terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

La Spezia, le Cinque Terre, Portofino e a beleza do mar da Ligúria

 1. - A Costa da Liguria


A costa da Ligúria, é uma das mais pitorescas e encantadoras regiões da Itália, estende-se por cerca de 300 quilômetros ao longo do mar da Ligúria, do sul da França até a Toscana. Esta faixa costeira, conhecida por sua extraordinária beleza natural, é caracterizada por uma mistura de paisagens extraordinárias, incluindo falésias rochosas muito íngremes, praias de seixos e areia, pequenas baías e enseadas, além de uma sucessão de  vilarejos de pescadores coloridos e elegantes cidades de veraneio que existem na região.


   A comuna de Porto Fino, no mar da Liguria, foto de @Rostislav Glinsky em Dreamstime.com


As duas Rivieras


A costa da Ligúria é tradicionalmente dividida em duas partes: A Riviera di Levante, a leste de Gênova e a Riviera di Ponente, a oeste da cidade.

Riviera di Levante ("Riviera do Nascer do Sol") se estende de Gênova até a fronteira com a Toscana e é marcada por um relevo mais acidentado. Esta área abriga algumas das joias mais espetaculares da Ligúria, incluindo Portofino, conhecida por seu porto exclusivo e boutiques de luxo, e as Cinque Terre, uma área de beleza excepcional composta por cinco vilarejos (Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore) que se agarram às falésias sobre o mar da Ligúria. A Riviera di Levante é famosa por suas belas paisagens,  trilhas para caminhadas com vistas deslumbrantes e pequenas praias escondidas entre as rochas.

Mapa da Riviera da Liguria, foco no Levante, mostrando de La Spezia a Genova

Riviera di Ponente ("Riviera do Pôr do Sol") estende-se de Ventimiglia, perto da fronteira francesa, até Gênova. É conhecida por suas amplas praias de areia, cidades balneárias sofisticadas como Sanremo, famosa pelo seu festival anual de música, e pitorescos vilarejos como Bordighera e Alassio. Esta parte da costa é mais plana e tem uma atmosfera um pouco mais desenvolvida e turística, com longos passeios marítimos, muitos hotéis e praias públicas ou privadas.


2. - Contexto Histórico


A região da Ligúria, estendendo-se de La Spezia até Gênova, possui uma rica tapeçaria histórica, marcada pela presença de diversos povos, conflitos e desenvolvimentos ao longo dos séculos. Sua posição estratégica no Mar Mediterrâneo e seu terreno acidentado proporcionaram tanto oportunidades quanto desafios para seus habitantes.

Primeiros Povos e Ocupação Antiga

Os primeiros registros de ocupação na Ligúria remontam ao período Neolítico, com evidências de assentamentos ligures, um povo antigo que vivia na região antes da chegada dos romanos. Os ligures são frequentemente descritos como uma população tribal e guerreira, adaptada às condições montanhosas da área. A partir do século V a.C., a região começou a ver a influência de povos mais avançados tecnologicamente e culturalmente, como os etruscos e, posteriormente, os gregos, que estabeleceram postos comerciais ao longo da costa.

Com a expansão do Império Romano, a Ligúria foi gradualmente incorporada ao domínio romano, começando no século II a.C. Durante o período romano, a região viu melhorias significativas em sua infraestrutura, incluindo a construção de estradas, como a Via Aurelia, que facilitava o comércio e o movimento de tropas.

Idade Média e República de Gênova

Após a queda do Império Romano, a região enfrentou invasões bárbaras, mas começou a se recuperar durante a Idade Média. A partir do século XI, Gênova emergiu como uma potente república marítima, competindo com Veneza e Pisa pelo controle do comércio no Mediterrâneo. Este foi um período de grande prosperidade e expansão para Gênova e sua região, com a construção de uma poderosa frota naval e a realização de expedições comerciais e militares.

Período Moderno até as Guerras Mundiais

Nos séculos seguintes, a região passou por vários períodos de domínio estrangeiro, incluindo os franceses e os austríacos, antes de se tornar parte do recém-formado Reino da Itália em 1861. Durante as duas Guerras Mundiais, a Ligúria, graças à sua posição estratégica e infraestrutura industrial, desempenhou um papel significativo, especialmente na resistência contra o fascismo e a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial.

Desenvolvimento Turístico

Após a Segunda Guerra Mundial, a reconstrução e o boom econômico da Itália contribuíram para o desenvolvimento da vocação turística da Ligúria. A beleza natural da região, combinada com seu rico patrimônio histórico e cultural, atraiu visitantes de todo o mundo. Áreas como a Riviera di Levante, especialmente as Cinque Terre e Portofino, tornaram-se sinônimos de beleza costeira e charme rústico, com suas coloridas aldeias de pescadores, vinhas em terraços e águas cristalinas.


3. - Os principais locais de destaque


3.1 - La Spezia

La Spezia é um município italiano de 92.443 habitantes, capital da província de mesmo nome em Ligúria. É o segundo município da região em população depois de Génova .

A cidade está localizada no extremo leste da região da Ligúria, a poucos quilômetros da fronteira com a Toscana , no centro de um profundo golfo natural ao qual dá nome. O golfo, que também é conhecido pelo nome de Golfo dos Poetas por sua beleza, é cercado por uma cadeia contínua de colinas cujos picos mais altos, o Monte Verrugoli (749 m acima do nível do mar ), o Monte Parodi (673 m acima do nível do mar ), O Monte Santa Croce (543 m acima do nível do mar ) e o Monte Viseggi (347 m acima do nível do mar ), localizados no lado oeste do centro da cidade, dominam a cidade de La Spezia.

O território municipal de La Spezia faz parte da autoridade inter-regional da bacia do rio Magra , enquanto uma pequena porção do território municipal, constituída pela pequena aldeia de Tramonti e pela colina circundante, está inserida no Parque Nacional de Cinque Terre .


La Spezia, foto HistoriacomGosto


La Spezia tem o sétimo maior porto da Itália pelo critério de volume de carga  e é conhecido pela sua eficiência no manuseio de conteiners.

É uma região de intensa atividade portuária mas é também ao mesmo tempo uma boa base para conhecer as regiões da Ligúria como Cinque Terre, Portofino e Gênova.

Mapa de La Spezia, golfo do poeta, google maps



3.2 - Porto Venere

Portovenere ou Porto Venere é uma comuna italiana da região da Ligúria, Província da Spezia, com cerca de 4.041 habitantes. Estende-se por uma área de 7 km², tendo uma densidade populacional de 577 hab/km². Faz fronteira com La Spezia.

Porto Venere é uma pitoresca vila localizada na parte da deslumbrante costa do Golfo dos Poetas. 

A vila é frequentemente associada com as famosas Cinque Terre, embora tecnicamente não faça parte desse grupo de cinco vilas; no entanto, compartilha com elas a mesma beleza natural deslumbrante, a rica história e o charme peculiar que atraem visitantes do mundo inteiro. Porto Venere foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1997, juntamente com as Cinque Terre e as ilhas de Palmaria, Tino e Tinetto.

Características e Atrações Principais:

Castelo Doria: Erguendo-se acima da vila, o Castelo Doria é uma fortaleza imponente que data dos séculos XII a XIV. O castelo oferece vistas panorâmicas de Porto Venere, do mar e das ilhas vizinhas, além de sediar eventos e exposições.


Entrada e área portuária de Porto Venere com o castelo Dória ao fundo, foto HistoriacomGosto


Igreja de São Pedro (Chiesa di San Pietro): Construída sobre um promontório rochoso que se projeta no mar, a igreja de São Pedro é um exemplo emblemático da arquitetura gótica genovesa, datada do século XIII. A sua localização e estrutura oferecem vistas espetaculares do Mediterrâneo e são um dos pontos mais fotografados de Porto Venere.


Igreja de São Pedro, foto HistoriacomGosto


Grotta di ByronLocalizada perto da igreja de São Pedro, a Grotta di Byron é uma caverna natural nomeada em homenagem ao poeta inglês Lord Byron, que se diz ter nadado daqui até Lerici. Hoje, é um local popular para admirar a vista do mar e a força da natureza.


Gruta de Byron, porto Venere, foto de @Karick em Dreamstime.com



3.3 - Le Cinque terre


a) Rio Maggiore


Riomaggiore é um dos vilarejos mais encantadores das Cinque Terre. Este lugar fascinante é conhecido por suas construções coloridas que se agarram às íngremes falésias ao longo da costa do Mar Ligure. 

Rio Maggiore, foto HistoriacomGosto

Arquitetura

A arquitetura de Riomaggiore é notável por suas casas coloridas que parecem empilhadas umas sobre as outras, adaptando-se à geografia desafiadora do terreno. As construções são típicas da arquitetura genovesa, com fachadas vibrantes, janelas pequenas e telhados de terracota. As vielas estreitas e sinuosas, conhecidas como "caruggi", atravessam o vilarejo, criando um labirinto charmoso que conduz tanto para o mar quanto para as colinas acima. Muitas das casas possuem terraços ou pequenos jardins verticais, onde os moradores aproveitam para cultivar plantas e flores, adicionando ainda mais cor à paisagem.

Rio Maggiore, foto HistoriacomGosto



História

Riomaggiore tem suas origens no século XIII, quando se acredita que famílias vindas da região de Valfiorita estabeleceram-se ali para aproveitar as terras para agricultura, especialmente para o cultivo de vinhas e oliveiras. Ao longo dos séculos, o vilarejo se desenvolveu ao redor de seu curso de água principal, o rio Maggiore, que mais tarde foi coberto para se tornar a rua principal do vilarejo. A economia local era tradicionalmente baseada na pesca, agricultura e vinicultura, especialmente conhecida pelo vinho Sciacchetrà, uma especialidade da região.

Rio Maggiore, foto HistoriacomGosto



b) Manarola


A arquitetura de Manarola é caracterizada por suas construções densamente agrupadas que acompanham o contorno da rocha, criando uma imagem impressionante contra o azul do mar. As casas possuem a típica configuração genovesa, com fachadas coloridas, telhados de terracota, e são adaptadas à topografia íngreme, o que resulta em um labirinto de ruelas estreitas, escadarias e passagens cobertas que percorrem o vilarejo. 

História

A origem de Manarola remonta ao século XII, possivelmente construída pelos habitantes fugindo de invasões na costa. O vilarejo se desenvolveu em torno do cultivo de uvas e produção de vinho, atividades que ainda hoje são parte fundamental da economia local. Como em Rio Maggiore, o vinho produzido em Manarola, e nas Cinque Terre de modo geral, é  valorizado. E também a pesca tradicionalmente desempenha um papel importante na subsistência da comunidade.


Manarola, foto @Tanja Rosso em Dreamstime.com


c) Corniglia

Corniglia se distingue entre os vilarejos das Cinque Terre, na Itália, por sua peculiar localização. Ao contrário das outras comunas, que se encontram diretamente à beira-mar, Corniglia é o único vilarejo situado no topo de um promontório rochoso cerca de 100 metros acima do nível do mar, oferecendo vistas panorâmicas espetaculares da Riviera Ligure.

Este posicionamento exclusivo confere a Corniglia um charme particular, um refúgio mais tranquilo e menos acessível do que os outros vilarejos das Cinque Terre, proporcionando uma experiência um tanto diferente.


Corniglia, foto HistoriacomGosto

Acesso

O acesso a Corniglia é uma característica que a define: para chegar ao coração do vilarejo a partir da estação de trem, os visitantes enfrentam a "Lardarina", uma longa escada de 382 degraus. Embora o caminho possa ser desafiador, ele oferece uma oportunidade única para admirar as vistas deslumbrantes do mar e das vinhas que caracterizam a região. Para aqueles que preferem uma abordagem menos exigente, há um serviço de ônibus que conecta a estação ao centro do vilarejo.

Corniglia, foto @Alessandro Vecchi em Wikipedia.it



d) Vernazza

Vernazza tem um charme único que combina a beleza natural com uma rica história marítima. O vilarejo é construído em torno de uma pequena baía natural, com uma praia de areia e cascalho e um cais que serve como um ponto de encontro para os habitantes locais e turistas. 



Vernazza, foto HistoriacomGosto


Vernazza, foto HistoriacomGosto


Vernazza, foto HistoriacomGosto



História e Cultura

Vernazza tem raízes que remontam ao ano 1000, e sua importância histórica é evidente no layout e na arquitetura do vilarejo. A fortaleza de Doria, construída como uma defesa contra os ataques de piratas, e a Igreja de Santa Margherita d'Antiochia, com sua torre que se destaca na paisagem, são testemunhos da rica história de Vernazza. A igreja, em particular, é notável por sua localização à beira-mar e sua arquitetura distintamente gótico-ligúria, datada do século XIII.


Vernazza, foto HistoriacomGosto

Vernazza, foto HistoriacomGosto



e) Monterosso al Mare


Monterosso al Mare é a maior das cinco pitorescas vilas que compõem a famosa região de Cinque Terre. Esta comuna encantadora é dividida em duas partes distintas: a velha vila e a nova vila, conectadas por um túnel para pedestres. Monterosso é conhecida por suas praias extensas, algo raro na maior parte da acidentada costa de Cinque Terre, o que a torna particularmente popular entre os turistas durante o verão.


Monterosso, foto HistoriacomGosto


Características e Atrações:

Praias: Diferente de outras vilas em Cinque Terre, Monterosso tem praias mais acessíveis e extensas, com faixas de areia e infraestrutura para banhistas, incluindo aluguel de espreguiçadeiras e guarda-sóis.

Monterosso, foto HistoriacomGosto


Centro Histórico: A parte antiga da cidade é um labirinto de ruas estreitas e sinuosas, adornadas com lojas, restaurantes e bares tradicionais. A arquitetura é caracterizada por construções coloridas e bem preservadas.


Monterosso, foto HistoriacomGosto


Igrejas e Monumentos: Destaca-se a igreja de San Giovanni Battista, no centro histórico, com sua fachada em estilo gótico-ligúrio e o Convento dei Cappuccini, situado no alto de uma colina, oferecendo vistas espetaculares do mar e da vila. O convento abriga obras de arte significativas, incluindo pinturas do século XVII.

Trilhas de Caminhada: A trilha que liga Monterosso a Vernazza é particularmente popular, conhecida por suas vistas panorâmicas.


3.4 - Portofino


Portofino é uma pequena vila de pescadores situada na região da Ligúria, no noroeste da Itália, incrustada em uma baía dentro do Parque Natural Regional de Portofino. Conhecida por sua beleza pitoresca e seu porto colorido, Portofino se tornou sinônimo de elegância e exclusividade, atraindo visitantes de todo o mundo, incluindo celebridades e membros da alta sociedade. A vila e seu entorno oferecem uma combinação perfeita de charme natural, história rica e luxo discreto.

Portofino, foto de @Olgacov em Dreamstime.com



Características e Atrações:

Porto: O coração de Portofino é seu porto, rodeado por edifícios coloridos e elegantes iates ancorados. O porto é um local excelente para passear, desfrutar de uma refeição em um dos muitos restaurantes de frutos do mar ou simplesmente observar o movimento tranquilo das embarcações.


Piazzetta: A pequena praça principal de Portofino, conhecida como "La Piazzetta", é um ponto de encontro popular tanto para locais quanto para turistas. Rodeada por restaurantes e cafés, é o lugar perfeito para experimentar a cozinha local e absorver a atmosfera vibrante da vila.


Castello Brown: Situado no alto de uma colina acima de Portofino, o Castello Brown é uma fortaleza datada do século XVI que foi transformada em uma residência privada antes de se tornar um museu. Oferece vistas espetaculares da vila e da costa circundante.

Igreja de San Giorgio, foto de @Uhg1234 em dreamstime.com


Igreja de San Giorgio: Uma pequena caminhada leva à Igreja de San Giorgio, de onde se tem outra perspectiva panorâmica de Portofino e do mar Mediterrâneo. A igreja abriga relíquias do santo padroeiro da vila.

4.0 - Referências

Wikipedia - La Spezia, Cinque terre, 
Rio Maggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza, Monterosso, Portofino

Chat Gpt - La Spezia, Rio Maggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza, Monterosso, Porto Fino

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 às escarpas ou se espalharem pelas colinas suaves.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

História de Bolonha, Itália - Uma Capital estudantil, cultural e dinâmica

1. - Bologna



Bolonha é uma comuna italiana, capital e a maior cidade da região da Emília-Romanha,    situada entre os rios Reno e o Savena. Bolonha é uma cidade universitária reconhecida por sua importância acadêmica, animada e cosmopolita. Bolonha tem uma história rica  e é muito tradicional na arte, culinária, música e cultura. Conta hoje com cerca de 390 000 habitantes, e é a sétima maior cidade em termos de população na Itália. A sua  área metropolitana  tem em torno de 1.000.000 de habitantes.  


Visão geral de Bolonha, foto de bellena em shutterstock.com

2. - Localização de Bolonha

Como vemos no mapa abaixo, Bolonha está situada quase que equidistante de Veneza, Genôva, Florença e Verona e um pouquinho mais distante de Milão.

Bolonha fica na região do vale do rio Pó, também chamada vale Padano. Essa região foi primeiramente habitada pela civilização Villa Nova.  

Mapa com a localização de Bolonha


3. - Desenvolvimento histórico


3.000 ac a 900 ac - A área de Bolonha é habitada desde o terceiro milênio aC, mas é sobretudo a partir do século 9 aC que foram registrados assentamentos significativos. Nesse período temos indícios da ocupação da civilização Villanova, a primeira a dominar o ferro na Itália (Civ. VillaNova). Ela é frequentemente identificada como a fase inicial da civilização etrusca, que posteriormente se expandiu e floresceu na região da Etrúria, correspondente em grande parte à atual Toscana, Lácio e parte da Úmbria.

século VII ac a século II ac(Etruscos) - Nesse período existem evidências de ocupação pelos Etruscos, que já habitavam a região da Toscana. Nesse período a cidade foi chamada de Felsina

Durante a era etrusca, Felsina era um importante centro urbano e um dos principais assentamentos no norte da Etrúria, o que hoje é conhecido como Emília-Romanha. Os Etruscos em Felsina desenvolveram uma sociedade complexa com uma estrutura social bem definida. Eles eram conhecidos por suas habilidades artesanais, especialmente em metalurgia e cerâmica, e por sua arte distinta, que incluía a produção de estatuetas de bronze, objetos de terracota, e uma rica decoração de túmulos.


pintura estrusca

século II aC a século V dC - Período romano, Queda do império romano

Como um assentamento romano, fundado em 189 a.C., Bolonha prosperou devido à sua localização estratégica na Via Emilia, a estrada que ligava as cidades do norte da Itália. Adotando as técnicas romanas de urbanização, Bononia foi planejada com ruas retangulares, um fórum (praça pública), um sistema de esgotos, banhos públicos, templos e teatros, seguindo o modelo da cidade ideal romana.

Durante o período romano, o cristianismo começou a se espalhar por Bolonha, como em outras partes do império. A cidade se tornou a sede de um bispado no século IV, refletindo sua importância na administração eclesiástica romana.

Século V ao Século VIII - Domínio bizantino 


Com a queda do império romano, Bolonha  foi inicialmente dominada pelos ostrogodos, até que logo o império bizantino conquistou Ravena, e expandiu-se até Bolonha. Bolonha era submetida a Ravena nesse período. Essa área era chamada de exarcado de ravenna (Imp. Bizantino)


Mosaico bisantino na Igreja de Ravenna,


Século VIII a século X - Após a conquista pelos lombardos, o Papa solicitou a intervenção do Imperador da França, Carlos Magno, que era proclamado o imperador do sacro império romano, que a conquistou  e depois de um período a deu para o Papa, colocando a cidade sob a autoridade deste. Nesse período Bolonha não pertencia formalmente à Igreja Romana mas sofria uma grande influência. As formas de governo se alternavam.


Século X ao século XV - No século XII Bolonha era uma cidade independente e muito próspera. Foi fundada nessa época aquela que viria a ser a primeira universidade ocidental. A Universidade de Bolonha foi fundada em 1088. A Universidade de Bolonha é muito famosa por seus estudos em Direito. Ela também estabeleceu o padrão para o ensino superior na Europa .

Nesse período experimentou várias formas de governo, como a estabelecida pelas famílias importantes (senhorial) e independente.

Século XVI - Em 1506 esteve novamente sob controle papal. Daí até a unificação da Itália, excetuando-se o período de Napoleão, Bolonha foi governada por legados papais. Os legados eram nomeados pelo Papa  entre os membros da alta nobreza ou do alto clero, o que refletia a importância e o valor que o Papado atribuía à cidade. Durante o Renascimento, esses legados foram encarregados de melhorar a administração e manter a paz, bem como de embelezar a cidade com obras de arte e arquitetura que refletiam a glória da Igreja.

(1796 a 1815) - Bolonha foi ocupada por Napoleão Bonaparte. 

1815 a 1859 - Novamente pertenceu aos Estados Pontifícios e a situação durou até a Unificação da Itália.

 > 1944      - Com o final da segunda guerra tornou-se o centro italiano do socialismo e comunismo. 

~ 2010          - alternância entre direita e esquerda.

4. - Locais de Interesse em Bolonha


4.1 - Piazza Maggiore


A Piazza Maggiore é, sem dúvida, o coração pulsante de Bolonha, um ponto de encontro para locais e turistas e um palco central para a história e a cultura da cidade. Com origens que remontam ao século XIII, a praça é cercada por alguns dos mais significativos edifícios históricos de Bolonha, refletindo a importância política, religiosa e social que o espaço tem mantido ao longo dos séculos.


Piazza Maggiore, foto de Minoandriani em dreamstime.com


A Piazza Maggiore é também um local de eventos culturais, festivais e concertos ao ar livre, mantendo sua função como um local de encontro vital para os bologneses. Não menos importante é a Fonte de Netuno, uma obra-prima do maneirista Giambologna, localizada a noroeste da praça. A fonte não é apenas uma peça estética, mas também um exemplo da engenhosidade hidráulica da época.

Fonte de Netuno

A estátua de Netuno, localizada na Piazza Nettuno, adjacente à Piazza Maggiore em Bolonha, é um dos exemplos mais notáveis da arte maneirista na Itália e um dos monumentos mais emblemáticos da cidade. A estátua é obra do escultor flamengo Jean de Boulogne, mais conhecido como Giambologna, e foi encomendada pelo Cardeal Legado Charles Borromeo para simbolizar a influência papal após o Concílio de Trento.

Inaugurada em 1566, a estátua do deus romano dos mares é uma representação poderosa da força e da majestade. Netuno, com seu olhar severo e postura dominadora, está posicionado em uma pose clássica, com o braço direito levantado segurando um tridente .


Fonte Netuno na praça Maior,
foto de Claudio Caridi em Dreamstime.com

4.2 - Pallazo d'Acursio, Pallazzo dei Banchi e Palazzo Podestá


a) Palazzo d'Acursio


O Palazzo d'Accursio é formado por um conjunto de edifícios que se uniram no decorrer dos séculos, mas inicialmente foi a habitação de Acúrsio, jurista e mestre de direito no Estúdio Bolonhês. Só em 1336 se tornou residência dos anciões (Anziani), a máxima magistratura da comuna e, deste modo, sede do governo da cidade. 

Palazzo Acúrsio, Bolonha, foto HistoriacomGosto

No século XV foi reestruturado por Fioravante Fioravanti, que acrescentou, entre outros elementos, o relógio da Torre d'Accursio. Outras reestruturações arquitectónicas remontam aos primeiros anos do século XVI, depois da queda dos Bentivoglio.

Biblioteca Municipal - Sala Borsa

A Sala Borsa é uma parte do complexo Palazzo d'Accursio e desde 2001 alberga a biblioteca municipal com o mesmo nome .

Em 2001 a estrutura foi utilizada como biblioteca. Nela se fundiu o patrimônio da antiga biblioteca central do Palazzo Montanari, bem como o da antiga biblioteca central infantil e juvenil da Villa Mazzacorati , fazendo de Salaborsa a nova biblioteca central do Município de Bolonha. O patrimônio do livro é de aproximadamente 255.000 volumes.


Salão central da Sala Borsa, foto HistoriacomGosto

Nas laterais da biblioteca existem salas com mesas para consultas especializadas. No saguão existem jornais, revistas, livros em geral, internet livre para a população em geral. De modo que a frequência na biblioteca é diversificada e enorme. Caracteriza muito o ambiente cultural da cidade.


lateral do 2o pavimento, sala Borsa, foto HistoriacomGosto



b) Pallazzo dei Banchi


O Palazzo dei Banchi é um edifício emblemático situado na Piazza Maggiore, em Bolonha, e é uma peça fundamental na tapeçaria arquitetônica que define a praça. Projetado pelo famoso arquiteto Jacopo Barozzi da Vignola e construído entre 1565 e 1568, o palácio é um excelente exemplo da arquitetura renascentista.

A sua construção foi encomendada pela autoridade municipal de Bolonha com múltiplos propósitos: além de ser um edifício que hospedaria as atividades dos bancos (daí o nome "dei Banchi"), também foi projetado para completar a fachada oriental da Piazza Maggiore e para organizar o mercado da cidade, que já estava florescendo naquela área.

Visualmente, o Palazzo dei Banchi é notável pelo seu ritmo arquitetônico harmônico, com uma série de arcadas no térreo que abrigavam as lojas dos comerciantes e banqueiros. Estas arcadas são parte dos famosos porticos de Bolonha, que oferecem abrigo e continuidade ao passeio urbano. Acima das arcadas, a fachada é dividida por pilastras coríntias, que dão suporte a uma série de janelas uniformemente espaçadas, criando um efeito de simetria e ordem.

Palazzo dei Bianchi, foto de Giovanni dal Orto, Wikimedia Commons

c) Palazzo Podestá

O Palazzo del Podestà é um edifício cívico que foi construído por volta de 1200 como sede da administração pública e do podestà (chefe de governo) local, e os vários funcionários da comuna. 

O palazzo fica na Piazza Maggiore, perto do Palazzo Comunale e de frente para a Basílica de San Petronio . Mostrando-se insuficiente para a participação massiva do povo no governo da cidade, foi em 1245 ladeado pelo Palazzo Re Enzo, sobre o qual se ergue a Torre dell'Arengo, cujo sino servia para chamar o povo em emergências.

Palazzo Podestá, foto HistoriacomGosto


4.3 - Basílica de São Petrônio

A Basílica de San Petronio é um dos locais mais importantes e simbólicos de Bolonha, bem como a principal igreja da cidade. É dedicado a São Petronio, bispo de Bolonha no século V e padroeiro da cidade. 

A construção desta imponente igreja gótica começou em 1390 a partir de um projeto do arquiteto Antonio di Vincenzo. O edifício pretendia ser maior que a Basílica de São Pedro, em Roma, um projeto ambicioso que nunca foi concluído. Na verdade, a fachada da basílica permanece incompleta, sendo a parte inferior revestida de mármore e a superior de tijolos. 



Apesar da sua incompletude, a Basílica de San Petronio é uma das maiores igrejas do mundo, com 132 metros de comprimento e 66 metros de largura. No interior, a nave central, com 44 metros de altura, é surpreendentemente espaçosa e luminosa. 


Interior da Basílica de São Petrônio, foto HistoriacomGosto


A basílica abriga 22 capelas laterais, cada uma delas contendo importantes obras de arte. Entre estes, destacam-se o afresco "Inferno" de Giovanni da Modena, inspirado na Divina Comédia de Dante, e o relógio de sol, uma linha de bronze de 67 metros de comprimento gravada no chão em 1655 por Gian Domenico Cassini, que ainda é utilizado para estudos astronômicos. 



Além da importância religiosa, a Basílica de San Petronio é um importante marco histórico e cultural. Na verdade, foi palco de eventos históricos significativos, como a coroação de Carlos V de Habsburgo como Sacro Imperador Romano em 1530.

Linha Meridiana

A linha meridiana encontrada na Basílica de San Petronio, em Bolonha, é uma das maiores do mundo. É um aparelho astronômico e científico que foi instalado em 1655 por ordem do Cardeal Carlo Boncompagni. O astrônomo Giovanni Domenico Cassini e o arquiteto Domenico Guglielmi foram contratados para construir o relógio de sol.

A linha meridiana estende-se por 67,72 metros ao longo do piso da nave. É composto por um furo no óculo da fachada por onde passa um raio de sol, e uma linha de bronze fixada no chão. O raio do sol se move ao longo da linha ao longo do ano, permitindo rastrear o equinócio da primavera e do outono e, portanto, calcular com precisão a data da Páscoa.


Meridiano de Bolonha, foto HistoriacomGosto

A escolha da Basílica de São Petrônio como local de instalação do relógio de sol não é acidental. Primeiro, a basílica é uma das maiores da Europa, o que oferece muito espaço para um relógio de sol desse tamanho. Além disso, São Petronio é o padroeiro de Bolonha, e a basílica que leva o seu nome é, portanto, um lugar central na vida religiosa e cívica da cidade.

4.4 - As duas Torres: Asinelli e Garisenda


As Duas Torres de Bolonha, conhecidas como Torre degli Asinelli e Torre Garisenda, estão entre os símbolos mais emblemáticos da cidade de Bolonha, na Itália. Estas torres inclinadas medievais representam um testemunho histórico da época em que Bolonha era uma cidade rica e poderosa, com quase 100 (cem) torres que serviam tanto como símbolos de status das famílias nobres que as construíram, como como estruturas defensivas.

As duas torres de Bolonha, Asinelli e Garisenda, foto Historiacomgosto


Torre Asinelli

A Torre Asinelli, a mais alta das duas, foi construída entre 1109 e 1119 pela família Asinelli. Com aproximadamente 97,2 metros de altura, não só é a torre inclinada mais alta da Itália, mas também é acessível aos visitantes que podem subir os seus 498 degraus para desfrutar de uma vista panorâmica deslumbrante da cidade de Bolonha. A torre tem uma inclinação de aproximadamente 2,2 metros a partir de sua base, característica que agrega charme e mistério ao edifício.


Torre Garisenda

A Torre Garisenda, construída na mesma época da Torre Asinelli, é consideravelmente mais curta, medindo hoje cerca de 48 metros de altura, mas com uma inclinação muito mais acentuada. Originalmente, tinha quase a mesma altura da sua “irmã”, mas foi encurtada no século XIV devido à sua inclinação perigosa. A Torre Garisenda é tão inclinada (mais de 3 metros de desvio da vertical) que Dante Alighieri a mencionou na Divina Comédia, comparando-a à inclinação de um homem que se curva para observar o seu caminho.


4.5 - Pórticos / Arcadas de Bolonha 


Bolonha é talvez a cidade mais famosa por suas arcadas, ou "porticos". Com mais de 40 quilômetros de arcadas, a cidade oferece uma experiência única onde se pode caminhar por longas distâncias protegido do sol e da chuva. O portico di San Luca, que se estende por 3,8 quilômetros até o Santuário de Nossa Senhora de San Luca, é um dos mais longos do mundo.

Pórtico de Bologna, foto HistoriacomGosto

Pórtico de Bologna, foto HistoriacomGosto


4.6 - Arquiginásio de Bolonha e Teatro Anatômico


Archiginnasio

O edifício Archiginnasio fica em um lado da Piazza Maggiore, bem no centro de Bolonha. Até 1803, foi a sede principal da Universidade de Bolonha, considerada a universidade mais antiga do mundo ocidental, fundada em 1088. 

O edifício Archiginnasio foi construído entre 1562 e 1563 por ordem do Papa Pio IV, com o objetivo de centralizar as sedes das diversas faculdades universitárias que até então estavam localizadas em vários pontos da cidade. 

Prédio do Archiginnasio, foto de @Aytug Bayer em Dreamstime.com


O Archiginnasio é conhecido pela sua rica decoração interna, que inclui brasões, monumentos funerários e afrescos. 

Parede com brasões, foto HistoriacomGosto


Uma de suas características mais marcantes é o Teatro Anatômico, construído em 1637, onde eram ministradas aulas de anatomia.

Teatro Anatômico

O teatro anatômico é um extraordinário exemplo de arquitetura em madeira, com teto em forma de anfiteatro, rodeado por estátuas de madeira representando médicos famosos. Construída em 1637, é uma linda sala totalmente revestida de painéis de abeto com um teto em caixotões. A poltrona é em estilo de anfiteatro, e a poltrona na qual um professor faria suas palestras se assemelha mais a um trono ou púlpito de um pregador do que à mesa de um professor.

Teatro Anatomico - Archiginnasio di Bologna, foto @Nsonic em Dreamstime.com


Este foi o local onde os estudantes de medicina da Universidade de Bolonha estudaram o corpo humano, graças também às dissecações aqui realizadas. 

Biblioteca da Universidade


Biblioteca Archiginnasio, foto @Pierre Aden em Dreamstock.com


4.7 - Complexo de Santo Estevão


A Basílica de Santo Stefano é um complexo de edifícios religiosos no centro de Bolonha. Ela tem vista para a praça e também é conhecido como o complexo das "Sete Igrejas".

Complesso di Santo Stefano, foto HistoriacomGosto


Acontecimentos históricos

Reza a tradição que o grande bispo São Petrônio (bispo de Bolonha 431-450 e protetor da cidade) construiu este complexo sob um antigo templo pagão dedicado a Ísis, a fim de ser nele edificado uma réplica do Santo Sepulcro de Jerusalém. Suas origens, portanto, são muito antigas: a basílica de São João Batista, dita “do Crucifixo”, remonta ao século VIII; e a edícola do Santo Sepulcro, ao século V.  

O complexo de Santo Stefano desenvolveu-se ao longo dos séculos, a partir do século VIII, e sofreu inúmeras modificações até atingir a sua forma atual. Era originalmente composta por sete igrejas (daí o apelido), mas hoje subsistem principalmente quatro principais, bem como alguns claustros e pátios que criam um conjunto arquitectónico de extraordinária beleza e complexidade. 

As quatro igrejas principais são: 

Igreja do Crucifixo: É o edifício mais antigo do complexo e contém importantes obras de arte, incluindo um crucifixo do século XII. 

O seu nome real é Basílica de São João Batista, ela é de origem lombarda e remonta ao século VIII. É composta de uma só nave com o presbitério sobre a cripta. À direita da igreja vemos uma imagem do século XVIII de Nossa Senhora em “lamentação pelo Seu Filho morto”. Seu autor é Angelo Gabriello Piò . 

Igreja del Crocifixo, foto HistoriacomGosto


No centro do presbitério, reconstruído no século XVII, no qual se sobe por uma escadaria, encontra-se o Crucifixo pintado por Simone dei Crocifissi por volta de 1380. Nas paredes há afrescos do século XV representando o martírio de Santo Estevão.


Igreja de Santi Vitale e Agricola: Construída no século V, é a igreja mais antiga de Bolonha. No interior estão os restos mortais dos Santos Vitale e Agrícola, os primeiros mártires bolonheses. 




Igreja do Santo Sepulcro:  O edifício, com um plano central, é construído sobre uma base octogonal irregular no centro do qual se encontra uma cúpula dodecagonal. No interior existem 12 colunas de mármore e tijolo, e no centro uma edícola (representando o Santo Sepulcro) que guardava as relíquias de São Petrônio, descobertas em 1411. A porta do Santo Sepulcro é aberta uma semana por ano, após a celebração da Missa de Páscoa, com a presença dos Cavaleiros do Santo Sepulcro. 

Edícola do Santo Sepulcro, foto HistoriacomGosto


Em tempos antigos, as prostitutas de Bolonha, na madrugada de Páscoa, iam ao Santo Sepulcro, representando Santa Maria Madalena. Lá pronunciavam orações, cujo conteúdo elas nunca quiserem revelar. 

Ainda de acordo com outra antiga tradição, as mulheres grávidas de Bolonha davam trinta e três voltas ao redor do Santo Sepulcro (em memória dos trinta e três anos da vida de Nosso Senhor), entrando em cada vez no Sepulcro para rezar, no final, iam ao Martyrium, concluir sua orações diante do afresca de Nossa Senhora grávida. 

O corpo de São Petrônio, padroeiro da cidade, já não se encontra no Santo Sepulcro, pois no ano 2000 o então Cardeal Arcebispo Giacomo Biffi, o transladou para a sua igreja em Bolonha, onde já se encontrava a relíquia de sua cabeça.


Igreja do Martírio ou Igreja da Santa Cruz atual Igreja da Trindade  

Como já mencionado, os restos mortais dos Santos Vitale e Agrícola foram inicialmente colocados neste local. Foi então reconstruída à semelhança da Basílica Constantiniana.

Na realidade a igreja deveria ter 5 naves, com a abside voltada para o Pátio de Pilatos , mas a construção foi interrompida. Foi então abandonado devido a uma inundação e depois utilizado novamente pelos lombardos como batistério.

Interior da Igreja do Martirio, @Fabio Garrisi, wikipedia


Posteriormente foi reformado pelos francos, adquirindo a forma de três absides típica de seu estilo. 

No século XVI/XVII a igreja foi ampliada. O estado actual da igreja neo-românica com fachada voltada para o pátio e ábside voltada a Nascente deve-se ao restauro de 1912, sendo por isso restaurada nas suas formas planas, alongadas e polilobadas.

No interior dessa igreja existem capelas e afrescos como a capela de santa cruz.

Capela de Santa Cruz, foto HistoriacomGosto

Fonte do texto:https://iviaggidiraffaella.blogspot.com/2020/09/bologna-la-basilica-di-santo-stefano-o.html

Outras belas pinturas e afrescos estão mostradas no complexo, entre elas destacamos:

Madonna com menino Jesus e são João Batista,
Innocenzo da Imola, sec XVI


Tribunal de Pilatos: Não é uma igreja, mas sim um pátio que abriga uma bacia octogonal, que segundo a lenda foi utilizada para o batismo dos primeiros cristãos bolonheses.

4.8 - Pinacoteca Nacional de Bolonha


A Galeria Nacional de Arte de Bolonha, localizada na via Belle Arti, é um dos museus mais importantes da Itália no que diz respeito à arte emiliana e à arte italiana em geral do século XIII ao XVIII. A Galeria de Arte ocupa parte do antigo convento de San Ignazio, com acervos que inicialmente se baseavam em obras confiscadas de igrejas e conventos da região durante as supressões napoleônicas no final do século XVIII. 

Hoje, a coleção inclui um vasto número de obras que representam a escola bolonhesa e não só, oferecendo aos visitantes uma viagem pela história da arte italiana.

Na pinacoteca encontramos uma coleção de Guido Reni (pintor bolonhês), a Santa Cecilia de Rafael, obras de Perugino, Vitale da Bologna, alguma coisa de Giotto, Anibale Caracci e outros.

a) O extase de Santa Cecília - Rafael Sanzio

O Extase de Santa Cecília é uma pintura a óleo domestre italiano da Alta Renascença Rafael Sanzio . Concluída em seus últimos anos, por volta de 1516-17, a pintura retrata Santa Cecília , padroeira dos músicos e da música da Igreja , ouvindo um coro de anjos na companhia de São Paulo , São João Evangelista , Santo Agostinho, e Maria Madalena . 

Encomendada para uma igreja em Bolonha , a pintura está agora exposta na Pinacoteca Nazionale daquela cidade. Segundo Giorgio Vasari, os instrumentos musicais espalhados pelos pés de Cecília não foram pintados por Rafael, mas por seu aluno, Giovanni da Udine

Santa Cecília, Rafael, foto HistoriacomGosto

b) O bom ladrão - Ticiano

"A composição de Ticiano utiliza a cor para definir o sentimento. A pintura é quase monocromática, usando uma variedade de ferrugem de seus tons mais escuros a tons mais claros, evocando a terrosidade, mas também a cor do sangue derramado. Tanto o Cristo como o Bom Ladrão estão fora do centro, com uma coluna flexível, mas ominosamente cinza,  que domina o espaço central. 

À direita, o corpo moribundo de Jesus é luminoso, mas traz um contraste com sua cabeça enforcada e exausta. É a justaposição de vida e morte, luz e escuridão. "

Comentário de Daniela Zsupan-Jerome, professora de liturgia da Loyola University

O bom ladrão, Ticiano, foto HistoriacomGosto

c) Madonna com o menino Jesus em glória, Guido Reni

A obra testemunha a segunda maneira do pintor, com as cores prateadas e a pátina leve preparatória para acentuar a cor.

Madona com o menino Jesus em glória,
Guido Reni, foto HistoriacomGosto

4.9 - Basilica de São Domingos

A Basílica de São Domingos (San Domenico (em italiano)) é uma das igrejas mais importantes de Bolonha, sede principal da ordem dos dominicanos. Nesta igreja, no interior da Arca de São Domingos, são conservados os restos de Domingos de Gusmão, fundador da ordem religiosa dos Frades Pregadores.

A sua construção iniciou-se no início do século XIII, pouco depois da morte do santo em 1221, e evoluiu nos séculos seguintes através de acréscimos e remodelações que enriqueceram o seu valor histórico, artístico e espiritual.

Arquitetura

A basílica apresenta uma imponente fachada de estilo românico, com modificações renascentistas e barrocas que refletem as diversas fases da sua construção. No interior, a igreja está dividida em nave central e duas laterais, com capelas que abrigam obras de arte de valor inestimável. O teto treliçado de madeira da nave central, típico do estilo românico, e o rico piso de mármore contribuem para a majestosa simplicidade do interior.

Capela de São Domingos, foto HistoriacomGosto

A pintura do domo, Glória de São Domingos, foi pintada por Guido Reni em 1615. 


Obras de Arte

A Basílica de San Domenico é famosa pela sua riqueza artística, que inclui obras de alguns dos maiores artistas do Renascimento italiano. Um exemplo notável é a Arca de San Domenico, uma obra-prima escultórica que serve como túmulo do santo. A "Arca" é uma obra coletiva para a qual contribuíram artistas do calibre de Nicola Pisano, Niccolò dell'Arca e Michelangelo Buonarroti, este último responsável pelas esculturas de San Procolo, San Petronio e um anjo castiçal. Outras importantes obras de arte da basílica incluem afrescos, pinturas e esculturas que embelezam as capelas e altares, criando um todo rico em espiritualidade e beleza. Entre estas, destacam-se as obras de Guido Reni, importante pintor do barroco bolonhês.

Casamento místico de Santa Catarina,
por Filippino Lippi

Capela do Rosário, Basílica de São Domingos
foto HistoriacomGosto


4.10 - Universitá degli Studi - Alma Mater Studiorum

A Universidade de Bolonha, também conhecida como Alma Mater Studiorum, é reconhecida como a universidade mais antiga do mundo ocidental. A sua fundação remonta a 1088 e tem sido um marco na história do ensino superior, influenciando o desenvolvimento da universidade como instituição ao longo dos séculos.

História e Importância

A Universidade de Bolonha desempenhou um papel crucial na evolução do ensino universitário. Inicialmente focada em estudos jurídicos, a sua estrutura académica expandiu-se gradualmente para incluir uma vasta gama de disciplinas, tornando-se um modelo para futuras universidades europeias. Durante a Idade Média, atraiu estudantes e académicos de toda a Europa, graças também à sua organização estudantil inovadora que garantiu direitos e proteções aos estudantes.

Cursos

Hoje, a Universidade de Bolonha oferece uma ampla variedade de programas de graduação, pós-graduação, doutorado e mestrado em diversas disciplinas, desde humanidades e ciências sociais até ciências puras e aplicadas, medicina, engenharia e muito mais. Está dividido em inúmeras escolas e departamentos que abrangem praticamente todas as áreas do conhecimento.

Locais de funcionamento

A Alma Mater Studiorum não se limita à sua sede histórica no centro de Bolonha, mas estende-se a vários campus em Itália e no estrangeiro, promovendo intensa investigação e colaboração internacional. Suas instalações incluem bibliotecas antigas e modernas, laboratórios de pesquisa de ponta e espaços estudantis.

Fachada do Palazzio Pozzo, foto HistoriacomGosto


Palazzo Pozzi

O Palazzo Poggi é um palácio na Via Zamboni 33, Bolonha , Itália. É a sede da Universidade de Bolonha e do reitor da universidade.

O Palazzo Poggi foi construído como residência de Alessandro Poggi e de seu irmão, o futuro cardeal Giovanni Poggio . O edifício foi erguido entre 1549 e 1560. O projeto do Palazzo Poggi foi atribuído a Bartolomeo Triachini.

Em 1714 o Palazzo Poggi tornou-se a Casa do Instituto dell Scienze de Bolonha. O Instituto de Ciências foi fundado por Luigi Ferdinando Marsili . A Torre Observatório (La Specola) foi construída entre 1712 e 1725. A biblioteca foi construída em 1744 seguindo projetos de Giuseppe Antonio Torri e Carlo Francesco Dotti. A recolha de imagens foi iniciada em 1754. O monumental Grande Salão do instituto foi acrescentado ao lado norte do palácio no século XVIII, inaugurado em 1756.

Biblioteca da Universidade, foto HistoriacomGosto



O Instituto de Ciências foi um estabelecimento de ensino modelo na Europa durante a Era do Iluminismo e uma parte fundamental da Universidade de Bolonha.




4.11 - Oratório de Santa Cecília

O Oratório de Santa Cecília se situa ao lado da igreja de San Giacomo Maggiore, no centro histórico da cidade. O Oratório é especialmente famoso pelos seus frescos renascentistas, que narram a vida de Santa Cecília, a padroeira dos músicos.

Igreja de São Giácomo Maggiore, foto HistoriacomGosto

História

A origem do Oratório de Santa Cecília remonta ao século XV, quando foi construído por iniciativa da confraria de Santa Cecília, fundada por nobres famílias bolognesas. O propósito era dedicar um espaço ao culto de Santa Cecília e fortalecer os laços comunitários entre os membros da confraria. Ao longo dos séculos, o oratório foi embelezado com obras de arte que refletem o fervor religioso e a riqueza cultural de Bolonha durante o Renascimento.


Os Frescos

O elemento mais notável do Oratório de Santa Cecília são os frescos que cobrem praticamente todas as paredes. Estas pinturas foram encomendadas no final do século XV e são obra de vários artistas renomados da época, incluindo Francesco Francia, Lorenzo Costa e Amico Aspertini. Os frescos retratam cenas da vida de Santa Cecília e do seu marido, Valeriano, mostrando episódios de conversão ao cristianismo, milagres e o martírio de Santa Cecília. A qualidade artística e a coesão temática dos frescos fazem deste oratório um exemplo excepcional de arte religiosa renascentista.

Oratorio de Santa Cecília, foto prefeitura de Bologna



4.12 - Santuário da Madonna de São Lucas


O Santuário da Madonna de San Luca é um dos símbolos mais emblemáticos da cidade de Bolonha. Ele está localizado no topo do Monte da Guarda, uma colina que se eleva a aproximadamente 300 metros acima do nível do mar.

A história do santuário começa em 1160, quando essa imagem foi trazida para Bolonha por um peregrino que voltava da Terra Santa. A princípio, a imagem foi colocada em uma pequena igreja no Monte da Guarda. No entanto, devido ao crescente fluxo de peregrinos e ao aumento da devoção, tornou-se necessário construir uma estrutura maior.

A construção do santuário atual começou em 1723, com projeto do arquiteto Carlo Francesco Dotti, e foi concluída cerca de um século depois. O edifício é caracterizado por um impressionante pórtico, que começa na Porta Saragozza e se estende por cerca de 3,8 quilômetros até o próprio santuário, sendo o pórtico mais longo do mundo. Este pórtico, composto por 666 arcos, foi projetado para proteger os peregrinos do tempo durante sua caminhada.


Santuario da Madonna di Luca, foto de Mszymel, dreamstime.com


A igreja do santuário é de estilo barroco, com uma fachada decorada por estátuas e um interior ricamente ornamentado com obras de arte. O interior tem um layout central e abriga a imagem da Madonna com o Menino, que é objeto de grande veneração e o ponto focal do santuário.


5. - A Culinária de Bolonha


A culinária de Bolonha, conhecida por sua riqueza e diversidade, é uma das mais representativas e apreciadas da Itália. Ela se caracteriza pelo uso de ingredientes frescos e de alta qualidade, técnicas tradicionais de preparo e uma paixão profunda pela comida. Aqui estão algumas das principais características:

Ingredientes Frescos e de Qualidade: A base da culinária bolognesa são os ingredientes frescos e de alta qualidade. Produtos locais como verduras, carnes, queijos, entre outros, são essenciais para criar pratos com sabores autênticos e ricos.


Pasta Fresca Caseira: Bolonha é famosa por sua pasta fresca feita em casa, especialmente as tagliatelle e os tortellini. As tagliatelle são tradicionalmente servidas com ragù (um molho rico e encorpado, conhecido fora da Itália como "à bolonhesa"), enquanto os tortellini, recheados com uma mistura de carnes, são geralmente servidos em caldo de galinha.


pasta pronta, foto HistoriacomGosto




Exemplos de pastas, foto HistoriacomGosto


Ragù: Diferentemente da versão internacionalmente conhecida como "molho à bolonhesa", o verdadeiro ragù bolognês é um molho espesso e saboroso, cozido lentamente com carne moída, um sofrito de vegetais (cenoura, cebola, aipo), vinho tinto, caldo e um pouco de concentrado de tomate. Em Bolonha, esse molho é usado com moderação sobre a pasta.

Tagliatele al ragú, foto HistoriacomGosto

Observação: Você sabia que o termo spagheti à bolonhesa não existe em Bolonha. A massa que é servida normalmente é o tagliateli e o molho usado se chama ragú. Em outras partes da Itália, e princiaplamente em outros países é comum encontrarmos o spagheti (espaguete) à bolonhesa. 



Produtos DOP e IGP: A região em torno de Bolonha oferece vários produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP) e Indicação Geográfica Protegida (IGP), como o Parmigiano Reggiano, o Aceto Balsamico di Modena e os Salumi di Parma, destacando a importância da qualidade e origem.


Mortadela de Bolonha: A mortadela, um embutido suave e aromático, é um dos ícones da cidade. Fatiada finamente, é frequentemente servida como aperitivo, além de ser utilizada em várias receitas tradicionais.

Mortadela bolonhesa, foto HistoriacomGosto


Doces Tradicionais: Os doces também têm seu lugar de destaque, com especialidades como o Certosino ou Panspeziale, um bolo de Natal repleto de frutas cristalizadas, nozes e chocolate, e a Zuppa Inglese, uma sobremesa em camadas com creme de pasteleiro, chocolate e licor Alchermes.

doces típicos, foto HistoriacomGosto



Osterias e Trattorias: A experiência culinária em Bolonha também passa por suas osterias e trattorias, onde é possível saborear pratos tradicionais em uma atmosfera acolhedora e muitas vezes familiar, verdadeiras testemunhas da cultura e tradição culinária local.

Osteria O51, Piazza Maggiore, foto HistoriacomGosto


Uma Ótima recomendação - Enoteca da Lucia

Seguimos a recomendação do Trip Advisor e acertamos em cheio. O carré de cordeiro cozido à baixa temperatura e o nhoque com frutos do mar, estavam espetaculares. O sabor, o cheiro, várias nuances diferentes que nos surpreenderam. Um bom vinho acompanhou tudo. O preço acessível.  Altamente Recomendável. São especializados em comida mediterrânea, peixe e  frutos do mar, mas as suas carnes de cordeiro também são excelentes.

Enoteca da Lucia, foto proprietários

6. - Referências


Basílica de Santo Estevão - https://iviaggidiraffaella.blogspot.com/2020/09/bologna-la-basilica-di-santo-stefano-o.html


Wikipedia - Bologna / Basilica de Santo Stefano / Basilica de San Domenico

Chat gpt - Bologna / Basilica de Santo Stefano / Basilica de San Domenico

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