quinta-feira, 18 de abril de 2019

Fé e Arte, Ciclo C - Sexta-feira Santa - Quadros de Mantegna

1. - Evangelho


Anúncio da Paixão de Cristo (Jo 18,1–19,42)
Narrador 1: Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo João.
Naquele tempo, 1Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. 2Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. 3Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. 4Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse:
Pres.: “A quem procurais?”
.......
Pres.: “Tudo está consumado”.
Narrador 1: E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.
Narrador 2: 31Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. 32Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. 33Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; 34mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.
Ass.: 35Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro;
Narrador 2: e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. 36Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz:
Ass.: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”.
Narrador 2: 37E outra Escritura ainda diz:
Ass.: “Olharão para aquele que transpassaram”.
Narrador 1: 38Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus — mas às escondidas, por medo dos judeus —, pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. 39Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido de noite encontrar-se com Jesus. Trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. 40Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar.
Narrador 2: 41No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. 42Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus.

2. - Dois quadros de Mantegna


A Crucificação

A Crucificação é um painel na parte central de um grande retábulo pintado por Andrea Mantegna entre 1457 e 1459 para o altar-mor de San Zeno, Verona (Itália ). Foi encomendado por Gregorio Correr , o abade desse mosteiro.



  quadro A Crucificação de Mantegna
Crucificação, Mantegna, 1457 a 1459


Lamentação sobre o Cristo Morto


A Lamentação de Cristo  é uma pintura de cerca de 1480 pelo artista italiano do Renascimento Andrea Mantegna . Enquanto a datação da peça é debatida, foi concluída entre 1475 e 1501, provavelmente no início dos anos 1480.  Ele retrata o corpo de Cristo em uma laje de mármore . Ele é vigiado pela Virgem Maria e São João e Santa Maria Madalena chorando por sua morte.

O tema da Lamentação de Cristo é comum na arte medieval e renascentista , embora este tratamento, que remonta a um assunto conhecido como a Unção de Cristo, seja incomum para o período. A maioria das Lamentações mostra muito mais contato entre os enlutados e o corpo. Ricos contrastes de luz e sombra abundam, infundidos por um profundo senso de pathos .

O realismo e a tragédia da cena são reforçados pela perspectiva violenta , que escorça e dramatiza a figura reclinada, enfatizando os detalhes anatômicos: em particular, o tórax de Cristo. Os buracos nas mãos e nos pés de Cristo, assim como os rostos dos dois enlutados, são retratados sem qualquer concessão ao idealismo ou à retórica . A cortina acentuadamente desenhada que cobre o cadáver contribui para o efeito dramático. 


 quadro A Lamentação sobre o Cristo Morto - Mantegna
Lamentação sobre o Cristo Morto, Mantegna, 1480


Mantegna apresentou um estudo angustiante de um cadáver fortemente escoriado e uma descrição intensamente comovente de uma tragédia bíblica. Esta pintura é um dos muitos exemplos do domínio da perspectiva do artista . À primeira vista, a pintura parece exibir uma perspectiva exata. No entanto, um exame minucioso revela que Mantegna reduziu o tamanho dos pés da figura, que, como ele deve saber, cobriria grande parte do corpo, se devidamente representado.


3. - Reflexão sobre a Lamentação do Senhor Morto - Daniela Zsupan


"O Cristo Morto de Andrea Mantegna nos convida a contemplar o corpo partido de Cristo e a ficar de pé a seus pés enquanto seu corpo é preparado para o sepultamento. Contemplar essa imagem é uma experiência intensa. Vemos os buracos nas mãos e pés de Jesus bem de perto, mas isso não tem um efeito sangrento. Em vez disso, sentimos o completo esgotamento e esvaziamento de si mesmo que lemos na face de Cristo, e nos deparamos com o fato de que ele nos deu tudo o que tinha.

À esquerda, dois rostos de luto entram na cena. Ambos os rostos estão torcidos em dor, chorando por Jesus. Uma mulher mais velha poderia ser Maria, sua mãe. O outro, um homem mais jovem, possivelmente representa o Discípulo Amado. As duas figuras são símbolos da comunidade cristã, a Igreja, que permanece na Cruz neste dia para mais uma vez se confrontar com a realidade da doação final de Cristo. Suas lágrimas são de tristeza, perda, quebrantamento e derrota, uma reação apropriada ao Jesus morto. Mas as lágrimas também nos lembram da razão do sacrifício de Cristo: desfazer a escravidão do pecado e nos libertar do sofrimento humano.

Uma característica distintiva dessa imagem é a forma vertical escorçada do corpo de Cristo, que vemos a partir do primeiro pé. Pé primeiro significa ver a parte de seu corpo que estava mais próxima do chão, mais próxima da terra, pedras e espinhos do caminho da vida. Essa perspectiva enfatiza a experiência humana completa que Jesus viveu e suportou, mesmo a Morte injusta e violenta que levou tudo o que ele tinha. Ver os pés dessa maneira também lembra seu ensinamento de servir, seu chamado para fazer o que ele fez ao lavar os pés de seus seguidores. Mostrando os pés dos mortos, Cristo nos chama a reconhecer o dom do serviço visto até o final de dar a vida por outro. Nos pés de Cristo, estamos exatamente onde somos chamados a estar.


O comentário é de Daniella Zsupan-Jerome, professora assistente de liturgia, catequese e evangelização na Loyola University New Orleans.


4. - Mantegna



quadro com o rosto de Mantegna
Andrea Mantegna (Vicenza c.1431 - Mântua, 13 de setembro de 1506) foi um pintor e gravador do Renascimento na Itália. Foi o primeiro grande artista da Itália setentrional

Mantegna nasceu na ilha de Cartura, perto de Vicenza, segundo filho do carpinteiro Biagio. Aos onze anos começou como aprendiz de Francesco Squarcione, um pintor de Pádua, cuja vocação inicial de alfaiate foi suplantada pela sua paixão pela arte clássica e antiga.

Como seu compatriota Petrarca, Squarcione era fanático pela antiga Roma, tendo viajado pela Itália e talvez pela Grécia coletando obras de arte e desenhando-as e passando seus estudos adiante para 137 alunos que passaram por suas mãos. Mantegna foi seu pupilo favorito, tendo estudado fragmentos de esculturas romanas e também perspectiva. Mas com a idade de 17 anos deixou o mestre, reclamando depois de não ter recebido sua parte nas obras comissionadas.

Embora substancialmente relacionada com o século XV, a influência de Mantegna está bem marcada sobre o estilo e as tendências da arte italiana de sua época. Giovanni Bellini em seus primeiros trabalhos obviamente segue os passos do cunhado. Albrecht Durer foi influenciado por seu estilo durante suas duas viagens à Itália.

Leonardo da Vinci pegou de Mantegna o uso da decoração com festões e frutas. Mas o maior legado é considerado a introdução de um ilusionismo espacial, seja em afrescos ou em pinturas sacras; sua tradição de decorar forros foi seguida por três séculos. Inspirando-se no Sala dos esposos, Correggio produziu sua obra maior do domo da catedral de Parma baseado na pesquisa de Mantegna sobre perspectiva.

5. - Reflexão do Cardeal Cantalamessa - Vaticano, Sexta feira santa 2022



foto com o Fr. Raniero Cantalamessa em pregação da sexta-feira santa no Vaticano
Celebração da Paixão do Senhor, 15 de abril de 2022, Fr. Raniero Cantalamessa, OFMCap.


“PILATOS LHE DISSE: O QUE É A VERDADE?”

Pregação da Sexta-feira Santa de 2022

Na narrativa da Paixão, o evangelista João dá uma particular importância ao diálogo de Jesus com Pilatos, e é sobre ele que queremos refletir por alguns minutos, antes de prosseguir com a nossa liturgia.


Tudo começa com a pergunta de Pilatos: “Tu és o Rei dos Judeus?” (Jo 18,33). Jesus quer fazer Pilatos entender que a pergunta é mais séria do que ele pensa, mas que tem um significado apenas se não repetir simplesmente uma acusação de outros. Por isso, pergunta, por sua vez: “Dizes isso por ti mesmo ou outros te disseram isso de mim?”.

Ele procura conduzir Pilatos a uma visão superior. Fala do seu reino: um reino que “não é deste mundo”. O Procurador entende apenas uma coisa: que não se trata de um reino político. Se se quer falar de religião, ele não quer entrar neste gênero de questões. Por isso, pergunta com evidente ironia: “Então, tu és rei?”. “Jesus respondeu: ‘Tu dizes, que eu sou rei’” (Jo 18,37).

Declarando ser rei, Jesus se expõe à morte; mas, ao invés de se desculpar negando, afirma-o com força. Deixa fluir a sua origem superior: “Vim ao mundo...”: portanto, misteriosamente existia antes da vida terrena, vem de um outro mundo. Ele veio à terra para ser testemunha da verdade. Trata Pilatos como uma alma que necessita de luz e de verdade e não como um juiz. Ele se interessa pelo destino do homem Pilatos, mais do que o seu próprio. Com o seu apelo para receber a verdade, quer induzi-lo a retornar a si mesmo, a olhas as coisas com olhar diverso, a se colocar acima da contenda momentânea com os judeus.

O Procurador romano capta o convite que Jesus lhe dirige, mas, sobre este gênero de especulações, é cético e indiferente. O mistério que vislumbra nas palavras de Jesus lhe causa medo e ele prefere terminar o diálogo. Por isso, murmura consigo, dando de ombros: “O que é a verdade?”, e deixa o Pretório.

* * *

Como é atual esta página do Evangelho! Também hoje, como no passado, o homem não deixa de se perguntar: “O que é a verdade?”. Mas, como Pilatos, volta distraidamente as costas àquele que disse: “Vim ao mundo para dar testemunho da verdade” e “Eu sou a Verdade!” (Jo 14,6).

Pela internet, tenho acompanhado inúmeros debates sobre religião e ciência, sobre fé e ateísmo. Uma coisa chamou minh atenção: horas e horas de diálogo, sem que jamais fosse mencionado o nome de Jesus. E caso a parte crente ousasse mencioná-lo e alegar o fato da sua ressurreição dos mortos, imediatamente se tentava encerrar o discurso como não pertinente ao tema. Tudo acontece “etsi Christus non daretur”: como se no mundo jamais tivesse existido um homem chamado Jesus Cristo.

Qual é o resultado disso? A palavra “Deus” se tornar um recipiente vazio que cada um pode preencher ao seu bel-prazer. Mas, justamente por isso, Deus se preocupou em dar ele mesmo um conteúdo ao seu nome: “O Verbo se fez carne”. A Verdade se fez carne! Por isso, o extenuante esforço de deixar Jesus fora do discurso sobre Deus: ele tira do orgulho humano todo pretexto para decidir por si o que é Deus!

“Ah, certo: Jesus de Nazaré!”, objeta-se. “Mas há quem duvide até mesmo que tenha existido!”. Um conhecido escritor inglês do século passado ‒ conhecido pelo grande público por ser o autor do ciclo de romances e de filmes “O Senhor dos anéis”, John Ronald Tolkien ‒ em uma carta, dava esta resposta a seu filho, que lhe apresentava a mesma objeção:

É necessária uma extraordinária vontade de não crer para supor que Jesus jamais tenha existido ou que ele não tenha pronunciado as palavras a ele atribuídas, tanto que elas são impossíveis de serem inventadas por nenhum outro ser no mundo: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8,58); e “Quem me viu, viu o Pai (Jo 14,9)[1].

A única alternativa à verdade do Cristo, acrescentava o escritor, é que se trate de “um caso de megalomania demente e de uma fraude gigantesca”. Poderia, contudo, um caso do gênero, aguentar por vinte séculos de implacável crítica histórica e filosófica e produzir os frutos que tem produzido?

Hoje se vai além do ceticismo de Pilatos. Há quem pense que não se deva nem mesmo pôr a pergunta “O que é a verdade?”, porque a verdade, simplesmente, não existe! “Tudo é relativo, nada é certo! Pensar diversamente é presunção intolerável!”. Não há mais espaço para “as grandes narrativas sobre o mundo e sobre a realidade”, inclusive sobre Deus e sobre Cristo.

Irmãos e irmãs ateus, agnósticos ou ainda em busca (caso haja alguém na escuta): não é um pobre pregador como eu que pronunciou as palavras que agora estou prestes a vos dizer. É alguém que muitos dentre vós admiram, do qual escrevem e do qual, talvez, consideram-se também discípulos e continuadores: Søeren Kierkegaard, o iniciador da corrente filosófica do Existencialismo:

Fala-se tanto – afirma ele ‒ de misérias humanas; fala-se tanto de vidas desperdiçadas. Mas desperdiçada é somente a vida daquele homem que jamais se deu conta, porque jamais teve, no sentido mais profundo, a impressão de que exista um Deus e que ele –justamente ele, o seu eu – esteja diante desse Deus.

Afirma-se: há muita injustiça e muito sofrimento no mundo para se crer em Deus! É verdade, mas pensemos em quanto mais absurdo e motivo de desespero se torna o mal que nos circunda, sem a fé em um triunfo final da verdade e do bem. A Ressurreição de Jesus dos mortos, que celebraremos em dois dias, é a promessa e a garantia de que haverá aquele triunfo, porque já iniciou com ele.

Se eu tivesse a coragem do apóstolo Paulo, eu também deveria gritar: “Eu vos suplico: deixai-vos reconciliar com Deus!” (2Cor 5,20). Não “desperdiceis” também vós a vida! Não deixeis este mundo como Pilatos deixou o Pretório, com aquela pergunta no ar: “O que é a verdade?”. É muito importante. Trata-se de saber se temos vivido por algo, ou em vão.

* * *

O diálogo de Jesus com Pilatos oferece, porém, a ocasião também para uma outra reflexão, voltada, desta vez, para nós, fiéis e homens de Igreja, não aos de fora. “Teu povo e os chefes dos sacerdotes te entregaram a mim!”: Gens tua et pontifices tradiderunt te mihi (Jo 18,35). Os homens da tua Igreja, os teus sacerdotes te abandonaram; desqualificaram o teu nome com perversidades horrendas! E nós ainda deveríamos acreditar em ti? Também a esta terrível objeção, eu gostaria de responder com as palavras que o mesmo escritor mencionado escrevia ao filho:

O nosso amor poderá ser esfriado e a nossa vontade lesionada pelo espetáculo das deficiências, da loucura e dos pecados da Igreja e dos seus ministros, mas não creio que quem, uma vez, acreditou de verdade, abandone a fé por estas razões, menos de todos os que têm algum conhecimento da história... Isso é cômodo porque nos leva a desviar o olhar de nós mesmos e das nossas culpas e achar um bode expiatório... Penso que sou sensível aos escândalos, assim como tu o és e qualquer outro cristão. Tenho sofrido muito em minha vida por causa de padres incultos, cansados, fracos e, às vezes, também maus”.

Um resultado do gênero era, no mais, de se esperar. Começou antes da Páscoa, com a traição de Judas, a negação de Simão Pedro, a fuga dos apóstolos... Chorar, então? Sim – recomendava Tolkien ao filho ‒ mas por Jesus ‒ pelo que ele deve suportar ‒, antes do que por nós. Chorar –acrescentamos hoje – com as vítimas e pelas vítimas dos nossos pecados.

* * *

Uma conclusão para todos, crentes e não crentes. Este ano, celebramos a Páscoa não ao som de sinos, mas com o barulho nos ouvidos de bombas e explosões não distante daqui. Recordemos o que Jesus respondeu um dia à notícia do sangue dos galileus que Pilatos havia misturado ao dos sacrifícios, e da queda da torre de Siloé: “Se não vos arrependerdes, porém, perecereis todos do mesmo modo” (Lc 13,5). Se não mudardes as vossas lanças em foices, as vossas espadas em arados (Is 2,4) e os vossos mísseis em fábricas e casas, perecereis todos do mesmo modo!

Os eventos improvisamente nos recordaram uma coisa. As disposições do mundo mudam de um dia para o outro. Tudo passa, tudo envelhece; tudo ‒ não somente “a feliz juventude” ‒ desvanece. Há um só modo de se subtrair à corrente do tempo, que arrasta tudo atrás de si: passar ao que não passa! Pôr os pés em terra firme! Páscoa significa passagem: este ano, façamos todos uma verdadeira Páscoa, Veneráveis Padres, irmãos e irmãs: passemos Àquele que não passa. Passemos agora com o coração, antes de passar um dia com o corpo!



6. - Referências


Wikipédia - Mantegna / Crucifixação / Lamentação do Cristo Morto



Link para a pregação completa que já está colocada acima

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Fé e arte: 5a feira santa, ciclo C - Cerimônia do Lava Pés

1. - A  Cerimônia do Lava Pés


1Era antes da festa da Páscoa. Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
2Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. 3Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, 4levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. 5Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.
6Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?” 7Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás”.
8Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!” Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo”. 9Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça”.
10Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos”.
11Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos”.
12Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto e sentou-se de novo. E disse aos discípulos: “Compreendeis o que acabo de fazer? 13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. 14Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. 15Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.
— Palavra da Salvação.

2. - Os Mosaicos da Basílica de São Marcos em Veneza


 foto da cerâmica da Basílica de São Marcos em Veneza mostra um fundo dourado e os discípulos sentados em duas filas enquanto Jesus lava os pés de um deles


3. - A Reflexão (Daniela Zsupan-Jerome)


Este mosaico bizantino da Basílica de San Marco, em Veneza, mostra Cristo lavando os pés dos discípulos. Contra um fundo dourado, os discípulos sentam-se em duas filas em volta de uma mesa sólida e resistente. Os rostos dos discípulos na primeira fila conservam alguma individualidade, enquanto os das costas são, em geral, repetidos. Podemos distinguir Pedro como o mais próximo de Jesus, com o pé na bacia de água. Podemos também adivinhar que Judas é o que está na fileira mais afastada de Cristo, o apóstolo cujo rosto não tem uma representação completa em seu perfil e cujo halo é cortado tão abruptamente quanto a borda da mesa.

Repetição de forma é um elemento importante deste mosaico. As pernas firmes da mesa e os corpos, cabeças e auréolas dos discípulos formam um padrão que comunica ordem e regularidade: uma reflexão visual sobre como o mandamento de Cristo de lavar os pés é a ordem e o padrão estabelecidos para aqueles que o seguem e servir em seu nome. O fato de alguns rostos parecerem distintos acrescenta complexidade a esse padrão e nos mostra o papel da livre vontade humana na escolha de seguir o padrão estabelecido por Cristo.

Na cabeceira da mesa, vemos Cristo lavando o pé de Pedro. Jesus está na posição do professor, como ilustrado por sua mão estendida enquanto ele oferece sua exortação a Pedro. A outra mão de Cristo também demonstra ensinar, pois ele está empenhado no serviço, tendendo ao pé de Pedro. As duas mãos de Cristo trabalham juntas para mostrar como o Evangelho é comunicado não apenas em palavras, mas também em ações.

Enquanto um dos pés de Pedro repousa sobre o colo de Jesus em uma toalha, o outro está imerso na bacia de água abaixo. A bacia é enfeitada e lembra uma pia batismal mais que um objeto doméstico. Essa imagem batismal mostra que o chamado de Cristo para seus discípulos fazerem o que ele fez é um chamado para todo cristão, cada pessoa nascida da fonte, viver como uma pessoa pronta para se curvar para lavar os pés. Na noite da Ceia do Senhor, quando recebemos o dom de Cristo na Eucaristia, todos nós também somos chamados a ser um presente aos outros, nas maneiras pelas quais podemos amar, servir e cuidar deles.


O comentário é de Daniella Zsupan-Jerome, professora assistente de liturgia, catequese e evangelização na Loyola University New Orleans.



4. - Referências

Site da Loyola Press - https://www.loyolapress.com/our-catholic-faith/liturgical-year/lent/arts-and-faith-for-lent/cycle-c/arts-and-faith-holy-thursday-iii

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Fé e Arte, ciclo C - Domingo de Ramos em uma visão Expressionista: Wilhelm Morgner

1. - Domingo de Ramos


Evangelho (Lc 19,28-40)
Naquele tempo, 28Jesus caminhava à frente dos discípulos, subindo para Jerusalém. 29Quando se aproximou de Betfagé e Betânia, perto do monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos, dizendo: 30“Ide ao povoado ali na frente. Logo na entrada encontrareis um jumentinho amarrado, que nunca foi montado. Desamarrai-o e trazei-o aqui. 31Se alguém, por acaso, vos perguntar: ‘Por que desamarrais o jumentinho?’, respondereis assim: ‘O Senhor precisa dele’”. 32Os enviados partiram e encontraram tudo exatamente como Jesus lhes havia dito. 33Quando desamarravam o jumentinho, os donos perguntaram: “Por que estais desamarrando o jumentinho?” 34Eles responderam: “O Senhor precisa dele”. 35E levaram o jumentinho a Jesus. Então puseram seus mantos sobre o animal e ajudaram Jesus a montar. 36E enquanto Jesus passava, o povo ia estendendo suas roupas no caminho.
37Quando chegou perto da descida do monte das Oliveiras, a multidão dos discípulos, aos gritos e cheia de alegria, começou a louvar a Deus por todos os milagres que tinha visto. 38Todos gritavam: “Bendito o rei, que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas alturas!”
39Do meio da multidão, alguns dos fariseus disseram a Jesus: “Mestre, repreende teus discípulos!” 40Jesus, porém, respondeu: “Eu vos declaro: se eles se calarem, as pedras gritarão”.

2. - Wilhelm Morgner, “Entry of Christ into Jerusalem,” 1912




 quadro Expressionista - Entrada de Cristo em Jerusalém
Museum Ostwall, Dortmund, Germany


3. - Reflexão Inaciana - A interpretação de Daniella Zsupan 


"A entrada de Cristo em Jerusalém por Wilhelm Morgner é uma interpretação expressionista da cena do Evangelho que nos leva à Semana Santa. O expressionismo valoriza o humor e comunica uma perspectiva subjetiva através da cor e da forma; Nisto, a imagem aqui é mais uma meditação do que uma descrição narrativa dos eventos do Evangelho.
Morgner medita sobre a entrada de Cristo em Jerusalém através de um arranjo de silhuetas em cores brilhantes. A imagem é composta de duas cenas sobrepostas. Em primeiro plano, vemos uma silhueta montada em um burro, enquanto outra figura sentada estende seus braços em boas-vindas. 
As cores nos corpos dessas duas figuras são quase idênticas: vermelho com um pouco de verde, amarelo e laranja. Neste, Morgner retrata uma identidade comum entre Jesus e aqueles que aplaudiram para recebê-lo na cidade. Essa identidade é percebida por Cristo e pelo povo, mas difere em ênfase. As pessoas aplaudindo vêem uma identidade temporal: um Messias, um deles que se tornará seu libertador e restaurará Israel. Mas Jesus faz o seu caminho para Jerusalém para entrar nas profundezas da condição humana através de uma morte injusta e violenta. 
Ao fundo, vemos outra cena: uma fileira de seis figuras laranja e verdes flanqueando uma silhueta azul central. A figura central, aureolada, é uma imagem de Cristo, mas, em vez de uma ênfase na identidade comum, aqui ele é marcado pela alteridade e permanecendo à parte. 
parte do quadro com uma figura central representando o Crsito   Ele é a mais escura de todas as figuras. Ele também tem presença multi-dimensional, como sua forma azul satura o burro na frente dele, fica com os seis ao lado dele, e passa por uma abertura arqueada vermelha na noite azul escura por trás das duas cenas. Ele transcende a cronologia dessa maneira para mostrar que o que ele está prestes a realizar em sua paixão é uma realidade cósmica que transcende o tempo e o espaço. Ele é Cristo ontem, hoje e para sempre, e a história de sua entrada em Jerusalém é também a entrada neste mistério que continua a governar nossa realidade até hoje.
A escuridão de sua forma evoca apreensão: sabemos o que está vindo no Calvário. Quando meditamos sobre a Paixão de Cristo no início da Semana Santa, enfrentamos novamente a Cruz e toda a violência que leva a ela. Entramos na Paixão com Cristo na esperança de acompanhá-lo através do túmulo vazio também."

Daniella Zsupan-Jerome
O comentário é de Daniella Zsupan-Jerome, professora assistente de liturgia, catequese e evangelização na Loyola University New Orleans.



4. - Wilhelm Morgner

Wilhelm Morgner (27 de janeiro de 1891, Soest, Alemanha - 16 de agosto de 1917, perto de Langemark ) foi um pintor expressionista alemão e artista gráfico.

Embora sua mãe desejasse que ele fosse partor protestante, ela apoiava sua inclinação para arte. Em 1908, seguindo o conselho de amigos , mudou-se para a colônia de artistas em Worpswede , onde estudou com o pintor expressionista Georg Tappert , que o apresentou à arte moderna e designou numerosas expedições de pintura ao ar livre.  Tappert e ele continuariam a se corresponder regularmente pelo resto da curta vida de Morgner.

autorretrato de Wilhelm Morgner
autoretrato
Ele retornou a Soest em 1909, onde estabeleceu um pequeno estúdio e começou a expor. Em 1910, ele foi para Berlim para ter mais algumas lições com Tappert. Alguns artistas alemães ficaram impressionados com seu trabalho e publicaram alguns em Der Sturm. Depois disso, ele pôde participar de exposições de prestígio da New Secession em Berlim, o Blauer Reiter em Munique e o Sonderbund em Colônia. Em 1913, seus trabalhos foram apresentados em Die Aktion . 
Nesse mesmo ano, ele iniciou seu ano obrigatório de serviço militar. Embora ele não pudesse mais fazer pinturas a óleo, ele continuou a produzir aquarelas e desenhos. Antes de seu ano terminar, a Primeira Guerra Mundial começou e ele foi designado para a Frente Ocidental . Ele logo foi internado em um hospital em Berlim com uma lesão no pé. Aparentemente, a lesão não foi grave, então ele foi devolvido ao dever, desta vez na Frente Oriental , e foi promovido a sargento. Ele também recebeu a Cruz de Ferro (segunda classe). 
Após outra breve internação hospitalar, ele foi enviado para a Bulgária e Sérvia, onde trabalhou como desenhista . Ele passou as férias de Natal em Soest, depois voltou para a Sérvia por alguns meses antes de ser enviado para a região de Flandres. Ele foi morto perto de Langemark por soldados britânicos, enquanto resistia à captura.

5. - Expressionismo

O Expressionismo foi um movimento artístico e cultural de vanguarda surgido na Alemanha no início do século XX, transversal aos campos artísticos da arquitetura, artes plásticas, literatura, música, cinema, teatro, dança e fotografia. Manifestou-se inicialmente através da pintura, coincidindo com o aparecimento do fauvismo francês, o que tornaria ambos os movimentos artísticos os primeiros representantes das chamadas "vanguardas históricas".

Mais do que meramente um estilo com características em comum, o Expressionismo é sinónimo de um amplo movimento heterogéneo, de uma atitude e de uma nova forma de entender a arte, que aglutinou diversos artistas de várias tendências, formações e níveis intelectuais.

O movimento surge como uma reação ao positivismo associado aos movimentos impressionista e naturalista, propondo uma arte pessoal e intuitiva, onde predominasse a visão interior do artista — a "expressão" — em oposição à mera observação da realidade — a "impressão".

O expressionismo compreende a deformação da realidade para expressar de forma subjectiva a natureza e o ser humano, dando primazia à expressão de sentimentos em relação à simples descrição objetiva da realidade.

6. - Referências


Wikipedia - Wilhelm Morgner





terça-feira, 9 de abril de 2019

Cat Stevens, "Father and Son"

I. - Cat Stevens 


Yusuf Islam / Cat Stevens, novo nome e antigo nome artístico de Steven Demetre Georgiou é um cantor e compositor britânico que nasceu em Londres em 21 de Julho de 1948. Vendeu 40 milhões de álbuns, principalmente entre as décadas de 1960 e 1970. Entre suas canções mais populares estão "Morning Has Broken", "Wild World", "Father and Son", "Where do the Children Play?" e "Oh Very Young". Depois de sua conversão ao islamismo adotou o nome de Yusuf Islam.


Histórico

Nascido em Londres e batizado Steven Demetre Georgiou, é filho de pai de origem greco-cipriota e mãe de origem sueca.

Converteu-se ao islã, mudou de nome para Yusuf e abandonou a música em 1978. Desde então, passou a se dedicar à atividades beneficentes e educacionais em prol da religião. Toma muito cuidado quanto ao uso de suas canções. Muitas delas dissertam sobre temas de sua vida anterior à conversão e Stevens não quer mais ser associado a eles. 


foto de Cat Stevens tocando violão ainda novo de cabelos pretos e longos



Único comercial que ele permitiu que fosse usado uma canção sua foi com "Father and Son" usado no comercial da agência Saatchi & Saatchi Wellington Agência pelo apelo passional da propaganda. 

Apesar de estar há quase 30 anos afastado da indústria musical, os trabalhos como Cat Stevens continuam vendendo uma média de 1,5 milhão de discos por ano.


foto da capa do disco Tea for the Tillerman


Criou seu próprio selo fonográfico, a Ya Records, pelo qual já produziu dez discos de música religiosa e espiritual. Fundou três escolas muçulmanas em Londres e uma organização sem fins lucrativos, Small Kindness, reconhecida pela ONU e pela qual presta ajuda aos órfãos de conflitos como Bósnia, Kosovo e Iraque. 

Em 2004, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos impediu sua entrada no país, após incluí-lo na lista de vigilância por atividades provavelmente relacionadas ao terrorismo. Neste mesmo ano, recebeu o prêmio "Man Of Peace" dado àqueles que se dedicam a promover a paz e a reconciliação entre as pessoas e que condenam o terrorismo. A cerimônia ocorreu no Rome's Capitoline Hill, em Roma.

Em 1994 lançou o dueto com Rod Stewart do single "Father and Son", grande sucesso a nível Internacional.

foto da capa do disco Foreigner


Em Março de 2005 ele lançou Indian Ocean, sobre o tsunami de 2004 no Oceano Índico, que atingiu vários países em 26 de dezembro de 2004, com o objetivo de ajudar os órfãos de Banda Aceh, na Indonésia, uma das áreas mais afetadas pelo tsunami. Em 2006, anunciou a sua volta à música pop, com o disco An Other Cup, lançado em 28 de novembro, coincidindo com o 40º aniversário de lançamento do seu primeiro álbum.

Em janeiro de 2009, Yusuf gravou uma canção de George Harrison chamada "The Day the World Gets Round", em colaboração a Klaus Voormann. O dinheiro arrecadado com a canção foi doado às pessoas vítimas da guerra na Faixa de Gaza. 

Yusuf casou-se com Fauzia Mubarak Ali em 7 de setembro de 1979, com quem teve cinco filhos. Atualmente mora em Londres, mas periodicamente passa temporadas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Apresentou-se no Viña Del Mar festival - Chile 2015.

II. - Father and Son


" Father and Son " é uma canção popular escrita por Cat Stevens em seu álbum de 1970, Tea for the Tillerman . A música molda uma troca dolorosa entre um pai que não entende o desejo de um filho de romper e moldar uma nova vida, e o filho que não pode realmente se explicar, mas sabe que é hora de ele buscar seu próprio destino.

Stevens canta em um tom mais grave para as linhas do pai, enquanto usa um tom mais alto para as do filho. Além disso, há "backing vocals" fornecidos pelo guitarrista e amigo de Stevens, Alun Davies, começando no meio da música, cantando um refrão incomum de palavras simples e frases como "Stay Stay Stay". "Eu sei que tenho que tomar essa decisão sozinho". "Por que você deve ir e tomar essa decisão sozinho ?" e "Por que você deve ir embora ?".




PAI
It's not time to make a change
Just relax, take it easy
You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Não é tempo de mudar
Apenas relaxe, vá com calma
Você ainda é jovem, esse é seu erro
Há muita coisa que você tem que saber

Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me
I am old, but I'm happy
Encontre uma garota, se acomode
Se você quiser, pode se casar
Olhe pra mim
Estou velho, mas sou feliz

PAI

I was once like you are now
And I know that it's not easy
To be calm when you've found
Something going on
Eu já fui como você é agora
E eu sei que não é fácil
Ficar calmo quando você percebe
Algo acontecendo

But take your time, think a lot
Why, think of everything you've got
For you will still be here tomorrow
But your dreams may not
Mas vá com calma, pense muito
Ora, pense em tudo que você já conseguiu
Pois você vai estar aqui amanhã
Mas seus sonhos talvez não estejam

FILHO

How can I try to explain?
'Cause when I do, he turns away again
And it's always been the same
Same old story
Como eu poderia tentar explicar?
Porque quando eu tento, ele dá as costas novamente
É sempre a mesma coisa
Mesma velha história

From the moment I could talk
I was ordered to listen
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go
Desde o momento em que eu pude falar
Fui obrigado a ouvir
Agora há um caminho, e eu sei
Que eu tenho que ir embora
Eu sei que tenho que ir

PAI

It's not time to make a change
Just sit down, take it slowly
You're still young, that's your fault
There's so much you have to go through
Não é tempo de mudar
Apenas sente-se, vá devagar
Você ainda é jovem, esse é seu erro
Há muita coisa ainda que você tem que enfrentar

Find a girl, settle down
If you want, you can marry
Look at me
I am old, but I'm happy
Encontre uma garota, se acomode
Se quiser, você pode se casar
Olhe pra mim
Eu estou velho, mas sou feliz

FILHO

All the times that I've cried
Keeping all the things I knew inside
And it's hard, but it's harder to ignore it
Todas as vezes que eu chorei
Mantendo todas as coisas que eu sabia aqui dentro
E é difícil, mas é mais difícil ignorá-las

If they were right, I'd agree
But it's them they know, not me
Now there's a way and I know
That I have to go away
I know I have to go
Se eles estivessem certos, eu concordaria
Mas eles conhecem a si mesmos, não a mim
Agora há um caminho, e eu sei
Que eu tenho que ir embora
Eu sei que tenho que ir


III. - Origens da Música


Cat Stevens originalmente escreveu "Father and Son" como parte de um projeto musical proposto por Nigel Hawthorne , chamado Revolussia , que foi ambientado durante a Revolução Russa , e também poderia ter se tornado um filme; a música era sobre um menino que queria se juntar à revolução contra os desejos de seu pai agricultor conservador . 

O projeto musical desapareceu quando Stevens contraiu tuberculose em 1969. Ele estava perto da morte no momento de sua admissão no Hospital King Edward VII em Midhurst , West Sussex. Após um ano de convalescença no hospital e um colapso pulmonar, o projeto foi arquivado, mas "Pai e Filho" permaneceu, agora em um contexto mais amplo que refletia não apenas o conflito social do tempo de Stevens, mas também captava os impulsos das gerações mais velhas e mais jovens em geral.

Entrevistado logo após o lançamento de "Father and Son", Stevens foi perguntado se a música era autobiográfica. Respondendo ao entrevistador do disco , ele disse: "Eu nunca realmente entendi meu pai, mas ele sempre me deixou fazer o que eu queria - ele me soltou. 'Pai e filho' é para aquelas pessoas que não conseguem se libertar. " 

Falando à Rolling Stone , Stevens disse estar ciente de que "Father And Son" e várias outras músicas significam muito para um grande número de fãs.

"Algumas pessoas acham que eu estava do lado do filho", explicou o compositor. "Mas como eu poderia ter cantado o lado do pai se eu não tivesse entendido isso também? Eu estava ouvindo essa música recentemente e ouvi uma linha e percebi que era o pai do pai do pai do pai de meu pai pai do pai do pai." 

Em 2007, Stevens gravou a música novamente em "Yusuf's Cafe Sessions" de 2007 em DVD e novamente com Alun Davies , e uma pequena banda tocando instrumentos acústicos. O desempenho foi apresentado em um vídeo com duas fotos de câmera de sua esposa e filha, segurando seu neto criança.


IV. - Referências


Wikipedia - Cat Stevens / Father and Son

Youtube - Gravação Father and Son

Letras - Letra e tradução de Father and Son

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Quaresma V, Fé e Arte Ano C - Cristo e a Mulher Adúltera - Pintura de Palma il Vecchio

1. - O Evangelho de João, 8, 1-11 - "A Mulher Adúltera"


Naquele tempo, 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2De madrugada, voltou de novo ao Templo. Todo o povo se reuniu em volta dele. Sentando-se, começou a ensiná-los. 3Entretanto, os mestres da Lei e os fariseus trouxeram uma mulher surpreendida em adultério. Levando-a para o meio deles, 4disseram a Jesus: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante adultério. 5Moisés na Lei mandou apedrejar tais mulheres. Que dizes tu?”
6Perguntavam isso para experimentar Jesus e para terem motivo de o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, começou a escrever com o dedo no chão. 7Como persistissem em interrogá-lo, Jesus ergueu-se e disse: “Quem dentre vós não tiver pecado, seja o primeiro a atirar-lhe uma pedra”. 8E tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão.
9E eles, ouvindo o que Jesus falou, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos; e Jesus ficou sozinho, com a mulher que estava lá, no meio, em pé. 10Então Jesus se levantou e disse: “Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?” 11Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Então Jesus lhe disse: “Eu, também, não te condeno. Podes ir, e de agora em diante não peques mais”.
— Palavra da Salvação.

2. - A Mulher Adúltera por Palma il Vecchio



 quadro A Mulhr Adúltera por Palma Il Vechio - Jesus olha para o expectador


"O Cristo e a Adúltera de Palma il Vecchio nos convida a entrar na multidão com os fariseus para ouvir como Jesus julgará a mulher apanhada em adultério. A representação de Palma il Vecchio nos convida a uma proximidade íntima com Cristo, a mulher e três fariseus, criando uma intimidade que inevitavelmente nos leva a examinar sua consciência. O olhar direto de Cristo para nós, o público, reforça essa proximidade e exige um olhar para dentro.
A mulher nesta cena é modelada a partir de Violante, uma figura ambígua na vida do pintor, a quem ele considerava uma filha. Seu rosto aparece com frequência no trabalho de Palma. 
Em vez de um rosto envergonhado, assustado ou arrependido, o rosto dessa mulher é um pouco desafiador, não convencido de que seus acusadores têm o direito de acusá-la. Sua sobrancelha levantada é evocativa: é como se ela tivesse possuído seu adultério, enquanto ao mesmo tempo permanecia cética de que seus acusadores fossem melhores do que ela. Nesta sobrancelha levantada, Palma nos conta a história de: “Aquele dentre vós que estiver sem pecado seja o primeiro a lançar uma pedra”. Embora estas sejam as palavras de Cristo no Evangelho de João, aqui as palavras ecoam da expressão da mulher.
Se a sobrancelha levantada da mulher comunica o pecado e a hipocrisia presentes nessa história, o olhar direto de Cristo para nós é a representação visual das palavras: “Nem eu te condeno. Siga seu caminho e, a partir de agora, não peques novamente ”. Seu olhar é gentil, mas honesto, firme, mas encorajador. É um olhar da verdade e da vida, talvez o mesmo olhar que caiu sobre a mulher samaritana junto ao poço, ou a mulher penitente que derramou lágrimas nos pés de Jesus. Nesta imagem, o olhar repousa não na mulher apanhada em adultério, mas sim em nós."

Daniella Zsupan-Jerome O comentário é de Daniella Zsupan-Jerome, professora assistente de liturgia, catequese e evangelização na Loyola University New Orleans em https://www.loyolapress.com/our-catholic-faith/liturgical-year/lent/arts-and-faith-for-lent/cycle-c/arts-and-faith-week-5-of-lent-cycle-c

3. - Palma, il Vecchio


gravura com o rosto d Palma Il Vecchio    Palma, il Vecchio, nascido Jacopo Palma e também conhecido como Jacopo Negretti , foi um pintor veneziano da Alta Renascença italiana, nascido em 1480 e que faleceu em 1528 com apenas 48 anos de idade. Ele nasceu em Serina Alta, perto de Bergamo , uma dependência da República de Veneza , mas sua carreira registrada teve lugar em torno de Veneza . Ele é chamado Palma il Vecchio ("Palma o Velho") para distingui-lo de Palma il Giovane ("Palma, o Jovem" ), seu sobrinho-neto, que também era um pintor.

Os trabalhos iniciais de Palma mostram a influência de Giovanni Bellini , mestre de Previtali e então idoso decano da pintura veneziana, mas Palma veio para seguir o novo estilo e temas iniciados por Giorgione e Ticiano . Após as mortes de Bellini e Giorgione, e a saída de Veneza de Sebastiano del Piombo , Lorenzo Lotto e Previtali, em pouco tempo Palma era identificado, depois de Ticiano, como o principal pintor de Veneza, muito procurado até sua morte, que aconteceu prematura aos 48 anos.

Outra versão de "Cristo e a  Mulher adúltera" no Museu Hermitage

Nessa versão pintada por Palma e que encontra-se no Museu Hermitage, encontramos os mesmos cinco personagens. Cristo, a mulher adúltera e três fariseus. A diferença nesse quadro está no olhar de Cristo, que em vez de ser dirigido para nós, está dirigido ao acusador da muher, como que pergunta "E tu, não tens nenhum pecado ?". 



 Outra versão do Quadro Cristo e a mulher adúltera - Nesse quadro Cristo está olhando para o homem que parece acusar
Christ and the adultress, Palma il Vecchio, 1511, Hermitage


4. Referências


Site da loyola : 

wikipedia: Palma, il Vecchio
Encontrar o olhar de Cristo é uma oportunidade para a conversão. É uma chance de entrar na verdade e da vida de Cristo, e descobrir mais uma vez a dignidade e a vocação de ser o amado de Deus.

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