Hodgenville, 12 de fevereiro de 1809 — Washington, D.C., 15 de abril de 1865) foi um político norte-americano que serviu como o 16° presidente dos Estados Unidos, posto que ocupou de 4 de março de 1861 até seu assassinato em 15 de abril de 1865. Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a integridade territorial do país, abolindo a escravidão e fortalecendo o governo nacional.

Ao fim da guerra, em face da persistente e amarga divisão do país, Lincoln mostrou-se moderado quanto à sua Reconstrução, buscando reunir a nação rapidamente através de uma política de reconciliação generosa. 

Seis dias depois de o general Robert E. Lee, comandante das forças Confederadas, se render, Lincoln foi assassinado pelo ator e simpatizante confederado John Wilkes Booth. 

Como foi o primeiro presidente dos Estados Unidos ter sido assassinado, sua morte levou seu país a entrar em luto. Lincoln tem sido consistentemente considerado por estudiosos e pelo povo como um dos três maiores presidentes dos Estados Unidos.


4. - O Poema - Versão original



O Captain! my Captain! our fearful trip is done;The ship has weathered every rack, the prize we sought is won;The port is near, the bells I hear, the people all exulting,While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:

But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills;For you bouquets and ribboned wreaths—for you the shores a-crowding;For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck,
You’ve fallen cold and dead.
My Captain does not answer, his lips are pale and still;My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;The ship is anchored safe and sound, its voyage closed and done;From fearful trip, the victor ship, comes in with object won;

Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.


A declamação do poema em Inglês 


 


5. - Poema (Tradução em português)



Ó Captain, My Captain
Oh capitão! Meu capitão! nossa viagem
medonha terminou;
O barco venceu todas as tormentas,
o prêmio que perseguimos foi ganho;
O porto está próximo, ouço
os sinos, o povo todo exulta,
Enquanto seguem com o olhar a quilha firme,
o barco raivoso e audaz:
Mas oh coração! coração! coração!
Oh gotas sangrentas de vermelho,
No tombadilho onde jaz meu capitão,
Caído, frio, morto.
Oh capitão! Meu capitão! erga-se
e ouça os sinos;
Levante-se – por você a bandeira dança – por
você tocam os clarins;
Por você buquês e fitas em grinaldas –
por você a multidão na praia;
Por você eles clamam, a reverente multidão
de faces ansiosas:
Aqui capitão! pai querido!
Este braço sob sua cabeça;
É algum sonho que no tombadilho
Você esteja caído, frio e morto.
Meu capitão não responde, seus lábios
estão pálidos e silenciosos
Meu pai não sente meu braço, ele não
tem pulsação ou vontade;
O barco está ancorado com segurança
e inteiro, sua viagem finda, acabada;
De uma horrível travessia o vitorioso barco
retorna com o almejado prêmio:
Exulta, oh praia, e toquem, oh sinos!
Mas eu com passos desolados,
Ando pelo tombadilho onde jaz meu capitão,
caído, frio, morto.

Tradução obtida no site: cultseraridades.com.br (link não mais existente)


6. - O filme "Sociedade dos Poetas Mortos" (Carpe diem)


Conta a história de um professor de poesia nada ortodoxo, de nome John Keating, em uma escola preparatória para jovens, a Academia Welton, na qual predominavam valores tradicionais . Esses valores traduziam-se em quatro grandes pilares: tradição, honra, disciplina e excelência.

Com o seu talento e sabedoria, Keating inspira os seus alunos a perseguir as suas paixões individuais e tornar as suas vidas extraordinárias.

O filme mostra também que em certa altura da vida, as pessoas, em especial os jovens, deveriam opor-se, contestar, gritar e sobretudo ser "livres pensadores", e não deixar que ninguém condicione a sua maneira de pensar, mas também ensina esses mesmos jovens a usarem o bom-senso.

Sociedade dos poetas mortos deixa uma profunda mensagem de vida sintetizada na expressão latina Carpe diem ("aproveite o dia"), cujo sentido é: aproveite, goze a vida, ela dura pouco, é muito breve.


7. - Algumas cenas do filme Sociedade dos Poetas Mortos






8. - Referências


Wikipedia - Walt Whitman / O Captain, My Captain / Abraham Lincoln / Sociedade dos Poetas Mortos

Youtube - Oh Captain, My Captain / Sociedade dos Poetas Mortos


Judith e Holofernes - Representações pictóricas

I. - A História Bíblica


De acordo com a Bíblia, Holofernes foi um general assírio do tempo de Nabucodonosor. Aparece nos livros deuterocanônicos, mais precisamente no Livro de Judite, como rei da Assíria entre 158 e 157 a. C.

Segundo relata a Biblia, o rei da Babilônia, Nabucodonosor, enviou Holofernes para vingar-se das nações que haviam prejudicado a seu reino. Durante o sítio à Betulia feita por Holofernes, Judith, uma bela viúva judia,  se introduziu no acampamento de Holofernes, e sua beleza era tanta que o general convidou-a se hospedar no acampamento e à noite ofereceu um banquete em sua homenagem. Judith bebeu com o general e o embebedou, para então o decapitar enquanto dormia. Depois disso, ela fugiu de volta à Betulia com a cabeça do general em um saco, e os judeus venceram o inimigo .

Assim como outras passagens bíblicas, a decapitação de Holofernes por Judith tem sido objeto de muitas pinturas e quadros desde a Idade Média, tais como Donatello, Sandro Botticelli, Andrea Mantegna, Giorgione, Lucas Cranach, o Velho, Caravaggio, Tiziano, Antonio de Pereda, Goya, Horace Vernet, Gustav Klimt, Artemisia Gentileschi, Jan Sanders van Hemessen ou Hermann-Paul. A cena do banquete  foi igualmente retratado por Rembrandt no quadro Artemisa.


II. As Várias Representações da História Bíblica


a) Boticelli, 1470


A história da piedosa viúva hebraica Judith, que salvou sua vila seduzindo e decapitando o comandante assírio Holofernes , foi vista na Itália renascentista como um aviso aos tiranos que ameaçavam a independência das cidades-estados italianas.
A função original da imagem pintada por Boticelli é desconhecida; pode ter sido feita para servir como porta de um pequeno armário ou até como capa de um pequeno retrato. A imagem da vitória de Judith teria sido apropriada para a contemplação diária quando seu dono abrisse o gabinete ou como uma peça de companhia para um retrato, e teria servido como um exemplo moral para as mulheres florentinas.
Esta imagem é uma versão de uma pintura de tamanho semelhante nos Uffizi em Florença. 


quadro de judith e holofernes na versão de Botticelli
Botticelli, 1470, Museu de Arte de Cincinatti


b) Andrea Mantegna, 1495


O painel pintado por Mantegna tem cores brilhantes e variadas, parecendo uma miniatura. Judith é retratada em pé sob a tenda rosa de Holofernes (cujo pé pode ser visto à direita) imediatamente após a decapitação, ainda segurando a lâmina. Ela está deixando a cabeça cair em um saco preso por uma empregada.

O chão, pintado em perspectiva diagonal, é composto de lajes de pedra e terra, algumas das quais estão fora de posição. É pintado com têmpera com ouro e prata.

quadro de Judith e holfernes versão de Andrea Mantegna
Mantegna, 1495, Galeria Nacional de Arte


c) Mocetto, 1500 (revisitando Mantegna)



Esta gravura também ilustra a história de Judith. Judith, enfurecida por seu país estar sob domínio estrangeiro, decidiu matar o líder inimigo, Holofernes. Ela o visitou e bebeu vinho com ele até ele adormecer; depois, pegando a espada, ela "golpeou o pescoço duas vezes com toda a força e cortou a cabeça do corpo". 

Girolamo Mocetto retratou Judith imediatamente após esse ato, entregando a cabeça decepada de Holofernes à empregada.


gravura de Mocetto para a versão d Judith e ...
Mocetto, 1500, Instituto de Arte de Chicago



d) Tintoretto, 1577


Tradicionalmente catalogado como um trabalho juvenil de Tintoretto , os estudos mais recentes datam essa pintura dos últimos anos da década de 1570. O pintor é inspirado no relato bíblico (Judith 13, 9-11), mas não faz uma leitura erótica do assunto e Representa Judith vestida com suas melhores roupas para seduzir Holofernes , e não nua como sempre na arte renascentista italiana.

A ação ocorre na tenda do general assírio, cujo interior foi completamente recriada pelo pintor, preocupado em reproduzir as qualidades dos objetos de metal e vidro nele. 

Judith centraliza a composição e a seus pés a espada ensanguentada que ela usou para decapitar Holofernes pode ser apreciada e, assim, libertar o povo judeu de sua tirania. 

O corpo está deitado em uma cama à sua esquerda, enquanto uma empregada se prepara para colocar a cabeça em um saco. A cena foi claramente concebida para ser pendurada em altura, o que explica as pronunciadas encenações dos corpos de Holofernes e da criada, bem como a estranha perspectiva da cama e da mesa.


versão de Tintoretto para Judith e ...
Tintoretto, 1577, Museu do Prado, Madrid


e) Caravaggio, 1599


A pintura mostra Judite a decapitar o general Holofernes após o ter seduzido, o que provocou reações de horror e surpresa entre os primeiros espectadores, pois Caravaggio conseguiu dotar a obra de grande realismo e crueza. 

Judite encontra-se de pé, majestosa e destemida, enquanto a sua criada, que lhe deu a espada, está nervosa e à espreita do que pudesse acontecer.


versão de Caravaggio para Judith ...
Judite e Holofernes, Caravaggio, 1599,
Galeria Nacional de Arte Antiga, Roma


f) Rembrandt, 1634


Artemísia é o título tradicional desta pintura de Rembrandt conservada no Museu do Prado, em Madri. Segundo algumas investigações, o título Artemísia é errôneo e na realidade a obra representaria uma cena bíblica: Judith no banquete de Holofernes.

O assunto da imagem não ficou claro por séculos. Retrata uma jovem mulher, anteriormente identificada como Sophonisba ou Artemisia, ou uma rainha genérica devido a suas jóias e roupas ricas, recebendo uma xícara de uma donzela. Hoje em dia é considerado como sendo Judith no banquete de Holofernes. 

Para a mulher, Rembrandt provavelmente usou sua esposa Saskia como modelo.


versão de Rembrandt para o quadro de Judith e ...
Artemísia ou Judith no banquete de Holofernes,
Rembrandt, 1634, Museu do Prado, Madrid


Rembrandt, como era prática comum entre os pintores holandeses ao abordar temas da Bíblia, optou por representar um momento na história dessa heroína bíblica que não é tratada pela iconografia italiana e católica, a saber, a chegada de Judith ao acampamento de Holofernes. Além disso, dentro do mesmo grupo de pinturas, Rembrandt também teria pintado a cena mais tradicional, a radiografia X de Saskia van Uylenburh em Arcadian Costume (Flora)? revela que a composição originalmente mostrava Judith segurando a cabeça de Holofernes.



III. Referências


Textos da Wikipédia e do Museu do Prado


sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Andrea del Verrochio - "O Batismo de Cristo"

1. - Andrea del Verrochio e o Batismo de Cristo


Andrea di Francesco di Cione, conhecido como Andrea del Verrocchio,  foi um artista florentino italiano que teve participação ativa durante a Renascença. Ele nasceu em Florença, 1435 e faleceu em Veneza, 10 de Outubro de 1488.

Verrochio era escultor, ourives e pintor, e trabalhou na corte de Lorenzo de Médici. É considerado um dos pintores mais influentes de seu período. Entre seus alunos incluem-se Leonardo da Vinci, Sandro Botticelli, Perugino e Ghirlandaio. Também influenciou Michelangelo e foi um escultor de primeira grandeza.

Verrocchio nasceu em Florença em 1435. Andrea começou a trabalhar como ourives na oficina de Giulio Verrocchi, de quem tomou o sobrenome. Não se sabe se foi aprendiz de Donatello. Suas primeiras pinturas são de 1460, quando trabalhava com Filippo Lippi.

Em 1474 e 1475, pintou O Batismo de Cristo, agora na Galleria degli Uffizi, em Florença. Nesse trabalho, foi ajudado por Leonardo Da Vinci ainda jovem, que terminou a paisagem e o anjo na extrema esquerda. Segundo Giorgio Vasari, Andrea decidiu então nunca mais pintar, pois Leonardo tinha o ultrapassado em técnica e genialidade. Em 1475, Verrocchio começou a se dedicar quase inteiramente à escultura.

O Batismo de Cristo

quadro O Batismo de Cristo de Andrea del Verrochio auxiliado por Leonardo da Vinci e Botticelli


O Batismo de Cristo de Verrocchio, é o primeiro trabalho importante de Leonardo da Vinci como aprendiz. Fez a pintura junto com seu mestre Verrocchio.

Para essa pintura, Verrocchio contou com a colaboração de Botticelli e de um Leonardo adolescente. Esse se dedicou a retocar parte do corpo de Cristo e a paisagem e a pintar o anjo ajoelhado que segura as vestimentas. O estilo de Da Vinci é perceptível ao simples olhar pela intensidade das cores e, de modo mais determinante, pelo dinamismo que consegue imprimir à figura do anjo e pelas subtonalidades da paisagem.

O anjo da esquerda que segura alguma roupa, é totalmente seu, bem como as pernas de Cristo.

Os anjos expressam as diferenças estéticas de Verrocchio e Leonardo. O anjo do mestre olha com estranheza o do discípulo, cujo dinamismo contrasta com a rigidez daquele. Além disso, o anjo de Leonardo se distingue pela elegância; sobre ele desliza uma luz que põe em relevo os vincos rígidos e delicados da vestimenta e as ondas da cabeleira dourada.

O maior de todos os historiadores da Renascença, Giorgio Vasari, e da mesma época de Leonardo, afirma que Verrocchio, mestre de Leonardo, acabou desgostoso com a arte de pintar, ao sentir-se ultrapassado pelo próprio aprendiz.

2. - Referências


Todo o texto retirado da Wikipédia com a finalidade de divulgação cultural sem fins econômicos




sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Antonio Canova, Três Graças e outras obras

I. - Antônio Canova


Antonio Canova foi um desenhista, pintor, antiquário e arquiteto italiano, mas é mais lembrado como escultor, desenvolvendo uma carreira longa e produtiva.

quadro feiçoes e busto de Antonio Canova
Antonio Canova, 
Rudolph Suhrlandt,
1812, Private
Ele nasceu em Possagno, 1 de novembro de 1757 e faleceu em Veneza, 13 de outubro de 1822.  Seu estilo foi fortemente inspirado na arte da Grécia Antiga. Suas obras foram comparadas por seus contemporâneos àquelas melhores produções da Antiguidade. 

Ele foi tido como o maior escultor europeu desde Bernini, sendo celebrado por toda parte. Sua contribuição para a consolidação da arte neoclássica só se compara à do teórico Johann Joachim Winckelmann e à do pintor Jacques-Louis David.


Comentários biográficos

Canova passou sua juventude em estudos artísticos, mostrando desde cedo predileção pela escultura. Com nove anos já foi capaz de produzir dois pequenos relicários em mármore, que ainda existem, e desde então seu avô o empregou para diversos trabalhos. O avô era patrocinado pela rica família Falier de Veneza, e através dele Canova foi apresentado ao senador Giovanni Falier, que se tornou seu assíduo protetor, e cujo filho Giuseppe se tornou um dos seus mais constantes amigos. Através de Falier, Canova, com cerca de 13 anos, foi colocado sob a orientação de Giuseppe Torretto, um dos mais notáveis escultores do Vêneto em sua geração.

Em Roma desde 1779, Canova pôde aprofundar o estudo das mais importantes relíquias da Antiguidade, completar sua educação literária, aperfeiçoar sua fluência no francês e colocar-se na competição com os melhores mestres da época. O resultado ficou além de suas próprias expectativas. Sua primeira obra produzida em Roma, patrocinada por Zulian, foi "Teseu vencendo o Minotauro" (1781), que foi recebida com grande entusiasmo, a ponto de ser declarada como o marco inaugural de uma nova era para as artes.

Estilo de  Canova



A sensualidade contida e sublimada e o charme de suas figuras femininas foram sempre motivo de admiração, e chegou a ser chamado de o escultor de Vênus e das Graças, o que é justo apenas em parte, diante da força e virilidade da sua produção heróica e monumental. Segundo a visão de Giulio Argan, para Canova.
 
"a forma não é a representação física (isto é, a projeção ou o 'duplo') da coisa, mas é a própria coisa sublimada, transposta do plano da experiência sensorial para o do pensamento. Por isso pode-se dizer que Canova realizou na arte a mesma passagem do sensualismo ao idealismo que Kant realizou na filosofia, ou na literatura, Goethe, e na música, Beethoven".

II. Três obras de Antonio Canova


II.1 -  Três Graças, Museu Hermitage 



A estátua de Antonio Canova, Três Graças, é uma escultura neoclássica , em mármore , das três caritas mitológicas , filhas de Zeus - identificadas como, da esquerda para a direita, Euphrosyne , Aglaea e Thalia. Elas representam juventude / beleza (Thalia), alegria (Euphrosyne) e elegância (Aglaea). As Graças presidiam banquetes e reuniões, para encantar os convidados dos deuses. Como tal, eles serviram como temas para artistas históricos, incluindo Sandro Botticelli e Bertel Thorvaldsen.

Uma versão da escultura está no Hermitage Museum , outra é de propriedade conjunta e exibida por sua vez pelo Victoria and Albert Museum e pela Scottish National Gallery.

 escultura As Três Graças de Antônio Canova no Museu Hermitage
As Três Graças, Canova, Hermitage, 1813 a 1816


As Três Graças de Bedford, Victoria and Albert Museum


John Russell , o sexto duque de Bedford, encomendou uma versão da agora famosa obra.  Ele visitou o estúdio de Canova em Roma em 1814 e tinha sido imensamente impressionado com uma escultura das Graças que Canova produzidos para a imperatriz Josephine . Quando a imperatriz morreu em maio do mesmo ano, ele se ofereceu para comprar a peça concluída, mas não obteve êxito como o filho de Josephine Eugène a reivindicou (seu filho Maximilian a levou a São Petersburgo , onde agora pode ser encontrada no Museu Hermitage). Sem se deter, o duque encomendou outra versão para si.

Outra versão da escultura As Três Graças de Canova, no Victoria e Albert Museum vista de frente e por trás
As Três Graças de Bedford, Victoria e Albert Museum, 1814 a 1817


O estilo é elegante e sugere refinamento e classe - há uma beleza delicada que é comum na escultura de Canova. Os historiadores da arte costumam comentar o equilíbrio pacífico que parece existir entre as três cabeças. Ao contrário das composições das Graças, derivadas da antiguidade (onde as figuras externas se voltam para o espectador e a figura central abraça suas amigas de costas para o espectador) - as figuras de Canova ficam lado a lado, de frente para o outro.

As três figuras femininas esbeltas tornam-se uma em seus braços, unidas pelas mãos unidas e por um lenço que as une. A unidade das Graças é um dos principais temas da peça. Na versão da Condessa Josephine, as Graças estão em um altar de sacrifício adornado com três grinaldas de flores e uma guirlanda simbolizando seus frágeis laços estreitos.

Observação: Poucas diferenças são encontradas nas duas obras. Na do Hermitage existe um suporte em forma de um pilar retangular. Na do Duque de Bedford esse pilar é cilíndrico. Na de Bedford a Graça do centro (Aglaea ) está um pouco mais esbelta.



II.2 - Cupido e Psiquê


O mito de Cupido e Psiquê

Um certo dia, Vênus estava admirando a terra quando avistou uma bela moça chamada Psiquê. Vênus era uma deusa muito vaidosa e não gostava de perder em matéria de aparência, muito menos para uma mortal. Vênus chamou Mercúrio e disse-lhe: "- Mande esta carta para Psiquê."
Quando Psiquê recebeu a carta ficou admirada, recebendo uma carta de uma deusa. Mas ficou muito decepcionada quando a leu. Na carta havia uma profecia clamada pela própria Vênus. A profecia dizia que Psiquê ia se casar com a mais horrenda criatura. Desesperada, Psiquê foi contar sua sina às irmãs. Psiquê era muito inocente e nunca percebeu que suas irmãs morriam de inveja dela.

Enquanto isso, no monte Olimpo, Vênus chamou seu filho Cupido: "- Meu caro filho, preciso de um grande favor seu. Quero que você vá a terra e atire uma de suas flechas de amor em Psiquê, e faça com que ela se apaixone pelo homem mais feio do planeta". Cupido gostava muito de sua mãe e não quis contrariá-la. Então foi. Quando anoiteceu, Cupido foi até a casa de Psique, entrou pela janela avistou um rosto perfeito, traços encantadores. Cupido chegou bem perto para não ter a chance de errar o alvo (apesar de ter uma mira muito boa, mas estava encantado com a bela jovem). Se preparou para atirar, esticou o seu arco e quando ia soltar a flecha, Psiquê moveu o braço, e Cupido acertou ele mesmo. A partir daquele instante Cupido ficou perdidamente apaixonado pela jovem. Voltou para casa, mas não conseguiu dormir pensando na bela Psiquê.
 foto pequena da escultura Eros e Psiquê
No dia seguinte, Cupido foi falar com Zéfiro (o vento oeste) e pediu para que transportasse Psique para os ares e a instalasse num palácio magnífico, onde era a casa de Cupido. Quando a noite caiu, a moça ouviu uma voz misteriosa e doce: "- Não se assuste, Psiquê, sou o dono desse palácio. Ofereço a ti como presente de nosso casamento, pois quero ser seu esposo. Tudo que está vendo lhe pertence. E tudo que deseja será concebido. Zéfiro estará às suas ordens, ele fará tudo o que você quiser. Eu só lhe faço uma exigência: não tente me ver. Só sob esta condição poderemos viver juntos e sermos felizes".
Toda noite Cupido vinha ver Psiquê, mas em uma forma invisível. A moça estava vivendo muito feliz naquele lindo palácio. Mas passando os dias Psiquê ficava cada vez mais curiosa para saber quem era seu marido. Certa noite, quando Cupido veio ver Psiquê, eles se encontraram e se amaram. Mas quando Cupido adormeceu, Psiquê escondida e em silêncio pegou uma lamparina e acendeu-a, e quando ela viu o belo jovem de rosto corado e cabelos loiros, ficou encantada. Mas num pequeno descuido ela deixou cair uma gota de óleo no braço do rapaz, que acordou assustado e, ao ver Psiquê, desapareceu. O encanto todo acabou, o palácio os jardins e tudo que havia em volta desapareceu, como num passe de mágica. Psiquê ficou sozinha num lugar árido, pedregoso e deserto.
Desconsolado, Cupido voltou para o Olimpo e suplicou a Júpiter que lhe devolvesse a esposa amada. O senhor dos deuses respondeu: "- O deus do amor não pode se unir a uma mortal".
Mas Cupido protestou. Será que Júpiter que tinha tanto poder não podia tornar Psiquê imortal? O senhor dos deuses sorriu lisonjeado. Além do mais como poderia de deixar de atender a um pedido de Cupido, que lhe trazia lembranças tão boas? O deus do amor o tinha ajudado muitas vezes, e talvez algum dia Júpiter precisaria da ajuda de Cupido de novo. Seria mais prudente atender o seu pedido. Júpiter mandou Mercúrio ir buscar Psiquê e lhe trouxesse para o reino celeste. Então Júpiter, o soberano, transformou Psiquê em imortal. Nada mais se opôs aos amores de Cupido e Psiquê, nem mesmo Vênus, que ao ver seu filho tão feliz se moveu de compaixão e abençoou o casal. Seu casamento foi celebrado com muito néctar, na presença de todos os deuses.
As musas (jovens encantadas, que eram acompanhantes do deus Apolo) e as graças (jovens que representavam a beleza que acompanhavam a deusa Venus) aclamavam a nova deusa em meio a cantos de danças. Assim Cupido viveu sua imortalidade com o ser que mais amou.

 foto grande da escultura Eros e Psiquê no Louvre com uma tonalidade amarronzada



II.3 - Madalena pemitente



Uma obra de grande impacto emotivo. La Maddalena penitente é uma escultura em mármore (90 cm de altura), realizada por Antonio Canova entre 1793 e 1796. A versão originao é conservada no Palazzo Doria-Tursi no percurso expositivo do Museu da Estrada Nova em Genova. 

Fonte Wikipedia


escultura da Madalena Penitente no Museu de Genova -  mostra um mulher de joelhos
Maddalena, Museu de Genova

Uma outra versão está exibida no Museu Hermitage em São Petersburgo.


outra versão da escultura da Madalena Penitente esta do Museu Hermitage
Maddalena, Museu Hermitage

III. - Referências


Antonio Canova e Obras - Wikipédia

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A Imaculada Conceição por Bartolomé Esteban Murillo

1. - A Imaculada Conceição


A Imaculada Conceição ou Nossa Senhora da Conceição é, segundo o dogma católico, a concepção da Virgem Maria sem mancha  do pecado original. O dogma diz que, desde o primeiro instante de sua existência, a Virgem Maria foi preservada por Deus da falta de graça santificante que aflige a humanidade, porque ela estava cheia de graça divina. A Igreja Católica também professa que a Virgem Maria viveu uma vida completamente livre de pecado.

Embora a crença de que Maria era sem pecado, ou concebida sem pecado original, tenha sido amplamente aceita desde a Antiguidade tardia , a doutrina não foi definida dogmaticamente na Igreja Católica até 1854, quando o papa Pio IX declarou ex cathedra , ou seja, usando infalibilidade papal, em sua bula papal Ineffabilis Deus,  a Imaculada Conceição para ser doutrina. 

A Igreja Católica celebra a solenidade da Imaculada Conceição em 8 de dezembro; em muitos países católicos , é um dia sagrado de obrigação ou festa patronal , e em alguns feriados nacionais.

2. - A Imaculada Conceição do Escorial, Bartolomé Esteban Murilo


A Imaculada Conceição de El Escorial é uma pintura religiosa a óleo de 1660 a 1665, do artista barroco espanhol Bartolomé Esteban Murillo, agora no Museo del Prado, em Madri. As muitas representações artísticas de Murillo da concepção imaculada da Virgem Maria foram enormemente influentes na arte posterior.

 quadro da Imaculada Conceição por Bartolomé Murillo
Imaculada Conceição, Murilo, 1656-1660, Museu do Prado


3. - Bartolomé Esteban Murillo


Bartolomé Esteban Murillo é, quiçá, o pintor que melhor define o barroco espanhol. Nasceu em Sevilha, onde passou a maior parte da sua vida. O dia exato do seu nascimento é desconhecido, mas terá, provavelmente, nascido em dezembro de 1617, já que foi batizado no dia 1 de janeiro de 1618, na Igreja da Madalena. Era costume na Idade Moderna, batizar as crianças somente alguns dias após o seu nascimento, como tal é normal que os especialistas façam tal afirmação.

quadro com retrato de Bartolomé Murillo   Os primeiros quadros de Murillo eram muito influenciados pelo estilo do seu mestre, Del Castillo, como se pode apreciar no quadro A "Virgem do Rosário, com São Domingo".

Em 1645 recebeu a sua primeira encomenda importante: treze quadros para um claustro do Convento de São Francisco, em Sevilha. Nestas obras demonstrou uma notável influência de Van Dyck, Ticiano e Peter Paul Rubens.

O êxito alcançado com as pinturas no claustro do Convento de São Francisco motivou o aumento do número de encomendas.

Em 1665, teve início o seu período mais produtivo, ou seja, o período em que recebeu mais encomendas. Neste ano, a fama alcançada por Murillo estendeu-se por todo o país, chegando à corte madrilhena, onde, segundo Palomino, o próprio rei Carlos II convidou Murillo a estabelecer-se em Madrid.

Em 1681 mudou-se para a paróquia de Santa Cruz, onde recebe a sua última encomenda: vários retábulos da igreja do Convento de Santa Catalina de Cádis. Quando trabalhava nesta encomenda, sofreu uma grave queda, que resultou na sua morte, alguns meses mais tarde, já no ano de 1682.


4. - Referências


Wikipedia - Imaculada Conceição / Bartolomé Esteban Murilo

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

História dos Livros II - Literatura e primeiros poemas épicos.

I. - O que é Literatura ?


Desenho colorido de casas em forma de livros
foto de Vipman em shutterstock.com


O hábito de contar histórias parece ser tão antigo quanto a própria humanidade. A tradição de capturar os acontecimentos e as crenças das comunidades e transformá-las em histórias para serem passadas de geração em geração, deve  ter surgido tão logo os  humanos se sentaram em torno de uma fogueira e começaram a partilhar a suas experiências e casos. 



foto de um grupo em torno de uma fogueira à noite
foto de  Volodya Senkiv em shutterstock.com
Inicialmente essa transmissão das histórias era feita oralmente e era relacionada principalmente à lendas e mitologias. Isso conectava principalmente o homem com o universo e particularmente com o mundo ao seu redor.




Com a invenção da escrita os primeiros registros foram dedicados basicamente ao registro de transações comerciais. Entretanto, ela logo evoluiu para preservar as histórias que eram inerentes de cada cultura registrando suas ideias, costumes, crenças e moral que regiam o comportamento de um povo.


Além da função primordial de veículo de registro para transmissão posterior, o desenvolvimento da escrita foi evoluindo para que se apreciasse a qualidade da sua representação. Essa representação passou a ter as formas líricas, épicas e as dramáticas. Ou nos dias de  hoje ficção, teatro e poesia.


foto de uma pena tinteiro emcima de um livro
foto de Brian A. Jackson em shutterstock.com


Podemos dizer de um modo que mais se aproxima do significado atual que a Literatura é uma imitação ou representação da realidade mediante as palavras  que tem como uma das finalidades a expressão estética. Ou seja não basta registrar ou contar uma história, queremos que ela seja feita de uma maneira bela e inteligente.

2. - A História da Literatura


Cerca de de quatro mil anos atrás surgiram as primeiras histórias escritas e elas vieram na forma de poemas, como a "A epopeia de Gilgamesh" na Mesopotâmia, e o Mahabharata na Índia. Elas eram baseadas em tradições orais. Acredita-se que as rimas, ritmos e métricas eram essenciais para auxiliar a memória e por isso essas primeiras histórias tinham esse formato.

Muitos dos primeiros textos escritos eram religiosos e contam histórias antigas.

A origem do teatro grego utilizou narrativas sememlhantes a uma balada. Coleções de histórias como As mil e uma noites têm várias origens e torna-se a base para o encadeamento de histórias, uma dentro da outra, que originaram os romances.

3. - A literatura no Oriente


a) A Epopeia de Gilgamesh (2100 a.C. - Mesopotãmia)

 escultura de Gilgamesh
foto por Dima Moroz
em shutterstock.com
Esse texto é uma coleção de histórias que conta como o déspota opressor da cidade mesopotãmica de Uruk aprende uma lição e se torna um herói local.

"Para punir Gilgamesh por sua arrogância, os deuses enviam o "selvagem" Enkidu, feito a partir do barro para atormentá-lo. Depois de uma briga, contudo, eles se tornam amigos e partem para uma série de aventuras para aniquilar monstros. Irritados com essa reviravolta nos acontecimentos, os deuses senteciam Enkidu à morte, Gilgamesh fica perturbado por perder seu companheiro, mas também toma consciência de sua própria mortalidade. A segunda metade da história narra a busca de Gilgamesh pelo segredo da vida eternae seu retorno a Uruk. Ainda que mortal, agora ele é um homem mais sábio e um soberano mais nobre." (fonte: O Livro da Literatura, editora Globo)


b) O Mahabharata (Índia - séculos IX a IV a.C.)

O Mahabharata provavelmente começou a tomar forma no século IX a.C. e cehgou ao seu formato final aproximadamente no século IV a.C. O trabalho é muito extenso e abrange mais de 100 mil pares de versos, conhecidos como shloka, e divididos em dezoito livros ou parvas.

Assim como relata a história de duas famílias em guerra, a obra também conta a história da Índia e da religião hindu. 

No início o narrador do primeiro livro, o Ardi pava (livro do começo), explica: "O que quer que esteja aqui pode ser encontrado em outro lugar. Mas o que não está aqui não está em lugar nenhum".

 desenho colorido de Ganesha e Vyasa
Ganesha e Vyasa
O Mahabharata foi escrito por um poeta e sábio chamado Vyasa. Acredita-se que ele tenha vividono milênio III a.C. um avatar do deus hindu Vishnu. O narrador é Vaisampayana, discípulo de Vyasa. Vaisampayana explica como Vyasa ditou a história inteira para Ganesha, o deus com cabeça de elefante, de uma só vez. 

Apesar de o enredo central abordar a separação da família bharata que dominava o norte da Índia, e a batalha subsequente em Kurukshetra e seu resultado, a história recebe uma dimensão mítica com a introdução do personagem Krishna, outro avatar de Vishnu. Há também vários subenredos e diversas divagações filosóficas e religiosas - uma das quais chamada de Bhagavad Gita, que se tornou importante por si só.

A epopeia explora temas como laços e conflitos familiares, dever e coragem, destino e escolha, e os apresenta em uma série de alegorias para explicar os elementos do dharma, um conceito completo de "conduta correta".

O Bhagavad Gita

 foto da capa do livro Bhagavad Gita

O sexto livro do Mahabharata trata da guerra em Kurukshetra que inclui a seção conhecida como bhagavad gita ou "A canção dos abençoados".  Antes da batalha, Arjuna, o príncipe Pandava, reconhece membros de sua família no exército Kaurava que luta no lado oposto. Arjuna então baixa o seu arco, mas o seu primo e companheiro Krishna o faz lembrar de seu dever de lutar essa guerra justa. O diálogo se tornou uma escritura hindu importante ao explicar conceitos como o dharma (conduta correta).

O cenário da batalha pode ser interpretado como uma metáfora para as forças do bem e do mal, e a crise de consciência de Arjuna, como uma representação das escolhas que todos temos que fazer. 

4. - A literatura no Ocidente   


As epopeias são poemas narrativos que recontam a história de um herói representante de uma cultura em particular. Elas registram as missões e provações do herói e contam quais são suas escolhas e motivações para ajudar a  estabelecer os princípios morais de uma sociedade. 


a) Ilíada (Grécia - século VIII a.C.)


 foto da capa do livro Ilíada A Ilíada é uma narrativa atribuída a Homero sobre a guerra entre Grécia e Tróia.  Ela é considerada a obra fundadora da literatura ocidental. Os historiadores reconhecem que os poemas épicos foram inspirados por guerras reais que aconteciam entre Grécia e Tróia cerca de cinco séculos antes da história ser escrita. Entretanto atribuem o enredo e seus personagens a imaginação do escritor.

A Ilíada é um exemplo sofisticado de contar história. Ela relata a guerra de Tróia entremeando deuses, personagens mitológicos, e personagens reais. 

A origem da guerra


 foto de Diane Krueger que faz o papel de Helena de Tróia Na ilíada a guerra tem origem a partir de uma disputa entre as três deusas Hera, Atena e Afrodite para saber quem era a mais bela. Para resolver a disputa, Zeus pediu a Páris filho do rei Príamo para fazer o julgamento. As três deusas tentaram subornar Páris de diferentes maneiras. Hera lhe oferece um império, Atena lhe oferece glória, e Afrodite lhe oferece Helena a mulher m
ais bonita do mundo. Essa foi a opção de Páris, mas acontece que Helena já era casada com Menelau, irmão do rei Agamenon de Micenas, um estado grego. O rapto subsequente de Helena por Páris desencadeou o conflito.

Uma história com dois heróis


 foto de Heitor (Eric Bana)
Heitor, filho do rei Príamos de Tróia, é o mais nobre e poderoso guerreiro troiano. Heitor luta por lealdade a Tróia e a sua família. Heitor protege Páris que é seu irmão mais novo e o responsável pelo desencadeamento da guerra. Com uma consciência comunitária, Heitor é um homem de família que tenta evitar um derramamento de sangue ainda maior. Digno de confiança, Heitor lidera seus homens com bravura, unidos por uma lealdade ancestral. Heitor é um filho fiel e devotado e por isso o braço direito e sucessor querido e aclamado do seu pai.



 foto de Aquiles - Brad Pitt Aquiles era o filho da nereida Tétis (ninfa do mar) e de Peleu, rei dos mirmidões. Quando Aquiles nasceu, Tétis teria tentado fazê-lo imortal, mergulhando-o no rio Estige; deixou-o, no entanto, vulnerável na parte do corpo pelo qual ela o segurava, seu calcanhar. Aquiles era portanto um guerreiro praticamente invencível. 

Convocado para ir a guerra defender os reinos gregos, Aquiles no início dos combates ficou possesso com o rei Agamenon que tomou para si Briseida, uma mulher que havia sido dada a Aquiles como prêmio de guerra. Aquiles se recolhe a sua tenda e se recusa a lutar novamente. Apenas a morte em combate de seu amigo próximo, Pátroclo, pelas mãos de Heitor o traz de volta à batalha. Acontece que Pátroclo foi para a luta escondido de Aquiles e vestindo a sua armadura. Heitor luta com Pátroclo achando que lutava com Aquiles. 

Aquiles, soldado profissional, invencível e individualista, vive absorvido em sua própria sede de glória. De temperamento difícil e inclinado à raiva Aquiles prospera na violência da batalha. Ele transfere toda sua coléra contra Heitor, ao qual desafia para um duelo, por ter matado seu companheiro mais querido e ao mesmo tempo por ter achado que tinha ganho o duelo contra Aquiles. 

Resultado

Os dois heróis acabam mortos. Heitor é derrotado por Aquiles em duelo. As cenas mais comoventes são as que Aquiles arrasta o corpo de Heitor e leva para seu acampamento como despojo de guerra. O rei Príamo, disfarçado vai até a tenda de Aquiles e lhe implora para liberar o corpo de seu filho para que possa enterrá-lo com as honras de um guerreiro. Aquiles se sensibiliza e libera o corpo de Heitor.

Comentários adicionais sobre a Ilíada


Apesar da Grécia acabar derrotando Tróia, Aquiles morre em combate ferido por uma flechada no seu calcanhar disparada por Páris. Isso não é abordado na Ilíada.

O desfecho da guerra e o famoso cavalo de tróia não são mencionados na Ilíada. O cavalo de tróia só aparece brevemente na Odisseia, também de Homero, que narra a acidentada viagem de Odisseu de volta para casa, na Grécia.

Posteriormente, Virgílio, em Roma, cria o poema Eneida, em que dá sequência à Ilíada, relatando a fuga de Enéias, cunhado de Heitor e segundo guerreiro mais valoroso de Tróia. Enéias irá aportar na península itálica fundado então um reino.  Seu destino era ser o ancestral de todos os romanos.


5. Referências


 Globo Livros - O Livro da Literatura (Literatura/Gilgamesh/Mahbaratah/Ilíada) 

Wikipédia - Literatura / Gilgamesh / Mahbaratah / Ilíada / Homero