quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Praga, República Tcheca - A pequena Paris da Europa Central

I - Conhecendo Praga e sua História



Vista do Castelo de Praga ao anoitecer com a catedral de São Vito ao fundo
Vista do Castelo de Praga com a Catedral de São Vito ao fundo, foto de HistoriacomGosto

Praga tem sido  chamada ao longo do tempo de "a pequena Paris", onde se ressaltam as características de uma cidade  bonita, arquitetura medieval conservada e com cerveja, comida e hotéis mais baratos que a sua prima mais famosa. Acontece que na história, já houve época em que Praga superou París em opulência e beleza. Depois de vários períodos em que sua identidade foi sendo formada lentamente, a Praga de hoje quer nos contar a sua história.


II - Historia do Reino da Boêmia e Praga, sua Capital



II.1 - Período Inicial - Ocupações Itinerantes (séculos V ac a IX dc)


Os boios eram a principal tribo que habitava aquela zona por volta do século V a.c, e a eles se deve o nome da Boêmia. Os boios foram expulsos pela tribo germânica dos marcomanos que permaneceram até o século I d.c. 

Entre os séculos V e VIII, a Boêmia foi ocupada pelos eslavos e, mais tarde, pelos ávaros.


II.2 - Dinastia Presmílida - Formação de um povo (séculos IX dc a XIII dc)



A partir de 800 d.c. a luta pela supremacia da região fez surgir a dinastia dos Presmílida. A cidade floresceu no século XIII, quando Venceslau I, rei da Boêmia, estabeleceu comunidades de colonos alemães, que contribuíram para o seu rápido desenvolvimento e para a construção da cidade antiga, que data de 1232, sendo já nesta altura um importante centro comercial.


II.3 - Consolidação do Reino - Florescimento Cultural (séculos XIII dc a XVI)



O reino da Boemia foi estabelecido formalmente em 1212 por meio da Bula de Ouro da Sicília, promulgada pelo imperador do Sacro Império Romano-Germânico Frederico II. Seu primeiro rei foi Otacar I da Boêmia, que pertencia à dinastia Presmilida.


No reinado de Carlos IV, Imperador do sacro-império romano, Praga atingiu seu apogeu sendo na época um cidade maior que Paris.

Carlos IV

Carlos IV rei da boêmia em 1346
Filho de João I da Boêmia, Carlos IV assumiu o trono da Boêmia em 1346. No mesmo ano, foi coroado também como Rei dos Romanos e em 1355 como Imperador do Sacro Império Romano Germânico.

Carlos IV inicialmente trabalhou para assegurar seu poder. A Boêmia tinha permanecido quase intocada pela peste negra. A cidade de Praga tornou-se a capital de Carlos IV e foi reconstruída inspirada em Paris. Carlos fundou a Cidade Nova de Praga e em 1348 a primeira Universidade da Europa Central que levava o nome da cidade.

Logo  Praga se tornou um centro intelectual e cultural da região. Além disso, Carlos IV mandou construir uma ponte de pedra sobre o rio Moldava que foi chamada de Ponte Carlos e é, até hoje, símbolo da cidade. A Ponte Carlos unia a Cidade Nova à Cidade Velha e ao Castelo de Praga. A cidade cresceu tanto que na época chegou a ter quarenta mil habitantes se tornando uma das cidades mais populosas da Europa.


O primeiro reitor tcheco da universidade de Praga foi o reformista Jan Hus que baseado nas idéias de John Wycliff pregava sobretudo uma ligação direta com Deus, independente da intermediação da Igreja. Foi condenado por heresia pela Igreja Católica e queimado na fogueira em 1415. Seguiu-se então em Praga, um período conturbado devido as reações dos seguidores de Jan Hus, denominados Hussitas. 

II.4 Dominação Germânica: Séculos XVI a XX (1918)


No século 16 após uma sucessão de reis fracos os Habsburgos tomaram o poder permanecendo por quase 400 anos.

Fazia parte do Reino da Boêmia os estados da Boêmia, Silésia e Morávia.

II.5 Período recente: > 1918


Em 1918 praga se tornou capital da República Independente de Tchecos e Eslovacos. 

Entretanto, com a II guerra Mundial, Praga veio a ser ocupada pelo exército alemão. Com o término da guerra, Praga passa a fazer parte do pacto de Varsóvia até que após a tentativa de liberalização em 1968 conhecida como "Primavera de Praga", que foi reprimida pelos soviéticos, sua autonomia foi conseguida em 1989 após a "Revolução do veludo". Em 1993 foi fundada a república Theca após a separação da Thecoeslováquia.

III - Resumo Histórico das grandes dinastias da Boêmia


Três grandes dinastias marcaram a história de Praga: Presmílida, Luxemburgo e Habsburgo.

a) Dinastia Presmílida: (século IX até 1306)


Durante o reino da dinastia local Přemysl, o estado tcheco foi adquirindo força gradualmente e conseguiu preservar a sua soberania, apesar da ligação de dependência ao Sagrado Império Romano.


quadro com a coroação do rei da Boêmia Vladislav
Coroação do Primeiro rei da Boêmia - Vladislav

(935-973) - Morte do príncipe Wenceslau, santo padroeiro da Boêmia 
(973-976) - Estabelecimento do bispado de Praga 
(1085-1212) - Vratislav tornou-se o primeiro príncipe da Boêmia a ter o direito de usar o título de rei.
(1212-1306) - Přemysl Otakar I recebe a "Bula de Ouro da Sicília", um decreto proclamando a Boêmia um reino e os príncipes da Boêmia reis hereditários. 
(1306)- Assassinato de Wenceslau III e a dinastia Přemysl acaba por falta de sucessores legítimos ao trono

b) Dinastia dos Luxemburgos


(1310-1346) Essa dinastia começou quando João de Luxemburgo foi eleito Rei da Boêmia.
(1346-1378) O reino da Boêmia atingiu o seu auge de poder e prestígio durante o reinado de Carlos IV o segundo dos Luxemburgos no trono da Boêmia
1344 Fundado o arcebispado de Praga e estabelecido a Universidade de Carlos em 1348 .
1345 Carlos IV foi coroado Imperador Romano em Roma


Carlos IV acompanhado de Bispo e outros em visita

c) A Dinastia dos Habsburgos (1526-1918)


quadro de Rudolf II
Os Habsburgos da Áustria sucederam ao trono da Boêmia quando a linha dos Jagelões desapareceu. O reino dos Habsburgos reintroduziu a fé Católica Romana, a centralização e a construção de um império multinacional. Os Habsburgos incluíram as Terras da Coroa da Boêmia na sua monarquia, as quais permaneceram parte do império Habsburgo até 1918. 

(1576-1611) - Quando Rudolf II (1576-1611), durante seu reinado, saiu de Viena e foi para Praga, a capital da Boêmia cresceu e tornou-se novamente um importante centro da cultura Européia. Os Estados Tchecos forçaram Rudolf II a emitir um decreto - o então chamado "Maiestatus" - proclamando a liberdade da profissão da fé religiosa.

Os imperadores Mathias e Ferdinand tentavam limitar esta liberdade e os seus esforços desencadearam uma guerra civil entre os Estados e o Imperador Católico, a qual se espalhou mais tarde pela Europa sob o nome de Guerra dos Trinta Anos. 

(1620~1918) - Os Estados tchecos foram vencidos em 1620 na Batalha da Montanha Branca e o Reino da Boêmia perdeu a sua independência nos quase 300 anos seguintes. O período da Guerra dos Trinta Anos trouxe desordem política e a devastação econômica para a Boêmia, tendo consequências duradouras no desenvolvimento futuro do país. O povo da Boêmia tinha que fazer a opção entre a fé Católica ou a emigração. O trono da Boêmia tornou-se hereditário para a dinastia Habsburgo e as repartições mais importantes foram permanentemente transferidas para Viena.


d) Fundação da Nação Moderna Tcheca

Embora o movimento tcheco do renascimento, no início, visava apenas a revitalização da língua e da cultura tchecas, o mesmo também logo começou a buscar uma emancipação política. No ano revolucionário de 1848, os políticos tchecos apresentaram a primeira proposta coerente com o propósito de reconstruir o império e torná-lo um estado federalista. O desejo de emancipação nacional foi sustentado pela industrialização rápida da Boêmia, a qual fez com que o país se tornasse o território mais desenvolvido da monarquia, na segunda metade do século 19.


IV - Influência religiosa:


São Cirilo e São Metódio

Em cerca de 863, esses dois irmãos gregos vindos de Tessalônica trouxeram o cristianismo para a Morávia. Eles logo batizaram o Premislida Borivoj e sua mulher Ludmila, avó de São Venceslau.

São Venceslau

gravura colorida de São Venceslau
O bondoso monarca da Boêmia, Vratislau, antes de morrer, deixou, como herdeiro do trono, seu filho Venceslau, nascido no ano 907, na atual República Checa. Com isso, despertou em sua mulher, Draomira, a ira e a vingança, pois era ela própria que desejava assumir o governo do país.  O seu outro filho, Boleslau,  tinha herdado o caráter e a falta de escrúpulos da mãe, enquanto Venceslau fora criado pela avó  Ludmila, que lhe ensinou os princípios de bondade cristã. Assim, Venceslau, acabou assassinado pelo irmão, de acordo com um plano diabólico da malvada rainha.

Mas antes que isso acontecesse, a mãe tomou à força o poder e começou uma grande e desumana perseguição aos cristãos. Como consequência, por sua maldade e impopularidade junto ao povo, foi deposta pelos representantes das províncias, que fizeram prevalecer a vontade do rei Vratislau, elevando ao trono seu filho Venceslau. Imediatamente, seguindo o conselho da avó, Venceslau levou de volta ao reino o cristianismo.

Venceslau era um obstáculo difícil, pois, em muito pouco tempo, já tinha conquistado a confiança, a graça e a simpatia do povo, que via nele um verdadeiro líder, um exemplo a ser seguido. Dedicava-se aos mais pobres, encarcerados, doentes, viúvas e órfãos, aos quais fazia questão de ajudar e levar palavras de fé, carinho e consolo.

A popularidade de Venceslau cresceu ainda mais quando, para evitar uma batalha com o duque Radislau, que se opunha ao seu governo cristão, propôs que, em vez de entrarem em guerra, duelassem entre si, evitando, assim, a morte da população inocente. Quem vencesse ficaria com o poder. No dia e na hora marcada, os adversários encontraram-se no campo de batalha.

No dia 28 de setembro de 935, durante a festa de batismo de seu sobrinho, enquanto todos festejavam, Venceslau retirou-se para a capela para rezar. Boleslau invadiu a capela e apunhalou o irmão no altar da igreja. 

O seu corpo foi sepultado na igreja de São Vito, em Praga. Desde então, passou a ser cultuado como santo. A Hungria, a Polônia e a Boêmia têm em são Venceslau seu protetor e padroeiro. Mais tarde, no século XVIII, a Igreja inscreveu são Venceslau no calendário litúrgico, marcando o dia 28 de setembro para a sua festa. 
(fonte: Edições Paulinas)

Santa Inês da Boêmia

Bastante devota, Inês, irmã de Venceslau I construiu um convento para a ordem das Clarissas. Ela foi canonizada em 1989

V - Organização da Cidade


Praga pode ser dividida em seis regiões: Castelo de Praga, Hradcany, Cidade Velha (Staré Mesto), Malá Strana, Cidade Nova, Bairro Judeu. 

V.1 - Castelo de Praga e Hradcany

A história de Praga se iniciou com a fundação de uma cidadela no século IX pelo príncipe Borivoj em uma posição elevada acima do rio Vltava. O Castelo como foi chamado tornou-se o centro das terras governadas pelos Premíslida. Dentro de suas muralhas havia um palácio, três igrejas e um mosteiro . Por volta de 1320, um povoado chamado Hradcany formou-se ao seu redor. Desde 1918 é a sede do governo da República. As principais construções dentro do castelo são: Catedral de São Vito, Basílica de São Jorge, Palácio Real, Palácio Lobkowicz, viela dourada




foto da praça em frente do castelo de Pragaconstrução antiga na Praça
Parada Militar na Praça prédio oficial da administração de Praga


Catedral de São Vito

A obra mais magnífica de Praga é a Catedral de São Vito. Ela se iniciou em 1345 por ordem de John de Luxemburgo e só foi terminada no século XX. A sua arquitetura é no estilo neo-gótico. O seu interior conta com várias relíquias e também é adornada com maravilhosos vitrais.


Fachada da catedral de sao vito Praga, Vitral da catedral de São Vito

teto abobadado e vitral no interior da catedral de São Vito

casa azul, pequena, onde viveu Kafka,  nas ruas ao redor do castelo
Casa onde viveu Kafka
interior da Catedral de São Vito com destaque para seu estilo gótico
Interior da Catedral de São Vito

V.2 - A Cidade Velha  


O coração de Praga é a cidade velha e em especial a sua praça central. Desde 1091 existem citações a um mercado na atual praça da cidade velha (Staromestske namesti). Casas e igrejas foram construídas em torno da praça criando um desenho tortuoso. Os pontos importantes são: A Prefeitura da cidade Velha, a Igreja de Nossa Senhora Diante de Tyn, palácio Kinsky, o relógio astronômico, e a casa storch.  



Praça principal de cidade velha onde tem muitos restaurantes
Praça principal da Cidade Velha (Staromestske namesti), foto HistoriacomGosto


Visão geral da praça vendo-se frontalmente a esquerda o Palácio Kinski e a direita a Igreja de Nossa Senhora diante de Tyn.



prédio com decoração art-noveau
Prédio com decoração art-noveau
relógio astronômico muito famoso de Praga
Relógio Astronômico
Outro prédio com arte nouveau com sua fachada desenhada
Prédio com decoação art noveau

 O relógio astronômico de Praga


O relógio astronômico de Praga foi construído em 1410 pelo relojoeiro Mikulas de Kadan e pelo professor de matemática e astronomia Jan Sindel. Ele é composto de três partes principais: O mostrador Astronômico, o mostrador calendário e a Procissão dos Apostólos;


famoso relógio astronômico de Praga com fundo azul
- No mostrador astronômico são representados a posição do Sol e da Lua no céu.
- No mostrador calendário temos a representação dos meses.
- A procissão dos apóstolos é realizada antes de cada mudança de horário e é composta  do movimento das doze estátuas, seis em cada janela lateral, finalizando com o cantar do galo.



A mudança de horário é um evento em que os turistas se juntam  em frente do prédio da prefeitura para observar a criatividade dos artesão da época.

V.3 - Malá Strana e a Ponte Carlos


Construída em 1357 por ordem do Rei Carlos IV, a ponte com o seu nome é uma das principais atrações turísticas de Praga. Ela liga a cidade velha à região de Mala Strana (bairro erguido no declive abaixo do castelo de Praga) e hoje é liberada somente para pedestres. A ponte tem um comprimento de 516 m e largura de quase 10 metros. A ponte se apoia sobre 16 arcos e  está decorada por 30 estátuas situada de ambos os lados.

Ponte Carlos ao entardecer
    Ponte Carlos, foto de fotolia

Partes mais simbólicas:

Crucifixo: Por 200 anos, a cruz de madeira foi o único adorno da ponte. O cristo é de 1629.

Santa Lutgarda, 1710:  Essa estátua foi esculpida por Matthias Braun quando ele tinha 26 anos. Baseia-se na célebre história da freira cisterciense que era cega e voltou a enxergar quando Jesus apareceu e ela beijou suas feridas. 

multidão atravessando a ponte carlos praga ponte carlos vista do rio, onde se vêem as várias estátuas

escultura religiosa  pessoa sentada soprando um instrumento de madeira comprido parecendo um oboé grande ou berro

portal que atravessa a cidade veha


V.4 - Cidade Nova


Fundada em 1348 pelo imperador Carlos IV, a cidade nova (nové mésto) foi cuidadosamente planejada e construída em torno de três grandes mercados centrais:o Mercado de forragem, o mercado de gado e o mercado cavalos. Sendo a sua área o dobro da cidade velha, ela logo foi habitada por comerciantes e artesãos. No final do século 19 ela foi quase toda demolida e reconstruída, ganhando a aparência atual. Pontos importantes: Museu Nacional, Ópera estatal, praça Venceslau, Hotel Europa. Igreja de Nossa Senhora das Neves, Teatro Nacional.


Praça São Venceslau na cidade nova onde ocorrem as manifestações ppulares como a Primavera de Praga
         Praça São Venceslau - Principal local das manifestações populares da "Primavera de Praga"


Hotel Europa famoso e bem central         Hotel Europa Bonito prédio do teatro Nacional e Ópera de Praga coma fachada da entrada com um arco grande com uma bela pintura        Teatro Nacional
Praça de São Venceslau à noite com foco na estátua de São Venceslau montado à cavalo      Praça e estátua de São Venceslau    Prédio do Museu Nacional            Museu Nacional

V.5 - Detalhes das construções de Praga


Uma dos grandes atrativos de Praga é a riqueza de detalhes nas casas antigas, vitrines de estabelecimentos comerciais e mesmo indicação de lugares públicos. A seguir colocamos alguns exemplos.



Teatro de Marionetes loja de brinquedos



escultura da cabeça de um caçador com boné também parecendo com Shrelock Holmes


VI - Os judeus na sociedade de Praga


Na idade média, duas comunidades judaicas viviam na Cidade Velha: Os judeus vindo do ocidente ocupavam a área ao redor da Sinagoga Velha-Nova, e os do Império Bizantino ficavam perto da Sinagoga Velha (a atual Sinagoga Espanhola). Os grupos acabaram fundindo-se e foram confinados num gueto. Por séculos os judeus de Praga sofreram a opressão das leis - no século 16, por exemplo, tiveram de exibir um círculo amarelo como marca de vergonha. O reinado mais esclarecido de Rodolfo II viu o prefeito judeu Mordechai Maisel ser escolhido como conselheiro financeiro.

Sinagoga de Praga, os judeus eram numerosos na cidade           placas douradas colocadas nas calçadas com os nomes das pessoas (judeus/judias) que viveram no local




















Em 1850, a área foi oficialmente incorporada a Praga. Na década de 1890, as autoridades decidiram destruir o gueto, pois a falta de saneamento ameaçava a saúde pública. Contudo foram poupados a Prefeitura, diversas sinagogas e o velho cemitério judaico.  fonte (guia visual de Praga)

VII - A literatura de Kafka.


fotografia preto e branco de Franz Kafka de paletó quando ainda era jovem adulto
De natureza judia, Kafka viveu na época (1883~1924), em que os tchecos e judeus se dividiam nos grupos que falavam alemão devido a influencia da dinastia Habsburg, e os nativos que preservavam o seu idioma tcheco.


Kafka estudou direito e trabalhou em uma companhia de seguros começando a escrever no seu tempo livre. Poucos trabalhos seus foram publicados enquanto ele estava vivo e os seus romances mais famosos como O Processo, O Castelo, e Metamorfose somente foram conhecidos porque o seu amigo Max Brod ignorou o seu desejo de ter seus manuscritos destruídos e os publicou. 


O termos Kafkiano tornou-se símbolo de algo complicado, labiríntico e surreal como as situações encontradas em sua obra. 


VIII - A Primavera de Praga


A primavera de praga foi um movimento político liderado por intelectuais do Partido Comunista Tcheco com o objetivo de promover uma abertura na estrutura política, econômica e social no regime imposto pela União Soviética. O Movimento iniciou-se em janeiro de 1968 com a chegado ao poder do reformista Alexander Dubcek. O seu objetivo era fazer uma revisão da Constituição ampliando as liberdades e os direitos civis dos cidadãos. Ela abrangia no aspecto político o fim do monopólio do partido comunista e a livre organização partidária. Por fim a liberdade de imprensa, poder judiciário independente e a tolerância religiosa complementavam as propostas de Dubcek logo encampadas pela maioria da população. 

No mês de junho, um texto de “Duas Mil Palavras” saiu publicado na Liternární Listy (Gazeta Literária), escrito por Ludvík Vaculík e assinado por personalidades de todos sectores sociais, pedindo a Dubcek que acelerasse o processo de abertura política.


foto do evento primavera de Praga mostrando tanques soviéticos passando na cidade enquanto um homem de paletó e pasta de trabalho aguarda para atravessar a rua
© Vldimir Lammer, Wenceslas Square, Prague, 1968


A União Soviética, temendo a influência que uma Tchecoslováquia democrática e socialista, independente da influência soviética e com garantias de liberdades à sociedade, pudesse passar às nações socialistas e às "democracias populares", mandou tanques do Pacto de Varsóvia invadirem a capital Praga em 21 de Agosto de 1968. Dubcek foi detido por soldados soviéticos e levado a Moscou. Na cidade de Praga a população reagiu à invasão soviética de forma não violenta, desnorteando as tropas. De certa forma, a população se inspirou em um livro picaresco muito popular, "O valente soldado Chveik", onde o personagem usava de travessurar para expulsar as tropas invasoras. 

(Fonte: Wikipedia - Primavera de Praga)

IX - Devoção Religiosa - Menino Jesus de Praga


Fernando II, imperador da Alemanha, para expressar sua gratidão a Nosso Senhor pela insigne vitória alcançada em uma batalha, construiu em 1620, na cidade de Praga, um convento de Padres Carmelitas. A Boêmia passava por momentos muito difíceis, assolada por guerras sangrentas. A cidade de Praga era vítima das mais indizíveis calamidades. Neste contexto, chegam estes excelentes religiosos, cujo mosteiro carecia até do indispensável para sua sobrevivência. Nessa época, vivia em Praga a piedosa princesa Policena Lobkowitz. Sofrendo na alma as prementes necessidades dos Carmelitas, presenteou-lhes com uma pequena estátua de cera, de 48 cm., que representava um formoso Menino Deus, de pé, com a mão direita erguida em atitude de bênção. A mão esquerda segurava um globo dourado. Seu rosto era muito amável e gracioso. A túnica e o manto tinham sido confeccionados pela própria princesa. Esta, ao dar a estátua aos religiosos carmelitas, disse-lhes: "Meus padres, entrego-lhes o maior tesouro que possuo neste mundo. Prestem muitas honras a este Menino Jesus e nada lhes faltará." 

Altar no interior da Igreja com a imagem do Menino Jesus de Praga
Os Carmelitas, muito agradecidos, receberam a estátua. Colocaram-na no oratório interno do convento, passando a ser venerada por aqueles bons religiosos, especialmente pelo Padre Cirilo. Sem dúvida, este homem poderia receber o título de "Apóstolo do Divino Menino Jesus de Praga". Em 1637, após sete anos de desolação, o Padre Cirilo retornou a Praga. A Boêmia, cercada de inimigos por todas os lados, corria o risco de sucumbir e, quem sabe, até de perder o dom inestimável da fé. Em meio a tais agruras, enquanto o Padre Guardião exortava aos religiosos para que insistissem junto a Deus para colocar fim a tantos males, o Padre Cirilo aproveita para falar-lhe da inesquecível imagem do Divino Menino. Obtém licença para buscá-la e a encontra, finalmente, entre os escombros detrás do altar. Limpou-a e a cobriu de beijos e lágrimas. Estando ainda intacto o rosto da imagem, ele a expôs no coro para que os religiosos a venerassem. Estes, confiantes em sua proteção, se ajoelharam diante do Divino Infante, implorando para que fosse seu refúgio, fortaleza e amparo em todos os sentidos. A partir do momento em que a imagem foi colocada em seu lugar de honra, o inimigo bateu em retirada e o convento foi reabastecido de tudo que os religiosos necessitavam. Certo dia, o Pe. Cirilo orava diante da imagem, quando ouviu claramente estas palavras: "Tende piedade de mim e eu terei piedade de Vós. Devolvei minhas mãos e eu vos devolverei a paz. Quanto mais me honrardes, tanto mais vos abençoarei". A situação melhorou consideravelmente, mas como a imagem continuava no mesmo estado, o Pe. Cirilo não se cansava de se lamentar diante de seu generoso protetor, quando ouviu de seus divinos lábios estas palavras: "Coloca-me na entrada da sacristia e encontrarás quem se compadeça de mim". Com efeito, apareceu um desconhecido que, notando o belo Menino desprovido de mãos, ofereceu-se espontaneamente para colocá-las, não demorando a ser recompensado: em poucos dias ganhou uma causa quase perdida, com a qual salvou sua honra e sua fortuna. 

escultura em relevo na fachada / alto da porta de entrada com a imagem do Menino Jesus de Praga
Contentaram-se em colocar a imagem na Capela exterior, sobre o altar-mor, até 1642, quando a princesa Lobkowitz mandou construir um novo santuário, inaugurado em 1644, no dia da festa do Santíssimo Nome de Jesus. Vinham pessoas de todas as partes para prostrar-se diante do milagroso Menino: pobres, ricos, enfermos, toda espécie de pessoas referiam-se a Ele como remédio para todas as suas tribulações. Em 1655, o Conde Martinitz, Grão Marquês da Boêmia, brindou a imagem com uma preciosa coroa de ouro cravejada de pérolas e diamantes. O Reverendo D. José de Corte colocou-a no Menino em uma solene cerimônia de coroação. Graças e maravilhas incontáveis atribuídas ao "pequeno Grande" (assim chamam na Alemanha o Menino Jesus de Praga), divulgaram-se nas regiões mais longínquas, o que fez seu culto se espalhar até os nossos dias de uma maneira prodigiosa. 

Texto retirado de https://webcatolicodejavier.org/portugues/origenninoport.html 

X. Referências

wikipedia  - Praga / Primavera de Praga  / Franz Kafka


segunda-feira, 29 de julho de 2013

História de São Luís, o Sonho da França Equinocial no Brasil

1 - Portugueses, Franceses e a fundação de São Luís


Desde a época das capitanias hereditárias, várias expedições foram enviadas ao Maranhão para tomar  posse da área. A capitania do Maranhão, que era talvez a maior de todas, foi entregue ao nobre e rico português João de Barros. A primeira expedição enviada em 1535 constava de dez navios, 900 homens e cento e treze cavalos. O naufrágio de algumas caravelas ao se aproximar da ilha inviabilizou a expedição. A segunda tentativa se deu em 1554 com três navios e doze caravelas que também naufragaram nas proximidades da ilha. Expedições por terra foram tentadas mas esbarraram na resistência dos índios. Assim essa região do país ficou muito tempo sem a colonização portuguesa.


historia de sao luis - vista da cidade
Vista da área da cidade a partir do primeiro forte,  hoje  Palácio do Governo, foto historiacomgosto


Os franceses, por outras rotas, estabeleceram em 1594, um posto de comércio de madeiras, na localização chamada pelos indígenas de "Upaon-Açu". Inconformados com o seu alijamento do comercio internacional, em 1612 os franceses sonharam em criar uma França nos trópicos. O projeto se chamava "França Equinocial". Em três navios trouxeram 500 homens em missão comandada por "Daniel de La Touche".  Junto com a missão vieram os padres capuchinhos frei Ambrosio D'Amiens, frei Ivo D'Evreux, frei Arsênio de Paris, e o frei Claude D'Abbevile. Chegaram, aportaram e criaram um forte, onde hoje é o Palácio dos Leões, além de cerca de 40 casas. Ao forte deram o nome de "Saint Louis", uma homenagem ao Rei da França. Na mesma data em que deram nome ao forte, rezaram a primeira missa, 08 de janeiro de 1612.  O certo é que esse projeto durou apenas 01 ano e  alguns meses. Ao saber da chegada dessa comitiva e da intenção dos franceses, os portugueses mais que depressa se prepararam para não ceder a hegemonia na área que haviam conquistado. 

2. - Portugueses e Espanhois unidos na Reconquista da Terra



Brasão do Reino Unido

Após a morte do rei de Portugal, Dom Sebastião, sem deixar herdeiros, em 1580, o rei da Espanha, Dom Felipe II, filho do Imperador do sacro Império Germãnico e Rei das Espanhas, Carlos V de Habsburgo e de Isabel de Portugal, reivindicou  o trono e uniu  os dois reinos,  criando um verdadeiro império ultra-marino. Foi nesse ambiente que o reino unido de Espanha e Portugal recebeu a informação da invasão da França no norte do País.


Como a Espanha não queria nenhum estrangeiro na região norte, evitando que tivessem acesso ao seu fornecimento de ouro na região do Peru, apoiou a solicitação de Portugal e juntos enviaram um grupo militar de 400 homens comandados por Alexandre Moura. Este, acompanhado de índios amigos, provenientes da região de pernambuco, chegou por terra a uma região denominada  Baía de Guaxenduba, onde  construíram um forte e prepararam o ataque.  Os franceses ficaram sabendo com antecedência, e junto com seus aliados os índios tupinambás, tentaram atacar primeiro, mas foram surpreendidos e derrotados no que ficou conhecido com a Batalha de Guaxenduba.  

Vencida a baralha em 1615, em uma negociação com os portugueses, os franceses que ficaram no forte, se renderam e se retiraram para a França. Ficaram habitando na região aqueles que haviam se casado com índias. O  português Jerônimo de Albuquerque ficou com a missão de organizar a formação da cidade. Foram  criadas as câmaras  com juízes, vereadores, e um procurador. O engenheiro Francisco Frias, engenheiro mor do Brasil na época, também participou da conquista de São Luís e fez o  planejamento da cidade com ruas retas e  com as características regulares das cidades espanholas da época.

Obs: Ainda hoje muita discussão é realizada sobre o que se deveria considerar como a fundação da cidade: A data da construção do forte e das primeiras casas pelos franceses ou a data da constituição da câmara com juízes,  planejamento urbano, ...,. De qualquer modo, a colonização inicial foi lenta e a exemplo de todos os lugares, prevalece a tese da fundação realizada pelos primeiros ocupantes, no caso os franceses. Culturalmente, toda influencia em São Luís é portuguesa, não podendo ser de outra maneira, dado ao período mínimo de permanência dos outros povos.

Colonização


Para desenvolver a colonização o governo português incentivou a imigração de açorianos  para a área do Maranhão em 1620, a exemplo do que já havia acontecido na região de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Como em todas outras áreas, os colonos logo tentaram a plantação de cana para a produção de açúcar. Os índios foram utilizados como mão de obra mas a produção foi pequena durante todo o séc. XVII. 

Invasão Holandesa


Em 1641, os holandeses de Maurício de Nassau, que já comandavam Pernambuco, invadiram a cidade. Chegaram pelo porto do Desterro, saquearam a igreja e só foram vencidos três anos depois. Preocupado com o isolamento geográfico e os constantes ataques à região, o governo colonial decidiu então fundar o Estado do Maranhão e Grão Pará, independente do resto do país e reforçar a presença administrativa.

3. - A divisão do Brasil


Com um território tão vasto para administrar e reconhecendo as dificuldades de comunicação e integração da época entre o governo geral do Brasil em Salvador com a região norte, Portugal decide em 1621, dividir o Brasil em duas regiões; O estado do Brasil e o estado do Maranhão que abrangia toda a região norte acima da capitania Maranhense. São Luís foi eleita como a melhor localização para sediar a capital do estado. Em 1645 o estado passou a ser estado do Maranhão e Grão Pará. Em 1751 a capital dos dois estados mudou brevemente para Belém. Em 1772 a Coroa passou a ter os estados do Grão Pará e Rio Negro, Maranhão e Piauí, e Brasil. Somente em 1811 o Brasil passa a ser um estado colonial unificado  com os demais.

4 - Ordens Religiosas e Igrejas em São Luís


4.1 Capuchinhos


Os primeiros padres a virem para São Luís foram os frades da ordem dos Capuchinhos que vieram juntos com os franceses em 1612. A Ordem dos frades menores capuchinhos é um movimento franciscano reformista iniciado em 1525 na Itália. Inicialmente eles foram considerados apóstatas pelo documento papal de 1526 mas logo depois receberam autorização para viverem de forma eremítica nos arredores de Camerino. 


4.2 Jesuítas



historia de são luís
Os jesuítas vieram para o  Brasil  acompanhando o Governador geral Tomé de Souza em 1539. Os padres jesuítas Manoel da Nóbrega e Padre José de Anchieta, logo se destacaram pela sua tenacidade na defesa dos índios, na catequese dos índios e na fundação de escolas e seminários em todo o país. Em São Luís, Os jesuítas chegaram junto com a força luso-espanhola que reconquistou a cidade em 1615. OS padres Manuel Gomes e Diogo Nunes ficaram na região por dois anos e meio realizando trabalhos de evangelização mas sem formar missão. Somente em 1622 Luiz Figueira e Benedito Amodei, chegam  a São Luís para fixar residência. No início eles encontraram bastante resistência dos colonos que tinham receio que as práticas jesuítas em favor dos índios dificultasse a escravização dos índios para as suas iniciativas de colonização. Nesse mesmo ano o colégio e a igreja da Companhia de Jesus foi erguida sobre a ermida construída por capuchinhos franceses. 

Missões - Em 1636, os jesuítas iniciaram suas tentativas de instalação de missão na região do Grão Pará. Entretanto, apenas em 1643 um grupo de 11 missionários partiu para empreender a tarefa, mas ainda sem lograr exito. Somente em 1652 a Missão do Maranhão foi reativada com o envio do Padre Antonio Vieira que se encontrava em Portugal. A vinda do Padre Antonio Vieira revitalizou o projeto das Missões da Companhia na região norte.

Padre Antonio Vieira  - Um dos mais brilhantes oradores do Brasil, o padre Antonio Vieira nasceu em Portugal em 1608 e veio para o Brasil ainda criança em 1614. Ingressou na companhia de jesus como noviço em maio de 1623 e ordenou-se sacerdote em 1634, após ter estudado Teologia, Metafísica, Lógica e Matemática além de obter um mestrado em Artes e ter ensinado Retórica em Olinda. Defensor fervoroso dos índios e dos judeus, caiu em desgraça com a instalação da inquisição. Retornou a Portugal em 1641 e após uma vitoriosa carreira diplomática voltou ao Brasil no período de 1652 a 1661, dessa vez como missionário no Maranhão e Grão Pará. Em 1654 proferiu em São Luís o famoso "Sermão de Santo Antonio aos Peixes". Padre Antonio Vieira, Padre Manuel da Nóbrega e Padre José de Anchieta são os mais célebres jesuítas na história do Brasil. Conhecidos por suas posições na defesa dos índios, Padre Antônio Vieira dos três se sobressai no campo literário, pois a sua relevância para a prosa portuguesa se equipara a de Camões para o verso. 

     4.2.1 - Igreja do Desterro

igreja do desterro - São Luís
Igreja do Desterro
A Igreja mais antiga de São Luís é a Igreja do Desterro.  A sua primeira construção foi realizada em  1618 a partir de uma antiga ermida dos primeiros tempos de colonização. 

Quando houve a invasão holandesa em 1641, a igreja foi saqueada pelo exército comandado por Koin Anderson, que levou peças sacras de ouro e prata. A igreja foi então reconstruída

Em 1832 após a igreja cair por terra mais uma vez, o negro José Lé decide reconstruí-la com seus próprios recursos. Ele foi ajudado por doações de moradores.


A Igreja do Desterro é uma das poucas no Brasil a ainda ter traços da arquitetura bizantina. O seu interior abriga um pequeno museu de artes sacras. Como ela está novamente passando por reformas, não está sendo permitida visitas.  


4.2.2 - Igreja de Santo Antônio


Quando chegaram os primeiros frades capuchinhos franceses em 1612, eles construíram o convento de São Francisco. Nesse lugar, em 1624 foi construída uma capela pelo frade franciscano Frei Cristovão de Lisboa, que vindo de Pernambuco encontrou em ruínas o antigo convento. Foi nessa capela que o Padre Antonio Vieira fazia as suas pregações e aqui ele proclamou o celebre sermão dos peixes. Quando a Igreja de Santo Antonio foi construída os franciscanos doaram a capela a irmandade de Bom Jesus dos Navegantes. Ela tem o estilo Manuelino com duas torres pequenas. Posteriormente, os Jesuítas ergueram no local o convento de Santo Antonio.

igreja de Santo Antonio - São Luís
Igreja de Santo Antônio - Mês de Junho

historia de são luis - imagem de Santo Antônio
Imagem de Sto. Antônio

4.2.3 - A Igreja da Sé / Catedral de São Luís 


Entre 1619 e 1622 foi construída pelo capitão Diogo Machado de Carvalho a pequena Igreja de Nossa Senhora da Vitória, em homenagem a proteção de Nossa Senhora na batalha de Guaxenduba, onde os portugueses derrotaram os franceses. Quase setenta anos depois, os jesuítas iniciaram a construção em local próximo, da Igreja e do Colégio de Nossa Senhora da Luz. O projeto da Igreja foi feito pelo Padre Luxemburgês Felipe Bertendorf e aprovado por Roma. A Igreja foi consruída com mão do obra indígena e concluída em 1699.  Em 1761, após a expulsão dos jesuítas do Brasil, ficou determinado os seus bens passariam para a Fazenda Nacional, e que o colégio e a Igreja seriam transformados no Paço Episcopal e Catedral de São Luís. A antiga  igreja construída por Diogo de Carvalho estava então bastante deteriorada e foi demolida em 1763. A nova Igreja passou também a ser conhecida como Igreja da Sé e Igreja de Nossa Senhora da Vitória. 

igreja da Sé - São Luís
Igreja da Sé e Palácio Episcopal, foto historiacomgosto

4.3 Carmelitas


Os primeiros frades carmelitas  vieram para o Brasil em 1580, acompanhando a expedição de Frutuoso Barbosa que tinha como objetivo fundar uma colonia  na Capitania da Paraíba. A tentativa de colonização fracassou devido a fortes tempestades que dispersaram os navios. Frutuoso Barbosa voltou para Portugal mas os frades carmelitas ficaram em Olinda onde três anos depois já iniciavam a fundação de conventos. Os frades carmelitas frei Cosme da Anunciação e frei  André da Natividade chegaram a São Luís também em 1615 acompanhando a força portuguesa para a luta contra os franceses. Com a vitória dos portugueses eles receberam um terreno onde em 1616 fundaram o primeiro convento. Em 1627 é decidida a construção do novo convento no mesmo onde está atualmente. Outros conventos fundados pela ordem no norte foram os de Belém do Pará(1624), Gurupá (1639) e  Alcântara (1647). Desde 1894 o convento de São Luís é administrado pelos frades capuchinhos. 

 4.3.1 - Igreja do Carmo

igreja do carmo - São Luís
Igreja do Carmo

Foi construída pela Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos em 1627. Foi comprada pelos padres capuchinhos em 1894. Foi marco histórico da luta contra os holandeses e é parte integrante do Convento do Carmo.



4.4 - Igreja de Nossa Senhora dos Remédios


Atualmente uma das mais bonitas e conservadas Igreja de São Luís, a Igreja dos Remédios foi construída em 1719 inicialmente como uma pequena capela. Em 1775 a igreja foi melhorada e passou ao longo do tempo por várias reformas. A sua construção atual é de 1860 e segue o estilo gótico estilizado.



4.5 - Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

Construída por iniciativa da irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com a ajuda de devotos de toda parte.




 Em 1772 a igreja foi restaurada, e mais tarde seu altar-mor recebeu a imagem de sua santa padroeira. Suas paredes laterais são revestidas por azulejos que formam belíssimos painéis.

Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos

5 - Influência Portuguesa na arquitetura colonial


Como os franceses ficaram apenas três anos em São Luís, foi dos portugueses que a cidade herdou toda a sua herança cultural. O casario colonial retrata o auge vivido pela cidade no período do século XVIII ao século XIX, quando São Luís era uma das cidades mais importantes do país e um grande exportador de algodão e açúcar. 

Colonizadores portugueses e seus descendentes reproduziam nos solares e casarões o estilo arquitetônico colonial europeu. Na cidade dos azulejos, como São Luís também é conhecida, os colonizadores utilizaram o revestimento nas fachadas, como forma de amenizar o calor e evitar a umidade. Uma idéia funcional que também agregou charme e beleza, e se tornou marca característica das construções coloniais maranhenses.


casaario antigo - história de São Luís
Escadaria maranhense, foto historiacomgosto


A área de casarões históricos de São Luís ocupa 250 hectares e envolve três mil e quinhentas construções. A beleza e a importância histórica deste acervo arquitetônico foram reconhecidas em 1997, pela Organização das Nações Unidas para a Educação e Cultura (UNESCO), que concedeu à cidade o título de Patrimônio Cultural da Humanidade.



No Centro Histórico de São Luís, encontra-se  84 tipos de azulejos entre novos e antigos e de origem portuguesa, francesa, alemã e inglesa. Foram também mapeados azulejos antigos que revestem fachadas, interiores de alguns imóveis e outros independentes.


casario antigo - historia de São Luís


6 - A Independência do Brasil


A independência do Brasil teve o grande mérito de manter o país unido entretanto ao contrário do que parece a adesão de todas as províncias não foi imediata e sem resistência. No caso particular das províncias do norte, Maranhão, Piauí e Grão Pará, a relação direta dessas regiões com o governo português e a presença mais independente dos colonizadores portugueses fez com que inicialmente essas regiões se recusassem a reconhecer a independência e se mantivessem fiel à coroa. 

Entretanto, enquanto os partidários de Portugal contavam com reforços militares enviados de Lisboa, o império contava com ajuda da Inglaterra para o fornecimento de armamentos, empréstimos em dinheiro e fornecimento de militares experientes como o Lord Cochrane. 

A Junta de Governo de São Luís recu­sou-se a reconhecer o Império e mobilizou as tropas lusas estacionadas na província. A ação dos populares mara­nhenses e a chegada de Cochrane abateram o ânimo dos portugueses e a província se integrou ao Império, em 26 de julho de 1823.

7 - Os Ciclos de desenvolvimento de São Luís


No início de sua colonização, São Luís enfrentou a baixa produtividade da mão de obra indígena na lavoura de cana de açúcar e no trabalho do engenho. Esse fator aliado a distância dos maiores produtores como Pernambuco, Bahia e São Paulo fez com que São Luís ficasse por um tempo afastado das grandes rotas comerciais.

A criação da Companhia de Comércio do Estado do Maranhão, em 1682, integrou a região ao grande sistema comercial mantido por Portugal. As plantações de cana, cacau e tabaco eram agora voltadas para exportação, tornando viável a compra de escravos africanos. A Companhia, de gestão privada, passou a administrar os negócios na região em substituição à Câmara Municipal. O alto preço fixado para produtos importados e discordâncias quanto ao modelo de produção, geraram conflitos nas elites que culminaram na Revolta de Beckman, considerada a primeira insurreição da colônia contra Portugal. O movimento foi prontamente reprimido pelas forças governistas. 

Entre o  final do século XVIII e meados do século XIX, São Luís viveu um período de grande ebulição na produção algodoeira causado pela quebra de produção americana devido à guerra   civil que dividia o páis, e ao aumento da demanda por parte da indústria textil inglesa. 

No século XIX São Luís havia se tornado a quarta maior cidade do brasil e abrigava a terceira maior população negra do país.

Com o fim da guerra americana e o arrefecimento do consumo europeu de algodão, São Luís entrou em um período de decadência que duraria até meados do século XX, quando a sua vocação portuária começaria novamente a alavancar a economia da região. A construção do Porto de Itaqui foi  então o grande diferencial de São Luís.

São Luís responde por metade do Produto interno Bruto do território da Estrada de Ferro Carajás. Em 2004, quando o PIB dessa região somou R$ 11 bilhões 540 milhões, a cidade participou com R$ 5,8 bilhões. O valor correspondia a 50,4 % do PIB do território da Estrada de ferro Carajás. Exportações de minério e ferro gusa, serviços associados, comércio e administração pública são as atividades econômicas mais importantes da capital. (fonte: Fundação Vale)


 Setores da Economia no PIB    1999                      2004

Agropecuária 0,4% 0,2%
Indústria 37,2% 41,2%
Serviços 48,6% 44,2%
Administração Pública 13,8% 14,4%

8 - São Luís atual


Palácio dos Leões - sede do Governo do Estado
Sede da Prefeitura

8.1 - Centro


Ponte que liga a ilha ao continente vista da igreja dos Remédios


8.2 - As Praias de São Luís


As praias de São luís são caracterizadas por uma grande variação entre a maré baixa e maré alta, produzindo imensas faixas de areia no litoral. As praias urbanas são as de São Marcos, Calhau e Olho d'água;


Praia de São Marcos, foto historiacomgosto



Praia de Olho Dágua, foto historiacomgosto


9 - Folclore Maranhense e Patrimônio Cultural


São Luís mantém no seu folclore toda a herança cultural do período colonial, retratando as relações entre patrões e escravos, cultos africanos proibidos, mitos indígenas, ...,. Associado a tudo isso temos também uma terra rica de escritores como Gonçalves Dias, Graça Aranha e outros. Mais recentemente a tradição musical do Reggae, vinda das terras jamaicanas,  encontrou em São Luís a sua sede no Brasil. É de São Luís o famoso conjunto Tribo de Jah.


9.1 - Tambor de Crioula

Dança de origem africana em homenagem a São Benedito. A animação é feita com uma toada puxada por um dos homens e com o resto dos participantes fazendo o coro. 

Tambor de Crioula
O canto é livre e a base de improvisos simples. A música é marcada pelo som dos tambores que são bastante rústicos. A coreografia é baseada em uma roda com o convite e a entrada de uma ou  duas das mulheres ao  centro para fazer a evolução.  As mulheres usam saia rodada de estampa colorida e os homens calça escura e camisa estampada. 


9.2 - Cacuriá 


O Cacuriá é uma dança típica do maranhão e bastante difundida nas festas juninas. A dança é feita em pares com formação em círculo. Inicialmente a música era feita apenas com tambores, mas hoje apresenta violão, banjo e flautas. A dança dos pares é uma dança sensual derivada do carimbó. O grupo mais famoso é o Cacuriá de Dona Tetê, que é considerada a criadora do ritmo.
Cacuriá

9.3 - Bumba meu Boi

O enredo  do Bumba-meu-Boi se baseia em uma história envolvendo um Coronel, um casal  de escravos, e mitos indígenas. 
Numa fazenda de gado, o escravo Pai Francisco mata um boi de estimação de seu senhor para satisfazer o desejo de sua esposa grávida, Mãe Catarina, que quer comer língua. Quando descobre o sumiço do animal, o senhor fica furioso e, após investigar entre seus escravos e índios, descobre o autor do crime e obriga Pai Francisco a trazer o boi de volta. Curandeiros são convocados para salvar o boi e, quando este ressuscita urrando, o escravo é perdoado e  todos participam de uma enorme festa para comemorar o milagre.

Grupo de Bumba meu Boi


10 - Dicas Úteis


10.1 - Como ir

A Gol e a Tam levam de São Paulo e Rio de Janeiro em vôos diretos com duração de 3 horas e 30 min. 

10.2 - Onde ficar

São Luís tem excelentes hotéis nos mais variados padrões. A escolha normalmente gira em torno de hotéis na região da Praia de São Marcos, ou existe ainda opção no centro próximo a catedral da Sé. 

10.3 - Onde comer

SENAC - No centro recomendamos o restaurante do SENAC que tem boa qualidade e bom preço;

Cabana do Sol - Avenida Litorânea. Ambiente grande, e bem frequentado, a Cabana do Sol tem como carro chefe os pratos de carne de sol. Eles podem ser baseados em filé, picanha ou alcatra. São bem servido e servem até quatro pessoas embora o sabor perca um pouco da tipicidade da carne de sol nordestina. 

10.4 - O que fazer

Locais de visitação:

a) Centro histórico
b) Igreja da Sé, Igreja do Carmo, Igreja de Nsa. Sra dos Remédios, Convento das Mercês.
c) Teatro Municipal
d) Palácio do Governo 
e) Praias de Olho dágua


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