segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

História de Barcelona I - da Fundação à Coroa de Aragão

I - Barcelona e a Catalunha



mapa da província de BarcelonaA história de Barcelona estende-se ao longo de mais de 4000 anos e a área em seu entorno foi habitada por povos íberos, cartagineses, romanos, judeus, visigodos, muçulmanos e cristãos. Apesar disso, o verdadeiro nascimento da cidade aconteceu na época romana. Esse povoado foi evoluindo até se converter num dos principais portos do mar Mediterrâneo ocidental, alcançando na Idade Média a primazia sobre o resto dos condados catalães e convertendo-se na capital da Coroa de Aragão. Após a união de Castela e Aragão, apesar ter deixado de ser capital de um estado independente, Barcelona sempre gozou de uma posição de grande relevância no desenvolvimento político, social e econômico do estado espanhol. 

Atualmente Barcelona é uma cidade mundialmente reconhecida e celebrada, importante foco turístico e cultural, bem como centro financeiro e de congressos de reconhecido prestígio.

Catalunha

A Catalunha é uma comunidade autônoma espanhola , considerada nacionalidade histórica , localizada a nordeste da Península Ibérica e formada inicialmente a partir de vilas e Condados que formaram a Marca de Fronteira do Império Carolíngio. Ocupa uma área de cerca de 32.000 quilómetros quadrados delimitada no norte pela França e Andorra, no leste pelo Mar Mediterrâneo ao longo de uma faixa costeira de cerca de 580 km, ao sul por Valência, e ao oeste por Aragão . Esta localização estratégica tem favorecido uma relação muito intensa com os territórios do Mediterrâneo e da Europa continental. A Catalunha é formado pelas províncias de Barcelona, Girona, Lleida e Tarragona. Sua capital é a cidade de Barcelona.

II - Histórico


a) Os assentamentos iniciais ( 4.000 a.c. - 10 a.c.)


Em tempos pré-históricos  existiram  diferentes tipos de assentamentos e aldeias neolíticas na área circundante. Quando os romanos vieram para lutar contra os cartagineses (guerra púnica), há muito que os gregos tinham se estabelecido no território que chamaram Iberia, referindo-se às pessoas que viviam ali desde o século VI. a.C.
Os iberos não eram um povo homogêneo, mas sim um conjunto de diferentes grupos étnicos que tinham uma cultura e uma língua comum.
  Os íberos em Montjuic

Em Montjuïc (bairro alto de Barcelona) situa-se um campo de silos e os restos de uma cidade Ibérica, que mostra que Barcelona tinha uma população Ibérica relativamente densa, com cerca de 18 aldeias.


desenho de silos ibéricos
Plano dos silosibericos de Montjuic - Aceito pelos estudiosos como Armazéns

b) A fundação de Barcino - Romanos (10 a.c. - 400 d.c.)


Se alguma pessoa deve ser considerado o fundador de "Barcino" (Colonia Julia Augusta Faventia Paterna Barcino - primeiro nome de Barcelona) esse é o Imperador romano Augusto que lhe fundou no ano 10 a.C. graças a um plano de reestruturação concebido por Agripa. 

A nova colônia ficava entre duas grandes cidades: Emporyon (maior assentamento grego) e Tarraco (capital da provincia de Tarraconensis) e tinha boa comunicação com as vilas do interior. 

mapa mostrando a localização de Barcelona na costa vendo-se a Argélia e a Itália / Roma

Barcino conseguiu sua própria estrutura administrativa e de governo com base no modelo romano e tornou-se um centro religioso e administrativo, como pode ser visto no layout das ruas, presença de templos religiosos do estado e a proporção entre espaços públicos e privados. 

Organização da Cidade

Barcino tinha a forma de um octógono alongado, com base na disposição dos seus campos militares romanos, mas com cantos arredondados, para se adaptar à forma da colina onde foi construído. Com cerca de 13 hectares de área, a cidade foi cercada por um muro defensivo com menos de 2 metros de espessura e mais de 8 metros de altura que foi completado, pelo menos ao longo da Avenida de la Catedral, por um grande fosso 6 metros de profundidade de largura irregular, que também parece ter servido para a coleta de esgoto e água da chuva.


desenho da ciade murada de Barcino


A cidade romana foi construída em torno do Monte Táber. Lá estavam localizados  o fórum e os principais edifícios públicos e políticos. Ainda hoje o local continua sendo o centro político da capital catalã, na conhecida Praça de Sant Jaime, onde temos  a Prefeitura ea sede da Generalitat da Catalunha.

Museu de História da Cidade


 ruínas de barcelona no tempo dos romanos localizada no Museu de História da Cidade


A melhor maneira de conhecer Barcelona no tempo dos romanos (antiga Barcino) é visitar o Museu de História da cidade, localizado na Praça do Rei. Situado num palácio do séc. XV, tanto o pátio quanto a escada de acesso ao interior do museu são de época gótica. (blog: "um brasileiro na espanha")

 foto externa da entrada do museu
Entrada do Museu
foto do interior do museu da cidade mostrando algumas colunas e escavações
Coluna de Augusto


Um dos legados da época romana mais incríveis existentes na cidade está atualmente localizado num edifício que sedia o Centro Excurcionista de Catalunha. Trata-se do templo de Augusto, datado da época da fundação da cidade (séc. I aC). Conservam-se 4 colunas coríntias do templo que foi consagrado ao culto imperial. A estrutura dominava a paisagem do fórum, ao estar situado num local elevado.

quadro com o martírio de São Cucufate
Martírio de São Cucufate

As primeiras comunidades cristãs começaram a estabelecer-se cedo na região: A maior parte vinha fugindo de perseguições. Em 259 foi criada a diocese de Tarraco. Em Barcino, há notícia de uma primitiva comunidade e de um bispo próprio entre 260 e princípios do século IV.
Somente com o Édito de Milão, em 313, é que param as perseguições às crenças alheias ao Império, especialmente o cristianismo.


São Cucufate

Nascido na Sicília (província romana de Cartago) por volta de 270, pregou o cristianismo na Catalunha (onde é conhecido como Sant Cugat) na companhia de São Félix. Entre outras localidades, esteve na cidade de Ampúrias, até que o império romano o condenou à morte.


Crê-se que alguma comunidade judaica estivesse estabelecida na cidade durante o século IV. Caracala permitiu a partir de 212 a liberdade para construir edifícios de culto de judeus no Império ao considerá-los cidadãos.

c) Os Visigodos (400 d.c a 711 d.c.)


No início do século V começa a derrocada do Império Romano do Ocidente. Os visigodos, um ramo dos povos godos, irromperam no Império pelos Balcãs e dirigiram-se para oeste. Outros povos bárbaros, como os vândalos, os suevos e os alanos, entraram na península Ibérica pelo Pirenéus Orientais em 409, tomando várias províncias do oeste e sul da Hispânia. Posteriormente, sob comando de Alarico, os visigodos saquearam Roma em agosto de 410.

Após essa série de invasões por todo o território romano, incluindo as terras da Espanha, os visigodos realizaram um pacto de não agressão com os romanos e foi criado então o Reino Visigótico onde estes ocuparam o sudoeste da Gália e a peninsúla ibérica.



desenho de nobres visigodosOs Visigodos que não tinham a tradição romana de leis escritas, estruturação administrativa, ..., passaram a adotar a maioria dos costumes romanos. Na religião havia crescido entre os godos a tradição cristã mas com a vertente do arianismo que pregava uma posição inferior para Jesus Cristo frente a Deus Pai. Para os cristãos romanos essa diferença era considerada heresia. 

Como os Visogodos eram cerca de cem mil frente a vários milhões de pessoas da Hispania, alguns conflitos devido a diferença de costumes existia. O maior deles era religioso, pois os reis e a classe dominante eram arianos, enquanto os súditos (população) era católica. Esses conflitos duraram até que o rei Recaredo anunciou a sua conversão ao catolicismo em 586, bastante influenciado pelo tabalho do Bispo Leandro de Sevilha e também buscando maior sustentação para sua administração.

Barcelona então perdeu poder político, pois a administração dos visigodos foi deslocada para Toledo, mas manteve o poder religioso devido a presença do Bispo Ugnas no palacio episcopal onde se celebravam vários concílios e reuniões de clero regional. 

O Rei Leovigildo, que professava o arianismo, foi sucedido por seu filho Racoredo que em 586 se converteu ao catolicismo.

O reino visigodo chegou ao fim em 711 enfraquecido por guerras internas, o que facilitou a invasão moura.

Ugnas

Bispo de Barcelona, ​​rejeitou o Arianismo e aceitou catolicismo no Terceiro Concílio de Toledo, no ano 589. Foi importante porque representou o abandono das posições Cristãs arianas. Dez anos mais tarde, ele presidiu o seu próprio conselho em Barcelona, ​​com o apoio dos bispos do que hoje é Tarragona, L'Urgell, Vic, Tortosa, Calahorra, Ampurias, Girona, Zaragoza, Lleida e Terrassa.

O termo "Gótico"

Gótico é o adjetivo que designa o que é proveniente, relativo, criado ou usado pelos Godos, o povo germânico. O termo ganhou também a conotação de duro ou bárbaro, e desde o século XVIII também é usada para se referir a coisas diferentes, distintas e excêntricas. A arquitetura dos séculos XIII, XIV e XV foi, a partir do século XVIII, caracterizada como arquitetura gótica

O Bairro Gótico de Bacelona


 mosaico do período gótico de Barcelona Muito pouco,  quase nada, restou da presença dos Godos em Barcelona. Apesar disso Barcelona tem um bairro gótico que tem várias construções  históricas do estilo gótico como a Catedral e o Palácio da Catalunha. Construções famosas: Catedral de Santa Eulália, Praça e Palácio do Rei (onde Colombo foi recebido  na volta do descobrimento), Praça de Sant Jaume com o Palácio da Generalitá. A descrição desses lugares será feita posteriormente. 





 Praça da Catedral no bairro gótico
Praça da Catedral, Bairro Gótico, foto HistoriacomGosto
passagem elevada unindo dois prédios de lados diferentes da rua
Ponte unindo dois lados da rua, foto @Kavalenkava


antigo portal romano
Antigo portal romano, foto de TTstudio em shutterstock.com


d) O domínio do Islã (720 a 801)


A expansão muçulmana para a península ibérica, deu-se a partir de 711, através da movimentação de tropas islâmicas vindas do norte da África que cruzaram o estreito de Gibraltar e venceram o último rei visigodo da Hispânia, na batalha de Guadalete. O reino dos visigodos enfrentava uma guerra interna de sucessão e isso facilitou a entrada dos mouros na região. Barcelona foi tomada entre 717 e 720.

Os muçulmanos tentaram expandir os seus domínios para a França, mas foram contidos em Tours e Poitiers (732). Com dificuldades de arregimentação de novos soldados e não querendo enfrentar guerras longas, os muçulmanos se recolheram e se mantiveram na península iberica.

As populações em território catalão sob domínio árabe puderam permanecer nas suas terras mediante pagamento. Os seus hábitos, cristãos e judeus foram tolerados. Apesar de arabizados, os moçárabes mantiveram um contínuo de dialetos românicos -a língua moçárabe- e rituais cristãos. Os novos ocupantes desenvolveram a agricultura, melhorando os sistemas de rega romanos.

Arc de Triomphe - Monumento neo-árabe


Devido ao pouco tempo de ocupação na região , praticamente nada restou da presença árabe em Barcelona. O pouco que temos de arquitetura mourisca são criações mais recentes como o Arc de Triomphe criado em 1888 para a Feira Mundial sediada em Barcelona.

Ele é um arco triunfal  e foi construído, pelo arquiteto Josep Vilaseca i Casanovas , como a principal porta de acesso para o 1888 Barcelona Feira Mundial . O arco atravessa a ampla avenida central do Passeig de Lluís Companys , levando ao Parque Ciutadella , que agora ocupa o local da feira mundial.
foto do arco do triunfo em alvenaria avermelhada
Arco do Triunfo, em shutterstock.com


Características

O arco é construído em alvenaria avermelhada no estilo Neo-Mudéjar. O friso da frente contém a escultura em pedra "Barcelona recebe as nações") por Josep Reynes . O friso oposto contém uma escultura em pedra Recompensa (Juízo), um trabalho de Josep Llimona primeiro período 's, o que representa a concessão de prémios aos participantes na Exposição Mundial.


e) - A conquista franca - Marca Hispânica (801 - 988)


Os Oitenta anos de domínio islâmico terminaram em 4 de abril 801, com a entrada de Luís, o Piedoso, na cidade.

Desde 732, quando os mouros foram detidos em Poitier, o confronto entre os francos e as forças muçulmanas levaram a uma resposta defensiva dos monarcas carolíngios, consistente na criação da chamada Marca Hispânica. Esta se realizou pelo domínio dos territórios do sul da França e norte da península Ibérica e levou à formação de um pequeno grupo de municípios com a finalidade de criar uma barreira às incursões mouras. 



 gravura de Luís I filho de Carlos Magno
Luís I, filho de Carlos Magno
A dominação franca tornou-se efetiva depois da conquista de Girona (em 785) e, especialmente, quando, no ano 801, a cidade de Barcelona foi conquistada pelo rei Luís, o Pio, da Aquitânia  e foi incorporada ao Império Carolíngeo, como uma dependência franca. Luís, o Piedoso,  era filho de Carlos Magno, Imperador dos Romanos, rei dos Lombardos e dos Francos. A Luís tinha sido atribuído o reinado da Aquitânia que eram as terras do sul da França.

Os primeiros condados a fazer parte da Marca Hispânica foram portanto Girona (785) e Barcelona (801). O primeiro Conde de Barcelona foi Bera (801-820). 


Marca Hispânica

Inicialmente, a autoridade do condado de Barcelona foi delegada para a aristocracia local, tribal ou visigoda, mas Bera tinha uma política favorável para preservar a paz com o Al-Andalus, que o levou a ser acusado de traição contra o rei. Depois de perder um duelo,  Bera foi deposto e exilado, e o governo do condado tornou-se territórios de nobres francos. No entanto, a nobreza visigótica recuperou a confiança real nomeando Sunifredo I de Urgel-Cerdaña como Conde de Barcelona em 844. mapa da peninsula ibérica

A Marca Hispânica aumentou de tamanho incluindo condados de Pamplona, Condados de Aragão e Condados Catalões. A descendência ficava em mãos de condes hispano-godos até que finalmente o conde de Carcassona, Vifredo I de Barcelona, recebe por parte do rei franco Carlos II de França, em 807, o condado de Urgell-Cerdanya e passa a designá-la para seus filhos (direito hereditário).


f) Condado de Barcelona 


Com o tempo, os laços de dependência dos municípios catalães com a monarquia franca tornaram-se mais fracos. A autonomia se confirmou ao fazer valer os direitos de herança entre famílias do condado.

Antes de morrer, Vifredo I marca um precedente, designando aos seus três filhos à terras a herdar. Estes continuam a conquista do sul povoando as terras e conseguindo adquirir os outros condados. Os historiadores consideram este facto um precedente porque designando os seus filhos como herdeiros, Vifredo I de Barcelona, estava a estabelecer uma nova linhagem.

Somente no século seguinte houve independência em relação ao poder carolíngio.


Independência da Catalunha



foto da moeda própria da Catalunha   No fim do século X e início do século XI a dinastia Carolíngia está em crise. Lutas internas pelo poder, novas ameaças externas (Vikings assediam o norte da França atual), debilitam o poder carolíngio. Uma nova dinastia toma relevo: os Capetos. Barcelona é assediada pelo chefe militar árabe Almansor. O conde de Borrell, descendente de Vifredo I de Barcelona, pede ajuda ao novo rei, Hugo Capeto, em 988. Este não socorre e Borrell resolve não prestar mais vassalagem, corta relações com Carcassona e estabelece Vic como sé arquebispal: nascem os chamados Condados Catalães e Borrell de Barcelona decide encunhar moeda própriaHistoriadores consideram este episódio como a independência da Catalunha.


g) A Catalunha independente (988 a 1137)

 gravura de um cavaleiro feudal

No século XI desenvolveu-se uma Catalunha feudal. Foi uma época de consolidação dos condados e da implantação do regime feudal. O Condado de Barcelona conquistou os condados de Girona e de Osona. Uma série de lutas internas de sucessão também teve origem dentro do condado. Tarragona foi conquistada dos árabes e o processo de supremacia do condado com a nobreza foi estabelecida. 


Feudalismo 

Do século XI até o século XVIII, os povos europeus se estruturaram socialmente com um sistema baseado no confisco de excedentes do trabalho dos camponeses para que as classes dominantes - clérigos e militares - lhe redistribuissem. Uma redistribuição garantida por uma rede de dependencias (vassalagem) e gratificações (feudos) reguladas pelo regime feudovassalático; O regime se compunha de uma série de instituições que criavam e regiam as obrigações de obediência e serviço. 

h)  Condado de Barcelona com o Reino de Aragão formam a Coroa de Aragão (1137)


Ramon Berenguer IV era o filho mais velho do conde Ramon Berenguer III e de Dulce I da Provença. Herdou o Condado de Barcelona à morte do pai, em 1131, enquanto o seu irmão herdou o Condado de Provença. Durante os seus primeiros anos de governo promoveu a estabilidade territorial do Condado, que era ameaçada pelos avanços do Reino de Aragão em Lérida e em Tortosa, os quais foram interrompidos pela morte do rei Afonso I, em 1134.

Após estabelecer seu noivado com a herdeira de Aragão, Raimundo negociou acordos com as ordens militares da Terra Santa às quais Afonso I legara seu reino. O acordo com as Ordens dos Hospitalarios  e do Santo Sepulcro foi realizado  em Setembro de 1140. Em novembro de 1143, com o apoio do Papa, foi a vez dos templários, os quais receberam em compensação: cinco castelos aragoneses, um décimo da receita real mais cem soldos ao ano daqueles de Saragoça, um quinto de todas as terras conquistadas dos mouros e isenção de pedágios.

Ramon foi ainda bem sucedido ao retirar Aragão de sua submissão a Castela. Ele foi indubitavelmente, auxiliado por sua irmã Berengária de Barcelona, casada com Afonso VII de Castela.

O compromisso entre Ramón e Petronila



pintura de Ramón e Petronila
Em 11 de Agosto de 1137, em Barbastro, efetuou-se o compromisso de casamento entre Ramón e a infanta Petronila de Aragão, então com apenas um ano de idade. Seu pai, Ramiro II, sucessor de Afonso, que procurara sua ajuda contra Afonso VII de Castela, abdicou em 13 de Novembro daquele mesmo ano, deixando seu reino para Ramón. Este se tornou essencialmente o governante de Aragão, apesar de nunca ter recebido o título de rei, mas sim conde de Barcelona e príncipe do Reino de Aragão.



O acordo entre Ramón e seu sogro estipulava que seus descendentes reinariam sobre ambos os domínios. Mesmo se Petronila morresse antes de que o casamento fosse consumado, Ramón ainda herdaria o título de rei de Aragão. Tanto Barcelona quanto Aragão preservariam suas leis, suas instituições e sua autonomia, permanecendo legalmente distintos, embora federados numa união dinástica sob uma única casa reinante. Os historiadores consideram este arranjo um grande acerto político, já que ambos os domínios se fortaleceram e Aragão conseguiu sua tão carecida saída para o mar. Além do que,  a formação de uma nova entidade política no nordeste da Península Ibérica, com a separação do Reino de Portugal do Reino de Leão, e consequente independência do primeiro,  deu mais equilíbrio aos reinos cristãos.


O casamento de Petronila com Ramón Berenguer IV foi celebrado treze anos depois em Lérida, em agosto de 1150, quando a rainha atingiu a idade requerida pelo direito canônico para poder consumar o matrimônio, catorze anos.


Com o casamento do conde Ramón Berenguer IV (do Condado de Barcelona) com Petronila de Aragão (do Reino de Aragão) formou-se como confederação a Coroa de Aragão, mantendo ambos, reino e condado (mais tarde como o Principado da Catalunha), suas próprias instituições administrativas.

Ordens militares

medalha das ordens militares
Com Ramon Berenguer IV, a cidade de Barcelona experimentou uma recuperação a partir de 1140 graças às novas forças: as ordens militares .


Os cavaleiros templários foram poderosos também em Barcelona. Em 1134 estabeleceram um de seus quarteis generais no Mediterrãneo. A filial barcelonesa dos monges guerreiros se instalou pouco depois de sua criação. Dessa passagem resta um último vestígio, a que foi a capela da ordem e hoje é a paróquia de Santa Maria de Palau gerida pelos jesuítas. 

Quando a ordem foi destruída no início do século XIV, as suas propriedades em Barcelona foram transferidos para a Ordem dos Hospitalários.  A sede dos Templários, em seguida, tornou-se o palácio real Menor, que foi demolido em 1866. 



foto do interior da capela de Santa Maria do Palau

A capela de Santa Maria del Palau guarda ainda outras relíquias como um pequeno banco e dois colchões que foram usados por Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, durante a sua estadia em Barcelona, em 1523.


Expansão da Coroa de Aragão - Jaime I (1213 a 1276)




 brasão da coroa de Aragão  Durante os quinze primeiros anos do seu reinado, Jaime I esteve envolvido em diversos conflitos contra a nobreza aragonesa, que chegou inclusive a aprisioná-lo em 1224. Em 1227, enfrentou uma nova rebelião nobiliárquica, encabeçada pelo infante Fernando, seu tio. Esta terminou graças à intervenção papal, através do arcebispo de Tortosa, com a assinatura da concórdia de Alcalá em Março de 1227. Este tratado marcou o triunfo da monarquia sobre os nobres revoltosos, dando-lhe a estabilidade necessária para iniciar as campanhas contra os muçulmanos e o próprio apaziguamento das reclamações da nobreza.

A expansão da Coroa de Aragão, teve início com a conquista das cidades de Lérida, Tortosa, Reino de Maiorca (nas Ilhas Baleares), Reino de Valência (que permaneceu com corte própria), Coroa da Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares), Sardenha (ilha italiana). Até às primeiras décadas do século XIV, a coroa teve o seu apogeu, que começou a mudar com o surgimento de catástrofes naturais, crises demográficas, recessão da economia catalã, o surgimento de tensões sociais e crise sucessora (o Rei Martin I não deixou sucessor nomeado).  

Barcelona tem seu próprio governo -  

O reinado de Jaime I marcou o nascimento de uma consciência territorial nos distintos reinos da Coroa de Aragão, especialmente em Aragão, Valência e na Catalunha. Dois principais fatores contribuíram para isto: a normalização do Direito e a transformação das Cortes em um órgão reivindicativo e representativo da vontade do reino, actuando como catalisadores da criação de uma consciência diferenciadora de cada território.


Os Tribunais de Aragão foram promulgados nas cortes de Huesca em 1247, substituindo os diferentes códigos locais do reino. Os Usatges de Barcelona("Usos de Barcelona"), graças à proteção real, estenderam-se por todos os condados catalães nos meados do século XIII. Os tribunais valencianos (Foris et consuetudines Valentiae), outorgados por Jaime I em 1240 só triunfariam definitivamente em 1329. 

Em 1244, Jaime I estabeleceu o rio Cinca como a divisória entre Aragão e a Catalunha. Desde então, as Cortes de cada reino reuniram-se separadamente.

Os Usatges de Barcelona



 Os Usatges - regras que formaram a base da constituição catalã   Os Usatges (Usos) de Barcelona, foram as regras que formaram a base da Constituição Catalã. Eles constituem as leis  fundamentais e direitos básicos da Catalunha codificadas no seculo XIII. Os Usatges combinaram fragmentos da lei Romana e Visigótica com as resoluções da Corte de Barcelona e dos Canônes religiosos dos sínodos eclesiásticos. 



Os primeiros Usatges foram compilados por Ramon Berenguer I, Conde de Barcelona (1035–1076), para reparar as deficiencias da lei Gótica. Entretanto evidências do uso primeiro aparecem no trabalho de Jaime I. O Rei Jaime I vendo que alguns juizes seguiam a lei gótica e outros  a lei romana, abordou as Cortes em 1251 para estabelecer a primazia dos Usatges. Embora a sua aplicação legalmente devesse ser apenas no Condado de Barcelona, na prática elas foram aplicadas em toda região da Catalunha.

III - Continuação


Esse "post" terá as seguintes continuações que ainda estão em desenvolvimento:

- História de Barcelona II - Da coroa de Aragão à época Moderna

IV - Referências

De Barcino a BCN - História de Barcelona - https://www.bcn.cat/historia/
Jaume Sobrequéscatedrático de Historia de la Universidad Autónoma de Barcelona y director del proyecto "De Barcino a BCN".

De los textos:
Capítulos 1 a 23 y pies de foto: Matilde V. Alsina, historiadora.
Capítulos 24 a 45: Daniel Venteo, historiador.

=======================================

Wikipedia: Catalunha / Historia de Barcelona / Condes e Reis de Aragão

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Grupo Corpo - Companhia de Dança Contemporânea, de Minas para o Mundo

I - O Grupo Corpo


O Grupo Corpo é uma companhia de dança contemporânea brasileira de renome internacional criada em 1975 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

A companhia foi fundada por Paulo Pederneiras (diretor-geral), Rodrigo Pederneiras (inicialmente bailarino e depois coreógrafo), Isabel, Pedro Pederneiras, , Miriam Pederneiras, e Zoca. 106 bailarinos passaram pelo Corpo em 40 anos de história. 

foto de dois bailarinos em uma apresentação. A moça está totalmente apoiada no ombro do bailarino sem colocar os pés no chão
A inspiração para a montagem do grupo surgiu após Rodrigo Pederneiras ter participado de uma oficina realizada durante o Festival de Inverno da UFMG com o bailarino argentino Oscar Araiz.  O primeiro espetáculo do grupo, Maria Maria, foi coreografado por Oscar Araiz, percorreu 14 países e permaneceu em atividade no Brasil de 1976 até 1982. Todos os irmãos de Pederneiras se envolveram com o Grupo Corpo em certo ponto: José Luiz abandonou a medicina para virar fotógrafo , Pedro tornou-se diretor técnico, e as irmãs Míriam e Mariza foram dançarinas. 

Em 1978, juntou-se ao grupo Emilio Kalil, que assume a co-direção junto com Paulo Pederneiras. O Grupo Corpo foi companhia residente na Maison de La Danse em Lyon na França de 1995 a 1999

II - O Primeiro Espetáculo- Maria Maria 

(Música de Milton Nascimento, Texto Fernando Brant)



"Maria Maria, um simples nome de mulher.
Corpo negro de macios segredos, olhos vivos
farejando a noite, braços fortes trabalhando o dia.

Memória de longa desventura da raça,
intuição física da justiça.
Alegria, tristeza, solidariedade e solidão.

Mulher-pantera, fera, mulher-vida, vivida.

Uma pessoa que aprendeu vivendo
e nos deixou a verdadeira sabedoria:
a dos humildes, dos sofridos,
dos que têm o coração maior que o mundo."

(Trecho de Maria Maria, texto de Fernando Brant) 


a) A aposta


O grupo Corpo completou 40 anos em 2015. Nesse vídeo, um de seus fundadores o Rodrigo Pederneiras fala do início do grupo e do espetáculo Maria Maria.




O grupo desde o início quis começar com algo de grande qualidade e impacto para firmar a marca como algo inovador. Para isso decidiram convidar uma equipe de peso , liderada pelo coreógrafo argentino Oscar Araiz, Milton Nascimento e Fernando Brant. 

Apesar de ser um empreendimento dificílimo, cheio de desafios, os três acabaram sendo extremamente receptivos com o projeto, que se viabilizou por meio de empréstimos bancários. O grupo era desconhecido e iniciante enquanto os três já eram artistas renomados. Eles entretanto não só aceitaram o desafio como também mergulharam na montagem com bastante generosidade. 

Toda parte de criação de Maria Maria, do iluminador ao figurinista, veio de Buenos Aires da equipe do Oscar Araiz. Em Belo Horizonte, o Brant se responsabilizou pelo roteiro e os textos e, a partir deles, Milton, que abraçou o projeto com generosidade incomum, compôs a música. 



Maria Maria nasceu num leito qualquer de madeira. 


"Infância incomum pois nem bem ela andava, falava e sentia e já suas mãos ganhavam os primeiros calos do trabalho precoce. Infância de roupa rasgada e remendada, de corpo limpo e sorriso bem aberto. 

Infância sem brinquedos mas cheia de jogos aprendidos com as velhas que lavavam roupa nas margens do Jequitinhonha. Infância que acabou cedo, pois já aos quatorze anos, como é normal na região ela já estava casada. 

Do casamento ela se lembra pouco, ou não quer muito se lembrar. Homem estranho aquele a lhe dar balas e doces em troca de cada filho. Casamento que em seis anos, seis filhos lhe concedeu. Os filhos se amontoavam nos quatro cantos da casa.

Enquanto ela estendia a roupa na beira dos trilhos, os seis meninos sentados brincavam na terra fofa. Os seus olhinhos de espanto não entendiam  de nada. 

De repente, notícia vinda dos trilhos. Maria Maria era viúva. Pela primeira vez a morte entrava em sua vida e vinha em forma de alívio. 

E de retalho em retalho Maria se definiu: solidária, solitária, operária e brincalhona. Ela pode ao mesmo tempo ser Maria e ser exemplo de gente que trabalhando em todas as horas do dia, conserva em seu semblante toda pura alegria, de gente que vai sofrendo e quanto mais sofre, mais sabe."  (trecho do texto Maria Maria) 

A estréia

A estréia de Maria Maria, em 1976, foi com uma temporada no maior palco de Minas, o Grande Teatro do Palácio das Artes, algo impensável até então para uma companhia local. 

Na medida em que Oscar Araiz ia coreografando, o grupo ia convidando pessoas de confiança para ver trechos em primeira mão. Saíam entusiasmadas. A estratégia contribuiu para gerar comentários positivos por toda a cidade e, quando finalmente chegou o grande dia, foi impressionante. Os ingressos para Grupo Corpo da temporada se esgotaram. Uma grande sorte ter acontecido logo na primeira montagem. Porém, de certa forma, o grupo tinha confiança no sucesso, porque no Brasil ainda não havia nada semelhante.

III -  A Profissionalização 


De 1976 a 1982, enquanto o sucesso de Maria Maria ainda repercutia em apresentações pelo Brasil e diversos países da Europa e da América do Sul, o Grupo Corpo não se dava descanso. Colocou em cena nada menos que seis coreografias assinadas por Rodrigo Pederneiras, que assume o posto de coreógrafo-residente em 1981 e, juntamente com Paulo Pederneiras – diretor artístico da companhia e responsável pela iluminação e cenários dos espetáculos - acaba por moldar a personalidade e as feições definitivas do grupo.

A condução do Paulo na direção artística, de Rodrigo na coreografia  e a participação de pessoas que estão no grupo desde longa data  como Pedro, Macau, Mirinha, Fernando e a Cri foram fundamentais para que a companhia desse certo. Também foi importante o processo de gerenciamento que foi implantado desde o princípio. Não se realizava reuniões, não existia patrulhamento, o espírito de liberdade sempre existiu.  

IV - Alguns trabalhos


a) Prelúdios (1985)


Em 1985, chegava aos palcos o segundo grande marco na carreira do grupo: Prelúdios, leitura cênica da interpretação do pianista Nelson Freire para os 24 prelúdios de Chopin. O espetáculo, que faz sua estreia no I Festival Internacional de Dança do Rio de Janeiro, é aclamado pelo público e pela crítica, e termina de firmar o nome do grupo no cenário da dança brasileira.

b) Vinte e Um (1992)


Em 1992 emerge o divisor de águas do Grupo Corpo: 21, o balé que firmaria a imparidade da sintaxe coreográfica de Rodrigo Pederneiras e a inconfundível persona cênica da companhia. A partir da sonoridade singular da oficina instrumental mineira Uakti e dez temas compostos por Marco Antônio Guimarães, o coreógrafo deixa de lado a preocupação com a forma e começa a investir na dinâmica do movimento, buscando, através do desmembramento de frases musicais e rítmicas, a escritura de uma partitura de movimentos menos pautada na construção melódica, e mais interessada no que subjaz a ela. 





O resgate da ideia de trabalhar com trilhas especialmente compostas, que havia marcado os três primeiros espetáculos do grupo nos idos dos anos 70, permite também que ele avance na investigação de um vocabulário identificado com suas raízes brasileiras.


c) Parabelo (1997)


Publicado em 2 de abr de 2015 
coreografia: Rodrigo Pederneiras   música: Tom Zé e Zé Miguel Wisnik
cenografia: Fernando Velloso e Paulo Pederneiras - figurino: Freusa Zechmeister 
iluminação: Paulo Pederneiras

No interior do Brasil, os ritmos são os personagens de uma cultura que nunca para de se transformar. A música de Tom Zé/José Miguel Wisnik parte desta característica e faz dela sua fonte. A coreografia materializa o traço que mais tem distinguido a obra de Rodrigo Pederneiras: o trânsito entre a arte popular e a arte erudita. Aqui, estas fronteiras estão dissolvidas.

Parabelo irradia aquilo que vem da terra. E apresenta um Brasil polvilhado de nuances regionais.

Essa coreografia foi apresentada na cerimônia de encerramento das Olimpíadas, Rio 2016.

Entre 1996 a 1999, o grupo atua como companhia residente da Maison de la Danse, de Lyon, França, fazendo neste período a estreia europeia de suas criaçõe Bach, Parabelo e Benguelê.

d) Dança Sinfônica (2015)


“Dança Sinfônica”, coreografado por Rodrigo Pederneiras e com trilha do músico e compositor Marco Antônio Guimarães, faz uma espécie de homenagem as pessoas que fizeram o Corpo nestes 40 anos



V - As raízes de Minas  


A casa do Grupo Corpo sempre foi Belo Horizonte, e o grupo não pensa em morar no exterior, no Rio ou São Paulo. De acordo com Rodrigo "O nosso lugar é aqui e não precisamos sair de Minas para ter mais repercussão. Há vários anos temos uma agenda externa que nos leva, regularmente a cada ano, a realizar pelo menos duas turnês americanas e européias. Atualmente nos apresentamos em vários dos principais teatros do mundo, e são tantos os convites que recusamos alguns por falta de espaço na agenda."

A família Pederneiras


foto da família pederneiras com uma moça e quatro rapazesA Rodrigo coube dar a marca ao Corpo, criar uma escritura coreográfica única e original. José Luiz abandonou a medicina, encantou-se pelas imagens e, mesmo vivendo no Rio de Janeiro, mantém o elo com os irmãos, assinando todo o material fotográfico do grupo. Pedro tornou-se diretor técnico; Míriam, ao abandonar as sapatilhas, criou a ONG Corpo Cidadão; e Mariza, depois de dançar por muitos anos, vive hoje na Alemanha.


VI - Os músicos que trabalharam com o Grupo


O minimalismo de Philip Glass (Sete ou Oito Peças para um Ballet, 1994), o vigor pop e urbano de Arnaldo Antunes (O Corpo, 2000), o experimentalismo primigênio de Tom Zé (Santagustin, de 2002 e, em parceria com Wisnik, Parabelo, de 1997), a africanidade de João Bosco (Benguelê, 1998), versos metafísicos de Luís de Camões e Gregório de Mattos à luz de Caetano Veloso e José Miguel Wisnik (Onqotô, 2005), a modernidade enraizada de Lenine (Breu, 2007), a diversidade sonora de Moreno, Domenico e Kassin (Ímã, 2009), as canções medievais de Martín Codax na releitura de Carlos Nuñez e José Miguel Wisnik (Sem Mim, 2011) dão origem a espetáculos de têmperas essencialmente diversas – cerebral, cosmopolita, interiorano, primordial, existencialista, brutal, moderno, lírico – sem que se percam de vista os traços distintivos do Grupo Corpo.



VII - Referências



Rodrigo Pederneiras e o Grupo Corpo Dança Universal

https://aplauso.imprensaoficial.com.br/ - História de Rodrigo Pederneiras coreógrafo e fundador do grupo Corpo -  Publicaçao de Sérgio Rodrigo Reis

Historia do grupo O Corpo - site oficial: 

Maria Maria, video completo: https://www.youtube.com/watch?v=LjIJj9ajKhQ

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Chelsea FC e o Stamford Bridge, Londres

I - Estádios de Futebol


Quem viaja com criança ou adolescente pela Europa tem que fazer algumas combinações entre museus, igrejas, parques de diversão e em alguns casos especiais, para quem tem filhos que amam futebol, visitar os Estádios de clubes famosos. Normalmente esses estádios são bem luxuosos e contam com museu de conquistas com a história dos clubes, visitas guiadas que passam também pelos vestiários, sala de entrevistas, arquibancadas e cadeiras numeradas. Finalmente tudo acaba na loja de venda de artigos esportivos do clube. É uma opção divertida e faz um equilibrio para toda família. Receita de Sucesso garantido. Começaremos com o estádio do Chelsea em Londres e seguiremos outros posts com mais 06 estádios. Os Estádios brasileiros, pricipalmente depois da Copa, não deixam a desejar e também serão incluidos nos posts futuros.

II - Stamford Bridge - Estádio do Chelsea em Londres


O Stamford Bridge é um estádio de futebol localizado no centro da cidade de Londres, e é sede do Chelsea Football Club. Inaugurado em 1877, foi adquirido em 1896 pelos irmãos Gus e Joseph Mears.

a) Visão Exterior


 foto da entrada do museu e do estádio do Chelsea
Entrada do Museu e Estádio  do Chelsea, foto historiacomgosto


Com capacidade para cerca de quarenta e três mil pessoas, foi inaugurado em 28 de Abril de 1877. O estádio foi construido pelos proprietários do London Athetics Club, para competições de atletismo, e comprado pelos irmãos Gus e Joseph Mears em 1896, mas só tomando posse em 1904. 

A intenção dos irmãos Mears, era que o estádio recebesse partidas do mais alto nível do futebol. Após fracassos em trazer partidas da elite do futebol inglês, resolveram vender o estádio, mas por conselho de seu amigo Fred Parker, os irmãos Mears resolveram não vende-lo e, criar um clube para disputar partidas no estádio, surgindo assim, o Chelsea Football Club.

Após as obras de modernização, visando a segurança e o conforto dos espectadores, o estádio teve sua capacidade reduzida para 41.841 torcedores, mas o seu recorde de público deu-se em 12 de Outubro de 1935, no clássico londrino contra o Arsenal, quando foram registrados 82.905 torcedores


b) Visão Interna


 foto com visão interna do estádio
visão interna estádio, foto historiacomgosto


c) Cadeiras e Gramado


Surpreendente como todas as cadeiras e os torcedores em consequência ficam perto do gramado. Praticamente nenhuma separação.

foto do estádio com visão maior do gramado   foto da parte inerna do estádio com visão das cadeiras e gramado


III - Chelsea F.C. 


O Chelsea Football Club foi fundado em 10 de março de 1905, o clube conquistou cinco vezes o Campeonato Inglês, sete vezes a Copa da Inglaterra, cinco vezes a Copa da Liga e quatro vezes a Supercopa da Inglaterra como títulos nacionais; nos internacionais, venceu uma vez a Liga dos Campeões da UEFA, uma vez a Liga Europa, duas a Recopa, e uma Supercopa Europeia.

Entre 1939 e 1945, o Chelsea foi forçado a abandonar a Liga Inglesa, juntamente com muitos outros clubes, devido a Segunda Guerra Mundial, uma vez que todos os resultados obtidos durante o conflito foram vistos como "não oficiais".

O clube teve seu primeiro grande sucesso em 1955, quando conquistou o seu primeiro título inglês. No entanto, o clube viveu seus melhores momentos durante a década de 2000 e inicio da seguinte, niveladas por conquistar quatro vezes o título nacional inglês, e uma vez cada os dois principais torneios europeus, a Liga dos Campeões da UEFA e a Liga Europa da UEFA, sendo o primeiro clube inglês a conquistar os quatro torneios mais importantes. 

O Chelsea faz os seus jogos de casa no estádio Stamford Bridge, com capacidade para 41.663 espectadores, e que fica localizado em Fulham Road.  O clube foi comprado em 2003 pelo magnata do petróleo russo Roman Abramovich.


a) O escudo


 foto do símbolo do clube   A cor tradicional do clube é o azul real, utilizado para as camisas e calções, enquanto que o branco é utilizado nas meias. Seu escudo é tradicionalmente composto por um leão segurando uma bengala. A versão original deste escudo foi utilizado pela primeira vez em 1953, quando Ted Drake foi o responsável por mudar a imagem do clube. O escudo foi alterado em 2005, para comemorar o centenário do clube, e ainda continua a ser utilizado.

 O clube dispõe de um grande número de torcedores e tem a quinta maior média de público da Inglaterra. E, segundo pesquisa divulgada em 2010, o clube também dispõe da quarta maior torcida do continente europeu, com aproximadamente 22 milhões de torcedores, número que inclui simpatizantes de outros países.


b) Museu e História do Clube


 foto de um painel de cinco jogadores, Peter Chec e mais quatro   foto do time campeão da Champions 2012 autografada

c) Troféus

 foto da vitrine de troféus   foto de vitrine de chuteiras, pratos e taças

d) Uniformes


Desde sua fundação em 1905 até hoje, os Blues já usaram 68 modelos de uniformes. O primeiro deles, criado no ano da fundação, foi utilizado até 1911. Diferentemente do tradicional azul, a camisa era verde oliva. Essa tendência seguiu até 1920. Somente em 1921 que o uniforme ganhou a cor azul.


 foto de vários modelos de camisa utilizadas
 foto de homenagem a José Mourinho
Homenagem a Mourinho


1960 foi uma década de mudanças – as quais se familiarizam com o uniforme atual. Os meiões passaram a ser azuis e na era Tommy Docherty (segunda metade da década) , o Chelsea aderiu aos calções azuis e meiões brancos. Segundo o treinador, a cor servia para destacar o time, já que nenhuma outra equipe usava uniforme nesse estilo.

Os anos 2000 marcaram a mudança de patrocinador do Chelsea: a Umbro deu lugar a Adidas. Os uniformes evoluíram em termos de tecnologia e ficaram mais modernos nos desenhos.


e) Os Cinco Maiores Ídolos: Tery, Lampard, Peter Osgood (ingleses) e Drogba (Costa do Marfim) , Petr Cech (Republica Tcheca)



foto de John Terry um dos maiores ídolos do clube    1. JOHN TERRY | 1998-Atualidade | Goste dele ou não, John Terry foi capitão do Chelsea na temporada mais vitoriosa da equipe. Foi o líder do time nas taças de quatro Premier League, cinco Copas da Inglaterra, três Copas da Liga Inglesa, uma Liga Europa e uma Champions League.








2. FRANK LAMPARD | 2001-2014 | Quebrou o recorde de maior artilheiro do clube, marcando 211 vezes, algo incomum para um meio-campista. Conquistou a Champions League, a Liga Europa e muitas Copas da Inglaterra e Copas da Liga Inglesa.


 foto de camisas da Cole e Lampard    foto de camisa de John Terry

3. PETER OSGOOD | 1964-1974 e 1978-1979 | Artilheiro do time na década de 60 e 70, marcou em todos os jogos da Copa da Inglaterra de 1970 e brilhou na Liga dos Campeões da Europa em 71, marcando também na final contra o Real Madrid.

4. DIDIER DROGBA | 2004-2012 e 2014-2015 | Um dos maiores atacantes da história da Premier League. Drogba conquistou três títulos da Premier League pelo clube entre 2004 e 2010 e marcou na conquista da Champions League, em 2012.



 foto de Petr Cech goleiro  5. PETR CECH | 2004-2015 | Substituiu Carlo Cudicini em 2004-05 e conquistou quatro Premier League, quatro Copas da Inglaterra, a Liga Europa e a Champions League; FA Cups, the Europa League and Champions League, antes de deixar o clube e assinar com o Arsenal.


f) Vestiários


Os uniformes dos jogadores ficam já separados em frente dos seus escaninhos. Na época jogavam no Chelsea os brasileiros Deco (naturalizado português) e Alex, e os famosos ingleses Lampard, Therry e Ashley Cole.


 foto do lado esquerdo do vestiário com metade das camisas postas   foto do lado direito do vestiário com camisas dos jogadores em frente aos seus armários



g) Sala de Imprensa e Técnicos


Na sala de imprensa os jogadores  e técnicos dão entrevistas após os jogos.

foto da sala de imprensa do estádio onde técnico e jogadores dão entrevistas

O Chelsea já teve grandes técnicos como: José Mourinho, Roberto di Matteo, e o atual Antonio Conte.

h) Loja - MegaStore


Ao lado da entrada do Estádio tem uma MegaStore onde é posível compra camisas, bolas e demais artigos esportivos relacionados com o Chelsea F.C.

 foto da entrada da Megastore onde se compra artigos do Chelsea
MegaStore - foto Chelseafc.com


IV - Um time Campeão - "Champions League (2012)"


O Adversário seria o Bayern, que havia eliminado o forte time do pReal Madrid, campeão espanhol naquela temporada, e que contava Cristiano Ronaldo no elenco. Além disto, os alemães jogariam a final em seu estádio, a Allianz Arena.
O Bayern chegou a abrir o placar já no final do jogo, com um gols de Muller, mas levou o empate do Chelsea em gol de Drogba. O time alemão perdeu um pênalti com Robben na prorrogação e viu o goleiro do Chelsea Petr Cech virar herói nos pênaltis, ao defender as cobranças de Schweinsteiger e Olic, dando a primeira taça da Liga dos Campeões na história aos Blues.



  foto do time do Chelsea campeão da Champions League de 2012
Time do Chelsea, Campeão da "Champions League" 2012, foto https://www.futeboleuropeu.com.br/

Escalação do Chelsea F.C. 
Titulares
GK 1    Petr Čech

RB 17 José Bosingwa
CB 24 Gary Cahill
CB 4    David Luiz 86'
LB 3    Ashley Cole 81'

DM 12 Mikel John Obi
CM 8    Frank Lampard (c)
RW 21 Salomon Kalou 84
'
AM 10 Juan Mata
LW 34   Ryan Bertrand 73'
CF 11   Didier Drogba

Reservas que Participaram
MF15 Bandeira da França Florent MaloudaEntrou em campo após 73 minutos 73'


FW9Bandeira da Espanha Fernando TorresPenalizado com cartão amarelo após 120 minutos 120'Entrou em campo após 84 minutos 84'

Técnico
Bandeira da Itália Roberto Di Matteo





V - Curiosidade - "A Batalha de Stamford Bridge"


A morte do rei Eduardo, o Confessor, da Inglaterra em janeiro de 1066 se tornou um estopim para uma disputa pelo trono da Inglaterra entre diversos reis do noroeste da Europa. Entre os reis que ambicionavam o trono inglês estava o rei Haroldo Manto Cinzento da Noruega, que reuniu um exército de 15 000 homens, numa frota de 300 navios, para invadir a Inglaterra. Chegando na Inglaterra em setembro de 1066, ele se reuniu com outras tropas que haviam sido recrutadas na Escócia por Tostig Godwinson.


 foto do quadro com a batalha de Stamford Bridge  A Batalha de Stamford Bridge ocorreu próximo à vila de Stamford Bridge, ao leste de Yorkshire, Inglaterra, em 25 de setembro de 1066, entre um exército inglês sob as ordens do rei anglo-saxãoHaroldo II Godwinson e a força invasora norueguesa liderada por Haroldo Manto Cinzento e o irmão do rei inglês, Tostig Godwinson. 



Depois de uma batalha sanguinária, os ingleses surgiram como vencedores. Haroldo e Tostig, assim como milhares de soldados noruegueses, foram mortos. Embora, tenha derrotado a invasão norueguesa, a vitória não pôde ser usufruída, pois menos de três semanas depois, Haroldo II seria derrotado e morto pelos invasores normandos na Batalha de Hastings. 


A Batalha de Stamford Brigde é simbolicamente retratada como o marco inicial do declínio da Era Viquingue, embora tenham ocorrido invasões escandinavas ainda maiores na Inglaterra nas décadas seguintes, notavelmente, as campanhas do rei Sweyn Estrithson da Dinamarca em 1069–70 e rei Magnus Barefoot da Noruega em 1098 e 1102–03.


VI - Referências


- HistoriacomGosto - Fotos e Notas de Viagem
- Wikipedia: Stamford Bridge Stadium e Stamford Brdge Batle
- Chelsea F.C. - História do Clube
-  Ídolos do Chelsea F.C - https://www.goal.com/
- Time Campeão: https://www.futeboleuropeu.com.br/

Pinacoteca di Brera: Milão muito além da Moda!

I. A Herança Cultural da Pinacoteca de Brera Quando pensamos em Milão, as primeiras imagens que costumam vir à mente são as passarelas de al...