quarta-feira, 15 de junho de 2016

Van Gogh e suas releituras de Jean-François Millet

I - Jean François Millet


Jean-François Millet (4 de Outubro de 1814 – 20 de Janeiro de 1875) foi um pintor realista francês e um dos fundadores da Escola de Barbizon na França rural. É conhecido como precursor do realismo, pelas suas representações de trabalhadores rurais.

Millet Recebeu suas primeiras aulas de pintura em 1834, em Cherbourg. Mudou-se depois para Paris, em 1838, onde continuou sob a orientação do pintor Paul Delaroche, dedicando-se a estudar os grandes mestres do Louvre.


quadro as catadpras de espigas de Millet mostra três mulheres curvadas sobre o campo catando espigas no final de uma tarde. O tom é meio amarronzado
          The Gleaners, Millet (1857), Musée d'Orsay, Paris - As espigadeiras (catadoras de espigas)


Em 1840, decidiu abandonar o Academismo e ficar sob a influência de Daumier. Nessa época conseguiu se apresentar pela primeira vez no Salão de Paris e conheceu os pintores Théodore Rousseau e Constant Troyon, que o influenciaram a mudar-se para o campo. Ele acabou indo para o povoado de Barbizon. 

Em Barbizon ele viveria toda a sua vida, longe da cidade que detestava e pintando seus célebres quadros de camponeses, que tantas críticas despertaram entre os conservadores franceses. Em 1849 abdica definitivamente de Escola de Barbizon para se dedicar por inteiro às suas representações de trabalhadores rurais das mais diversas áreas.

Suas obras sobre camponeses foram consideradas sentimentais para alguns, exageradamente piegas para outros, mas a verdade é que as obras de Millet em nenhum momento suscitaram indiferença. 

Na tepidez de seus ocres e marrons, no lirismo de sua luz, na magnificência e dignidade de suas figuras humanas, o pintor manifestava a integração do homem com a natureza. No entanto, é nos pequenos gestos que se pode descobrir a capacidade de observação deste grande pintor.  



A interpretação de Van Gogh para as catadoras de espigas mostra duas mulheres curvadas catando espigas o chão está esbranquiçado e a roupa das mulheres e o quadro puxam para o azul
            Interpretação de Van Gogh - As catadoras de espiga (1889) Fundação Burhle, Zurique

Barbizon

Os principais pintores de Babizon integrantes da Pintura Realista, que reagiram ao formalismo do Romantismo de Delacroix, foram Jean-Baptiste Camille Corot, Jean-François Millet e Théodore Rousseau 

Millet morreu em Barbizon em 1875 com sua família e cercado pelas coisas que ele amava como Carrinhos de mão, arados, bidões, ganchos de contas e foices.

II. - Van Gogh 


Em 1875, Van Gogh já demonstrava talento para o desenho mas ainda não tinha se decidido pelo desenho / pintura. Ele começou a trabalhar na Galeria Goupil de Paris aos dezesseis anos como auxiliar de vendas.  

Em junho de 1875, alguns meses depois da morte de Millet, Van Gogh de passagem para Paris, visita no hotel Drouot  uma exposição com 95 desenhos e pastéis de Millet vindos da coleção de Emile Gavet. Van Gogh ficou entusiamado com o que viu.  

Desiludido com o trabalho na Galeria Goupil, que ele achava que tratava a arte como uma mercadoria qualquer, ele logo é desligado e passou a desenvolver o seu lado espiritual pensando em se tornar pastor evangélico. 
Em 1880 depois de alguns anos passados na Bélgica como missionário evengélico Van Gogh decidiu viver da pintura. Em agosto de 1880 ele pede a seu irmão Theo para lhe mandar algumas gravuras dos trabalhos no campo desenhados por Millet. 
Através dessas imagens, Vincent aprendeu a desenhar as  figuras humanas em  lápis. Ele aprecia em Millet o rigor e, especialmente, a ideologia do homem que ganha o pão com o suor do seu rosto. Em Millet, ele encontra os valores cristãos queridos ao seu coração, humildade e compaixão.


O Semeador


quadro de Millet para o Semeador mostra um homem de calça azul e camisa vermelha espalhando sementes   
            Millet, 1850

a primeira interpretação de Van Gogh do semeador é feita quase como se fosse a lápis num tpm cinza e marrom         
 Van Gogh, 1881

a degunda interpretação de van gogh para o semeador traz um campo azulado o céu verde com amarelo e a roupa do semeador da camisa azul e chapéu bege         
 Van Gogh, 1889


La Haye e Nuenen (1881 a 1885)


Em 1881 ele tenta reproduzir o Semeador de Millet. Ele faz várias reproduções das quais somente uma sobrexistiu. Ele copia freneticamente  Les Bêcheurs, L'Angélus, Les Quatre Heures du jour e outras telas. Ele se aprofunda e melhora nos seus estudos e desenhos. 
É em 1882 que Van Gogh começa sua pintura à Óleo. Ele compartilha suas impressões sobre os pintores que ele admira como Daumier e Millet. Ele executa várias telas com diferentes técnicas. Ele envia algumas telas a seu irmão Theo das quais poucas restaram. Algumas inclusive  foram destruídas pelo próprio autor. 

o quadro os comedores de batata que é um dos iniciais de van gogh é um quadro bastante escuro, mostrando uma família de cinco pessoas em uma casinha sentadas para a refeição da noite com a sala iluminada por um lampião e das cinco pessoas, três estão comendo batatas e as outras duas estão servindo e tomando café
     Os Comedores de Batata, Van Gogh (1885), Museu Van Gogh, Amsterdã


Anvers (1885)


Em 1885 ele escreve a seu irmão Theo:  "Para mim, não é Manet, Millet é o pintor essencialmente moderno." 

Paris (1886 a 1887)

O efeito de Millet sobre Van Gogh iria diminuir, no entanto, quando ele se juntou a Theo em Paris e começou a socializar com os membros da comunidade artística - Gauguin, Pissarro, Toulouse-Lautrec, etc. 


Arles (fev 1888 a maio 1889)

Quando Van Gogh passa seu período em Arles é com Gauguin que ele se identifica na explosão de cores e cria então o estilo chamado "Pós-Impressionismo".

Saint-Rémy-de-Provence (maio 1889 a maio de 1890)


Em 1889 Van Gogh decide se internar no asilo de deficientes mentais de Saint-Remy. Nesse período de um ano em que passou no asilo em Saint-Remy, ele fez 21 cópias de obras de Millet. Estas cópias são tanto uma homenagem a Millet, bem como uma tentativa de Vincent para expandir ainda mais o seu próprio estilo. Enquanto Van Gogh admirava muito Millet, ele sentiu que suas cópias feitas em Saint-Rémy tinham uma grande quantidade de seus próprios sentimentos únicos:

Auvers-sur-Oise (1890)


Em maio de 1890 Van Gogh decide se mudar para Auvers-sur-Oise para ficar aos cuidados do Doutor Paul GAchet, amigo de seu irmão e de vário pintores impressionistas. Lá ele passa os últimos setenta dias de sua vida em uma época de forte produção artística. 



III - Releituras / Reinterpretações de Van Gogh sobre Millet


Releituras / Cópias por Vincent van Gogh formam um grupo importante de pinturas executadas pelo artista entre 1887 e início de 1890. Enquanto ele estava no asilo em Saint-Rémy-de-Provence, ele montou um pequeno atelier para poder trabalhar. Entretanto, ele admitiu a si mesmo, que  como ele não tinha modelos, ele tinha que se esforçar para ter assuntos durante os meses frios do inverno. 

Buscando ser revigorado artisticamente, Van Gogh fez mais de 30 cópias de obras por alguns de seus artistas favoritos, 21 das quais eram de Millet. 

Em vez de replicar, Van Gogh procurou traduzir os temas e composição através de sua perspectiva, cor e técnica. Significado espiritual e conforto emocional foram expressos através do simbolismo e cor. Seu irmão Theo van Gogh chamaria as peças da série de alguns dos seus melhores trabalhos.

Van Gogh considera que o assunto / motivo do quadro não é senão um ponto de partida para a interpretação do artista. Ele exprime essa idéia dizendo: 


"Se alguém toca Beethoven, acrescenta a sua própria interpretação pessoal; na música, especialmente no canto, a interpretação também conta e o compositor não tem que ser o único a exercer as suas composições De qualquer forma, especialmente agora que eu estou doente. , eu estou tentando criar algo para me confortar, para meu próprio prazer. Eu coloquei o preto e branco de Delacroix ou Millet na minha frente para usar como um motivo. E então eu improviso nas cores [...] enquanto são pelo menos corretas no espírito, que é a minha interpretação ".

Ou dito de outra forma: "Eu estou usando uma outra língua, a de cores, para traduzir as impressões de luz e escuridão em preto e branco". 


a) Os Primeiros Passos


quadro os primeiros passos de van gogh
   Os Primeiros Passos - Millet (1858) - Lauren Rogers Museum of Art, Mississipi


interpretação de van gogh para os primeiros passos, quadro com as pinceladas mais grossas e tom esverdeado
            Os Primeiros Passos - Van Gogh (1890) - Metropolitan Museum of Art, New York

b) A Siesta ou o Meridiano (Millet e Van Gogh)


A siesta foi pintado quando Van Gogh estava internado no asilo em Saint-Rémy-de-Provence. A composição é feita de um desenho de Millet para "Quatro Momentos do Dia ".

"Descanso ao meio-dia"  de Millet


quadro descanso ao meio dia de Millet mostra um casal deitado no campo encostado em um monte de feno. O tom é amarronzado
                       Descanso ao meio-dia (1886)  - Museum de Fine Arts of Boston


Desenho de Millet usado por Van Gogh


desenho feito a lápis por van gogh com ocasal deitado e encostado n omonte de feno só que em lado oposto













Siesta de Van Gogh


Mantendo-se fiel à composição original, Van Gogh, no entanto, impõe seu próprio estilo em cima desta cena repousante que, para Millet, simbolizava a França rural de 1860. 

Esta retranscrição altamente pessoal é alcançada principalmente por meio de uma construção cromática baseada em cores contrastantes complementares: azul-violeta, amarelo-laranja. Apesar da natureza pacífica do assunto, a fotografia irradia a intensidade artística única de Van Gogh.


interpretação de van gogh chamado A Siesta, mostra o casal deitado no campo e apoiado em um monte de feno. Só que nesse quadro de Van Gogh o campo  e  os montes de feno são de um tom de laranja intenso e as roupas dos camponeses e o céu são de cor azul mas também muito intenso
                The Siesta, Van Gogh (1890) - Musée d'Orsay, Paris

IV - Referências


- Musée d'Orsay - Siesta - Van Gogh

- L'Express - Van Gogh et Maitre Millet - https://www.lexpress.fr/informations/van-gogh-et-maitre-millet_630257.html

- A obsessão de Van Gogh - https://pt.slideshare.net/henrychinaglia/a-obsesso-de-van-gogh

- Wikipedia em Inglês - Copies by Van Gogh - https://en.wikipedia.org/wiki/Copies_by_Vincent_van_Gogh

- Wikipedia em francês - Jean François Millet

- Wikipedia em Francês - Van Gogh - https://fr.wikipedia.org/wiki/Vincent_van_Gogh

- Coleção Grandes Mestres - Editora Abril


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Igrejas Barrocas no Brasil: Convento de Santo Antônio em João Pessoa

I - Igreja e Convento franciscano de Santo Antônio em João Pessoa.



O conjunto arquitetônico da Igreja e Convento de Santo Antônio (Igreja e Convento de São Francisco) é formado pelo Adro, Igreja, Convento e Cruzeiro, sendo considerado o maior monumento em estilo barroco da América Latina (Rodriguez, 1992). Sua edificação foi de iniciativa dos frades da Ordem Franciscana que vieram à Paraíba para ajudar os jesuítas na catequização dos índios. O conjunto encontra-se tombado pelo Patrimônio Histórico desde 1952.

Fundada em 1585, com o nome de Nossa Senhora das Neves, João Pessoa é considerada a terceira capital de estado mais antiga do Brasil, e conta com um grande acervo histórico-cultural. Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o Centro Histórico de João Pessoa abrange 502 edificações e uma área de aproximadamente 370 mil m².

Observação: Apesar de o Santo que dá nome à Igreja ser, comprovadamente, Santo Antônio de Pádua, já que são cenas da vida e dos milagres do frade português que ilustram o teto do altar-mor, a população pessoense desde há muito denomina a Igreja como “de São Francisco”. Isso se dá talvez pelo fato da ordem fundadora do convento ser franciscana. Como recentemente ele foi reinaugurado como Centro Cultural São Francisco, nesse post chamaremos o conjunto de  Convento de São Francisco.



 foto da fachada do Convento Santo Antônio em João Pessoa
Fachada do Convento Santo Antônio / São Francisco João Pessoa, foto historiacomgosto


Histórico


Em 1588, chega no município de Nossa Senhora das Neves, o Frei Melchior de Santa Catarina, incumbido de instalar uma missão franciscana. O convento foi fundado em 1589, quatro anos após a ocupação da região pelos portugueses, e foi concluído no ano de 1591, pelo Guardião Frei Antônio do Campo Maior.

A estrutura atual é fruto de várias reformas efetuadas nos séculos XVII e XVIII. Inicialmente o convento era  uma pequena edificação de taipa, com 12 celas e um claustro, logo ampliada nos anos seguintes, já em alvenaria de pedra calcária. 

Em 1634 foi ocupado pelos invasores holandeses  e transformado em fortificação. Depois de recuperado pelos franciscanos, foi reformado, com as obras concluindo em 1661. Nos próximos dois séculos sofreria outras intervenções, até ter a fachada da igreja concluída em 1779, data gravada no frontispício. 

Os interiores foram ricamente decorados, destacando-se o trabalho de azulejaria, talha dourada e pintura. O convento se tornou o maior centro franciscano ao norte de Pernambuco, tendo um papel decisivo na exploração e ocupação da região através do trabalho missionário e cultural dos frades. Sua decoração interna apresenta várias alegorias referentes a esse papel. 

Os edifícios foram novamente modificados no século XIX, resultando na perda do altar-mor original da igreja. Entre 1885 e 1894 foi usado pelo governo, que instalou no convento uma escola de aprendizes marinheiros e um hospital militar. A posse retornou para a igreja por intervenção do 1º Bispo da Paraíba, Dom Adauto de Miranda Henriques, que transformou o conjunto em seminário. Nesta função permaneceu até 1964, mas depois o governo novamente o utilizou para instalar algumas instituições: o Museu do Estado da Paraíba, a Escola Estadual do Róger e a Escola de Teatro Piollin.


Em 1979 foi fechado para restauro e em 6 de março de 1990 foi reinaugurado como Centro Cultural São Francisco.


II - O Conjunto Arquitetônico



O conjunto arquitetônico é de estilo barroco-rococó, e é um bom exemplo da escola franciscana  de arquitetura do nordeste brasileiro. 


A Nave Principal

foto da nave principal da Igreja
Nave principal da Igreja, foto historiacomgosto


O púlpito da igreja foi considerado pela Unesco único no mundo pelo esplendor de sua talha.

O teto

O teto da igreja é decorado com uma das mais importantes pinturas de arquitetura do Barroco brasileiro, mostrando a cena da Glorificação dos Santos Franciscanos. A tradição a atribui a José Joaquim da Rocha, fundador da escola baiana de pintura, mas ainda há muita polêmica a este respeito.  Outros espaços também possuem importantes tetos pintados.


 foto do teto com a pintura glorificação dos santos franciscanos
Glorificação dos SantosFranciscanos - Madeira      
policromada, décadas finais do século XVIII.




 outra vista do teto pegando o coro
Outra vista do teto, agora no sentido inverso
     


O MEDALHÃO CENTRAL (Texto adaptado de Carla_Mary_Oliveira na revista Fenix Out 2009)

Consensualmente nomeada pelos estudiosos brasileiros como Glorificação dos Santos Franciscanos ou Glorificação de São Francisco, a cena do medalhão central do forro da Igreja de Santo Antônio é plena de significados alegóricos.

No alto da imagem, a Santíssima Trindade – incluindo o Deus Pai personificado – e a Virgem Maria – que traz numa das mãos uma bandeira com o brasão da ordem seráfica e na outra um ramalhete de lírios brancos, alegoria de sua pureza – rodeados por uma profusão de querubins, abençoam São Francisco de Assis, que por sua vez derrama raios luminosos de seu peito aos quatro cantos do mundo onde atuavam os franciscanos.


foto do medalhão central do teto com São Francisco ao centro de onde saem raios luminosos

À volta do santo da Úmbria estão quatro pares de personagens: santos mártires franciscanos ladeando mulheres ajoelhadas, vestidas com trajes alusivos à Europa, à África, à América e à Ásia, todos flutuando em nuvens que pairam suspensas sobre um terreno pontilhado com alguns arbustos que se perde na bruma do horizonte.  

Tal cena seria banal – e chega mesmo a ser tema comum nas pinturas franciscanas de algumas igrejas coloniais do Nordeste brasileiro – não houvesse claramente uma diferença de atitude entre os frades ali representados: Santo Antônio e o mártir asiático olham diretamente para a Santíssima Trindade e a Virgem, pouco se importando com o que fazem as mulheres ajoelhadas a seus pés. 

Europa e Ásia podem ser vistas, assim, como continentes em que a Fé cristã não necessitava de tanta vigilância, afinal. 

A capela da Ordem Terceira


 capela da ordem terceira com o estilo da capela do Recife mas com menos riqueza A Capela dos Terceiros foi iniciada em 1704 e, entre 1718 e 1734, uma nova campanha construiu e decorou o coro alto e abriu as duas portas laterais da fachada. 

Em meados do século, os terceiros fizeram construir a grande casa de oração adjacente à sua capela, e pela mesma altura foi construída a sacristia. A Capela dos Terceiros procurou seguir o modelo da sua congénere do Recife mas, com menos recursos, ficou incompleta.

A talha da capela é bem característica do estilo nacional português.





Detalhe do Altar da Capela da Ordem Terceira


 detalhe da parte superior do altar
Detalhe da capela dourada, foto historiacomgosto


Casa de Oração da Ordem Terceira  adjacente à Capela

 teto da casa de oração da ordem terceira   Altar da casa de oração da ordem terceira


O Claustro


O claustro é atualmente a parte mais antiga do convento. Ele foi terminado em torno de 1730. Revela influência mourisca e é constituído por um pátio quadrado cercado de uma galeria coberta, para onde se abrem as celas. Seus azulejos das paredes laterais são decorados com motivos vegetais. 




 foto do Claustro do Convento
Claustro, foto historiacomgosto



O Coro


 foto do Coro da Igreja
                                    O Coro visto da Nave



foto da parte interna do coro com foco nas cadeiras de madeira
            O Coro - Parte interna andar superior, foto historiacomgosto


A Sacristia

 foto da sacristia com seus pesados armarios de madeira
     Móveis da Sacristia, foto historiacomgosto

 foto do belo teto da sacrsitia com a pomba representando o Espírito Santo
       Teto da Sacristia - wikimedia commons


O Pátio  

Toda a construção é  considerada uma obra de arte.  Carla Oliveira ressaltou que já foram usados os adjetivos de "harmonia, formosura, graciosidade, grandiosidade" para louvá-la. E para ela, "é certo que até hoje ela emociona quem chega aos pés do cruzeiro monumental, à entrada do adro". 

O pátio exterior é murado por eles também e mostra nichos com cenas da Paixão ainda em azulejos magnificamente desenhados e que assim, emoldurados pelos nichos e distantes uns dos outros, a gente pode isolar, contemplar e gozar bem.

 foto do pátio do convento

Adro

Iniciado no século XVI, o Adro da Igreja  é cercado de duas grandes muralhas antigas e azulejadas, com seis painéis representando as estações da Paixão de Cristo. Esses azulejos são de grande importância histórica e artística. Já a parte superior das muralhas é trabalhada em pedra. Por sua vez, o piso do adro é todo em lajes muito antigas.


 foto do Adro da Igreja
No interior da igreja e no grande adro também há vários painéis azulejados. No primeiro retratam a história de José do Egito, e no segundo, cenas da Paixão de Cristo. A fachada, em triângulo escalonado, é ornamentada com motivos vegetais, predominando o caju, uma árvore comum no nordeste.



Cruzeiro

 foto da cruz / cruzeiro vista da rua em direção da igreja   foto da cruz / cruzeiro vista da igreja  em direção da rua


O cruzeiro é formado por cruz monolítica, com pedestal apresentando figuras de pelicanos ou a ave mitológica Fenix, "representando Cristo alimentando os filhos com sua própria refeição e a ressureição". Esse cruzeiro é o único restante em João Pessoa.

Referências


Os Textos foram retirados e adaptados das seguintes fontes:

- Texto de Carla_Mary_Oliveira na revista Fenix Out/Nov/Dez 2009
https://www.revistafenix.pro.br/PDF21/ARTIGO_03_Carla_Mary_S._Oliveira.pdf

- Texto de Ronei -  https://www.de.ufpb.br/~ronei/JoaoPessoa/sfrancisco.htm

- Wikipedia - Centro Cultural São Francisco

Fotografias:

Historiacomgosto, exceto o teto da sacristia.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Castelos do Vale do Loire II

1 - Castelo de  Azay-le-Rideau


O Castelo de Azay-le-Rideau é um palácio  localizado na comuna de Azay-le-Rideau, no departamento de Indre-et-Loire. Foi construído entre 1518 e 1527, sendo um exemplo do Renascimento francês. 

Edificado em uma ilha no meio do rio Indre, o edifício, tal como se apresenta hoje, foi construído sob o reinado de Francisco I por um rico financista, Gilles Berthelot, que desejava conciliar inovações vindas da Itália e a arte de construir em estilo francês. 

Situado em meio ao verde, o castelo é banhado pelas águas do Indre que refletem suas fachadas. Classificado como monumento histórico, o castelo de Azay-le-Rideau expressa todo o refinamento de um castelo da primeira renascença francesa.


foto da fachada do Catelo de Azay Le Rideau
Castelo de Azay-le-Rideau - foto de milosk50 / Shutterstock.com


O primeiro castelo medieval de Azay foi construído por volta de 1119 por um dos primeiros senhores do local, Ridel (ou Rideau) de Azay, cavaleiro de Filipe Augusto, que edificou uma fortaleza defensiva a fim de proteger a estrada entre Tour e Chinon.

O castelo foi queimado por Carlos VII em 1418 quando o rei, hospedando-se em Azay a caminho de Chinon, foi provocado pelas tropas borgonhesas que ocupavam a fortaleza. O capitão e 350 soldados foram executados. A cidade manteve até o século XVIII o nome de Azay-le-Brûlé (Azay-o-queimado)


O interior do Castelo


foto da parte interna do Azay le rideau - salão de estar
foto de Viacheslav Lopatin / Shutterstock.com
foto da parte interna do Azay - Salão de Jantar
foto de Evgeny Shmulev / Shutterstock.com


O castelo permaneceu vazio até sua compra pelo Estado em 11 de agosto de 1905, e foi imediatamente classificado como Monumento Histórico. Desde 1907, foi objeto de profundas restaurações.

O castelo de Azay é hoje administrado pelo Centre des Monuments Nationaux


O Vilarejo de Azay-le-Rideau


Azay-le-Rideau é uma pequena vila francesa do Departamento Indre e Loire, na região Centro-Vale de Loire. O que faz a vila famosa é o seu castelo. A vila de Azay-le-Rideau é o carro chefe da região. Seus habitantes são chamados de "Ridelloises".  

Constituída em reunião de comunidades (communauté de communes)  desde 1 de Janeiro de 2001, o território do Pays d' Azay -le- Rideau inclui 12 comunas rurais : Azay-le-Rideau, Bréhémont , La Chapelle -aux- Naux , Cheillé , Lignières -de -Touraine , Pont -de- Ruan, Rigny- Ussé , Rivarennes , Sache , Thilouze , Vallères e Villaines- les - Rochers .



foto de rua do vilarejo de Azay le rideau
foto de Evgeny Shmulev / Shutterstock.com
foto de casinha do vilarejo com portas e janelas azuis
foto de Francisco Javier Gil / Shutterstock.com

2. - Chateau de Villandry


O Castelo de Villandry, na região Centre Val de Loire, é um castelo renascentista situado no coração de um jardim de três andares. Concluído em torno de 1536, é o último dos grandes castelos da Renascença construído às margens do rio Loire.

Impressionante pela beleza de sua arquitetura, a propriedade é conhecida principalmente por seus jardins, divididos em três níveis, que combinam estética, diversidade e harmonia. Dos seus seis jardins, os três mais famosos são o "Jardim decorativo visto da torre", o "Jardim ornamental" e o "Jardim de água".

No início do século XX foi comprado por Joachim Carvallo, bisavô dos proprietários atuais, que o restaurou completamente.

Fica situado a 15 km  de Tours pela estrada D7.

 foto dos jardins e fachada do chateau de Villandry
foto de  PHB.cz (Richard Semik) / Shutterstock.com



O Jardim Ornamental


foto do jardim ornamental do chateau Villandry mostrando sua divisão geométrica bem organizada e típica da alguns castelos franceses
Jardim Ornamental - foto de Tomsickova Tatyana / Shutterstock.com

O jardim ornamental é como se fosse uma extensão das salas do castelo.


Diz-se que ele consiste em jardins do amor divididos em 4 grupos:

  1. O amor terno simbolizado por corações separados com pequenas chamas.
  2. O amor apaixonado com corações partidos pela paixão, gravado em um movimento que lembra a dança.
  3. O amor inconstante com quatro fãs nos cantos para representar a leveza do sentimento.
  4. O amor trágico com punhais e espadas para representar a rivalidade romântica.        (fonte: wikipedia francesa: le chateau de villanddry)


Outras visões dos jardins de villandry



foto lateral do castelo pegando os jardins e uma perede lateral
foto de Sergii Rudiuk / Shutterstock.com
 foto da geometria do jardin com suas plantas cortadas segundo desenhos geométricos
foto de Kiev.Victor / Shutterstock.com


3. - Chateau de Blois


O Castelo Real de Blois abre aos visitantes as portas do Vale do Loire. Situado na região central do vale do Loire, o castelo apresenta um verdadeiro panorama da arte e da história dos castelos do Loire, e é uma das melhores maneiras de iniciar sua visita.

Este palácio, além de residência de vários Reis da França, também foi o local onde o Arcebispo de Reims abençoou Joana d'Arc, em 1429, antes de esta partir com o seu batalhão para combater os ingleses em Orleãns.

Erguido no centro da cidade de Blois, compreende vários edifícios construídos entre o século XIII e o século XVII, ao redor do pátio principal. A sua mais famosa peça de arquitetura é a magnifica escadaria em espiral, na ala de Francisco I.



foto de Fachada do Chateau de Blois
 foto de Viacheslav Lopatin / Shutterstock.com

Detalhes do castelo


Residência de sete reis e de dez rainhas da França, o Castelo Real de Blois é um local evocativo do poder e da vida cotidiana da corte no Renascimento, como o demonstram os apartamentos reais mobiliados e decorados com magníficos ornamentos policromados.


foto de pátio interno do Chateau de Blois
foto de   / Shutterstock,com
foto de peqeuna escultura de um nobre cavaleiro em torre do Chateau de Blois
 foto de  / Shutterstock.com

Catedral e vilarejo de Blois

 foto da catedral e do vilarejo de Blois
foto de   / Shutterstock.com
 foto da ponte, catedral e vilarejo de Blois
foto de   / Shutterstock.com


4. - Chateau de Cheverny


O Château de Cheverny é um dos mais célebres castelos do Loire, estando  muito próximo do Château de Blois e do Château de Chambord, é um dos mais frequentados da região.

Classificado como Monumento Histórico, esse castelo foi construído no século XVII em um estilo altamente clássico e homogêneo. Ele foi projetado por Jacques Bougier, arquiteto que construiu uma parte do castelo de Blois.

Enquanto Blois e Chambord foram residências Reais, Cheverny, ao contrário,  permaneceu sempre uma propriedade privada. Além do mais, Cheverny conservou o seu mobiliário e a sua decoração do século XVII sendo um dos interiores mais ricos para visitação.



 foto da fachada do Chateau de Cheverny
foto de  / Shutterstock.com

O interior do castelo

A esplêndida decoração interior foi assinada por Jean Monier, de Blois. Em sua época, o decorador beneficiou-se do apoio de Maria de Médici, que o enviou à Itália para aprimorar seu talento. Quando ele voltou, foi empregado por Maria de Médici no palácio de Luxemburgo, em Paris. Depois Monier retornou a Blois, sua cidade natal. Coroado por um merecido sucesso, foi chamado a Cheverny para exercer todo seu talento no castelo.


foto da salão de recepção do castelo
foto de DOPhoto / Shutterstock.com
foto do quarto de dormir principal do castelo
Pecold / Shutterstock.com

O jardim do Castelo


A impressão que se tem é a de que o castelo de Cheverny foi colocado sobre um oceano de grama, que recebe os melhores cuidados possíveis. Criado em 2006, o 'jardim dos aprendizes  se estende do castelo até a "orangerie", uma estufa para o cultivo de árvores cítricas. De concepção contemporânea, o jardim foi construído como um jogo permanente entre uma estrutura vegetal ordenada a partir de um eixo central e uma serpentina de cores que brinca com os limites do espaço. A horta é um verdadeiro jardim que faz o castelo florescer. Extremamente colorida, como um grande buquê a céu aberto, no qual mil e uma flores se misturam a diversos legumes, a horta combina a utilização original de diferentes materiais e cores.



foto de jardim do castelo
foto de SoWhat / Shutterstock.com


A entrada do Castelo

foto do prtão de entrada no largo muro de pedras do Chateau Cheverny
Entrada do Castelo foto de   / Shutterstock.com
foto de Igreja antiga de pedras no vilarejo de Cheverny
Igreja Antiga - foto de   / Shutterstock.com
                                                     

5. - Roteiro sugerido


Dos castelos mostrados nos dois posts; Chenonceau, Amboise, Clos Luce, Chambord, Azay le rideau, Villandry, Blois e Giverny sugerimos fazer na seguinte sequência:

a) Blois, Cheverny e Chambord
b) Amboise, Clos Luce e Chenonceau
c) Azay le rideau, Villandry

Vejam o post inicial Castelos do Vale do Loire I em:
https://historiacomgosto.blogspot.com.br/2016/05/castelos-do-vale-do-loire-i.html


6. - Referências


Wikipedia Francesa e Portuguesa sobre cada um dos castelos

Site sobre Castelos do Vale do Loire - https://castelosdoloire.com.br/

fotos adquiridas em Shutterstock.com de autores conforme referenciados




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