segunda-feira, 18 de abril de 2016

Cafés do Mundo 4 - "A Brasileira do Chiado"

1. - Introdução


A Brasileira, ou "A Brasileira do Chiado" é um famoso café de Lisboa, localizado na Rua Garret números 120-122, no Largo do Chiado. O Café foi fundado em 19 de Novembro de 1905 por Adriano Soares Teles do Vale quando do seu retorno do Brasil.


foto do letreiro na fachada atual - A Brasileira
Café "A Brasileira", Chiado, Lisboa


2. - Histórico


O português Adriano Soares Teles emigrou para o Brasil quando era jovem. Aqui ele casou com uma filha de fazendeiros de Minas Gerais, onde ele se dedicou à fundação de um estabelecimento comercial chamado "Ao Preço Fixo" e à produção agrícola, especialmente de café, que exportava para Portugal.

Regressando para  Portugal, por motivos de saúde da primeira mulher, criou uma rede de pontos de venda do café que produzia e importava do Brasil: As famosas "Brazileiras",


 foto da fachada e do letreiro da casa A Brazileira poucos anos depois de  fundada em 1911
A Brazileira do Chiado - foto de Joshua Benoliel, 1911


Foram instaladas lojas "As Brazileiras" em Lisboa, Porto, e Braga

III - Ligações com as Artes


O fundador da rede, Adriano Soares, foi também um homem de cultura  com interesse pela música e pela pintura. Fundou a Banda de Alvarenga, financiando a compra dos seus primeiros instrumentos, e fez da Brasileira do Chiado o primeiro museu de arte moderna em Lisboa. 

Em 1908 fez uma remodelação, criando então a cafeteria.

Com as liberdades de reunião e associação após a Implantação da República Portuguesa, em 5 de Outubro de 1910, e a instalação do Diretório Republicano no Largo de São Carlos (entretanto rebatizado Largo do Directório, precisamente no 1.º andar do edifício onde nasceu Fernando Pessoa), A Brazileira tornou-se um dos cafés mais concorridos de Lisboa devido à sua proximidade.

A partir dessa época A Brazileira foi o cenário de inúmeras tertúlias intelectuais, artísticas e literárias. Por lá passaram os escritores e artistas, reunidos em torno da figura do poeta-general Henrique Rosa (tio adotivo de Fernando Pessoa), que viriam a fundar a Revista Orpheu.

Em 1925 A Brazileira passou a expor onze telas de sete pintores portugueses da nova geração, que então frequentavam o café, selecionados por José Pacheko, ele próprio um dos pintores.

Fernando Pessoa


Fernando António Nogueira Pessoa é um escritor e poeta português, nascido em Lisboa, 13 de junho de 1888 e falecido também em  Lisboa em 30 de novembro de 1935. 

Fernando Pessoa foi educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, e chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português, escrevendo os seus primeiros poemas nesse idioma.

Enquanto poeta, ele escreveu sob diversas personalidades – heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Alberto Caeiro e Bernardo Soares.

Durante toda a sua vida em Lisboa, Fernando Pessoa foi um frequentador assíduo do café, tendo sido instalada uma estátua sua em frente ao mesmo. 

foto da escultura de Fernando Pessoa sentado em uma mesa
foto @nito
1888: Fernando António Nogueira Pessoa nasce, a 13 de Junho. É batizado em Julho.
1893: A 24 de julho, o pai morre, de tuberculose. A família é obrigada a leiloar parte dos bens.
1894: O futuro padrasto, João Miguel Rosa, é nomeado cônsul interino em Durban, na África do Sul.
1896: Em 7 de Janeiro, é concedido o passaporte à mãe, e a família parte para Durban
1905:  Parte definitivamente para Lisboa, onde passa a viver com a avó Dionísia. 
1906: Matricula-se, em Outubro, no Curso Superior de Letras. A mãe e o padrasto retornam a Lisboa e Pessoa volta a morar com eles. 
1910: Escreve poesia e prosa em português, inglês e francês.
1913: Intensa produção literária. Escreve O Marinheiro.
1914: Cria os heterónimos Álvaro de CamposRicardo Reis e Alberto Caeiro. Escreve os poemas de O Guardador de Rebanhos e também o Livro do Desassossego.
1934: Publica Mensagem.
1935: Em 29 de Novembro, é internado com cólica hepática. Morre no dia 30 do mesmo mês.

IV - Café "A Brasileira" , atualmente


Atualmente o café "A Brasileira" continua bem frequentado, e passou  a servir também pratos típicos portugueses como o Bacalhau com Legumes, entre outros. Praticamente todos os brasileiros de passagem por Lisboa dão uma passadinha pelo café.


foto do belo interior da cafeteria
                        foto de Jorg Kackemann em Shutterstock.com


- Outras fotos


foto da calçada com muitas mesas
       foto de Nito em Shutterstock.com
 foto do interior com muita gente em pé no balcão



V - Localização e vizinhanças


O chiado é um bairro bem localizado, tendo a característica  de abrigar teatros, restaurantes e sobrados antigos.


 foto de cerâmica da calçada node está escrito A Brasileira 122   120   foto de Museu no Chiado




foto de um  belo prédio no  Chiado   foto de uma instalação cultural com escadas pelo lado de fora nas paredes


VI - Outras publicações



a) Cafés do Mundo I - Café New York, Budapeste


b) Cafés do Mundo II - Confeitaria Colombo, Rio de Janeiro

c) Cafés do Mundo III - Café Florian, Veneza

d) Cafés do Mundo V - Café Tortoni, Buenos Aires


VII - Referências


Todos os textos foram consultados da Wikipedia- Café - A Brasileira, Fernando Pessoa - 

Fotos que não tenham autor especificado são de HistoriacomGosto.blogspot.com


quarta-feira, 13 de abril de 2016

Lição de Anatomia do Dr. Nicolaes Tulp - Rembrandt van Rijn

I - Lição de Anatomia - O Quadro



A Lição da anatomia do Dr. Nicolaes Tulp é uma pintura a óleo sobre tela de Rembrandt realizada em 1632 e exibida no Museu Mauritshuis em Haia,  Holanda. No quadro, o Dr. Nicolaes Tulp é retratado explicando a musculatura do braço para profissionais médicos.



quadro Lição de Anatomia de Rembrandt
Lição de Anatomia, Rembrandt, 1632, Museu Maritshuis


II - Histórico


Rembrandt tinha apenas vinte e cinco anos, quando recebeu a importante tarefa de retratar os cirurgiões de Amsterdã. O quadro foi encomendado para a lição de anatomia dada pelo Dr. Nicolaes Tulp, em janeiro de 1632.

Rembrandt retratou os cirurgiões em ação, e todos eles estão olhando para coisas diferentes.

O dinamismo é adicionado à cena pelos grandes contrastes entre claro e escuro. Neste retrato de grupo, o jovem pintor mostrou sua técnica lendária e seu grande talento para pintar quadros realistas. (Texto do Museu Mauritshui).


III - Contexto da Pintura


O data do evento pode ser atribuída a 31 de janeiro de 1632: Na época, o "Amsterdam Guild of Surgeons (Associação de Cirurgiões)" , da qual Tulp era o anatomista oficial da cidade, autorizava apenas uma dissecção pública por ano. Além disso, o  corpo teria que ser o de um criminoso executado.

No século 17, as aulas de anatomia eram um evento social, que tinham lugar em salas de aula na forma de anfiteatros, com participação de estudantes, colegas e o público em geral, mediante o pagamento de uma taxa de entrada. Os espectadores se vestiam adequadamente para a ocasião.

A cada período de cinco a dez anos, a Associação dos Cirurgiões, encomendava um retrato por um pintor retratista líder do período; 

Rembrandt foi contratado para esta tarefa quando ele tinha entre 25 e 26 anos, e recém-chegado em Amsterdã. Foi seu primeiro trabalho importante em Amsterdã. 

Cada um dos homens incluídos no retrato pagava uma determinada quantia de dinheiro para ser incluída no trabalho, e as figuras mais centrais (neste caso, o Dr. Tulp) provavelmente pagavam mais. 

O quadro da anatomia de Rembrandt alterou radicalmente as convenções do gênero, através da inclusão de um cadáver de corpo inteiro no centro da imagem (usando como exemplo a  iconografia Cristã) e criou não apenas um retrato, mas uma representação dramática. 

A imagem de Rembrandt é uma ficção; em uma lição de anatomia normal, o cirurgião iria começar por abrir a cavidade torácica e tórax porque os órgãos internos lá se deterioram mais rapidamente.  (Texto copiado da Wikipedia em Lingua Inglesa, com livre tradução)


IV - Trabalhos Relacionados


Em 1656, Rembrandt pintou tabém "A Lição de Anatomia do Dr. Deijman" que destinava-se a ser exibido no Anatomical Hall, em Amsterdã, junto à "Lição de anatomia de Tulp".

Deijman foi o sucessor imediato de Tulp no cargo de Profesor de Cirurgia e Anatomia.

A pintura foi danificada por um incêndio em 1723, e apenas um fragmento central dela sobreviveu.


V - Rembrandt van Rijn



autorretrato de Rembrandt
Rembrandt Harmenszoon van Rijn, nasceu em Leida, Holanda em 15 de julho de 1606 e faleceu em Amsterdã em 4 de outubro de 1669. Foi um pintor e um dos maiores nomes da história da arte europeia e o mais importante da história holandesa.

Filho de dono de moinho, tanto o pai (igreja reformada) como a mãe (católica) eram religiosos. Ele logo cedo demonstrou tendência para a pintura. No final de 1631 mudou-se para Amsterdã e já passou a trabalhar como pintor retratista, obtendo sucesso. Em 1634 casou-se com sua sobrinha Saskia de uma família de respeitável condição financeira. Saskia morrreu em 1646 e Rembrandt passou por um período perturbado em sua vida pois ele a amava muito.

Sem ser um bom administrador de seus bens, Rembrandt atolou-se em dívidas sendo forçado a vender até a casa em que morava. De acordo com o testamento de Saskia, Rembrandt para continuar a usufruir de seu dote / herança não podia casar novamente. Rembrandt passou a ter apenas romances não oficiais. Com a sua consciência religiosa, imagina-se que ao pintar o quadro do filho pródigo, Rembrandt fazia também um retrospecto de sua vida, colocando-se como os dois filhos necessitados do perdão do Pai.

A pintura mostrada é o "Autoretrato - Rembrandt van Rijn" propriedade do Mauritshuis.

VI - O Museu Mauritshuis


A Mauritshuis (em português: Casa de Maurício) é um importante prédio histórico e um rico museu de Haia, sendo um dos mais importantes da Holanda. Seu nome se deve ao fato de ter sido construído por ordem de João Maurício de Nassau, que foi governador do Brasil holandês no século XVII. O Mauritshuis hoje é a sede da Galeria Real de Pinturas e possui um importante acervo de arte.

Podemos destacar entre outras obras:

- A Moça com brinco de pérolas - Johannes Vermeer
- Vista de Delft - Johannes Vermeer
- Autoretrato - Rembrandt van Rijn
- Saul e David - Rembrandt van Rijn
- A lição de anatomia do Dr. Tulp - Rembrandt van Rijn
- O canto de louvor de Simeão - Rembrandt van Rijn
- A velha e o menino com velas - Peter Paul Rubens
- A lamentação de Cristo - Rogier van de Weiden


Visite o site do Museu em https://www.mauritshuis.nl/en/

VII - Outras obras famosas de Rembrandt


Na relação das grandes obras de Rembrandt podemos também destacar os seguintes quadros:

"O Retorno do Filho Pródigo" - Exibido no Museu Hermitage em São Petersburgo  

"Ronda Noturna" -                 - Exibido no Rijksmuseum em Amsterdã

O sacrifício de Isaac
 
"Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém" - Exibido no Rijksmuseum em Amsterdã

"O retrato de Jan Six"           - Exibido no Rijksmuseum em Amsterdã


VIII - Referências


Wikipedia em lingua Inglesa - https://en.wikipedia.org/wiki/The_Anatomy_Lesson_of_Dr._Nicolaes_Tulp

Site do Museu Mauritshuis - https://www.mauritshuis.nl/en/


segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Grande Queima de Livros de Berlim

I - Ideologia Nazista


Em 1933, Joseph Goebbels, ministro nazista da Propaganda e de Esclarecimento do Povo, criou uma iniciativa para alinhar as artes e a cultura alemãs com os objetivos nazistas. O governo desativou tanto as organizações culturais judaicas quanto as de outros grupos acusados de serem politicamente suspeitos, ou que realizavam ou criavam obras de arte que os nazistas classificavam como "degeneradas". Os estudantes das universidades alemãs estavam na vanguarda do movimento nazista. Com o final da Primeira Guerra Mundial, muitos estudantes se opuseram à República de Weimar (1919-1933), encontrando no Nacional Socialismo [OBS: nazismo] um veículo ideal para expressar seu descontentamento e hostilidade contra o sistema político. (Holocaust Museum)

II - Queima de Livros

foto da praça da Ópera - Universidade Humboldt com a grande queima de livros acontencendo
                           Praça da Ópera / Universidade Humboldt -
            foto Bundesarchiv, Bild 102-14597 / Georg Pahl / CC-BY-SA 3.0


Em 6 de abril de 1933, a Associação Nazista Estudantil Alemã divulgou nacionalmente um "Ato contra o Espírito Não Germânico", o qual culminou em uma “ “depuração“ ou "limpeza" literária pelo fogo. Em um ato simbólico de envergadura profética, em 10 de maio de 1933 os estudantes universitários atearam fogo em mais de 25.000 livros por eles considerados "não alemães", pressagiando uma era de censura política e de controle cultural nazista sobre toda a população. Naquela noite, estudantes de direita, em trinta e quatro cidades universitárias na Alemanha, marcharam à luz de tochas em desfiles organizados para protestar "contra o espírito não alemão". O script cerimonial, escrito pelos estudantes, pedia que oficiais nazistas do alto escalão, professores universitários, reitores e líderes estudantis discursassem para os participantes e espectadores. Nos locais de reunião, os estudantes lançavam em fogueiras os livros "indesejáveis", em grandiosas cerimonias, sob o som de bandas de música e com "juramentos de fogo" [OBS: de fidelidade ao regime nazista]. Em Berlim, cerca de 40.000 pessoas se reuniram para ouvir pessoalmente o discurso de Joseph Goebbels.
                           foto em preto e branco com vista de cima da Praça da Ópera com a grande queima de livros acontencendo
             
Praça da Ópera em frente da Universidade Humboldt

III - Discurso de Goebbels em Berlim


O site Enciclópedia do Holocausto, propriedade do "United States Memorial Holcaust Museum"  traz ótimos textos e o discurso de Goebels nessa data, com as legendas em Inglês. A tradução do discurso em português, feita peo site,  está mostrada abaixo.

Site: https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007978



                                             filme propriedade do Holocaust Museum

O discurso de Goebels


"Meus compatriotas, estudantes, homens e mulheres alemães, a era do intelectualismo judeu chegou ao fim. O triunfo da revolução alemã abriu um caminho para o estilo alemão; e os futuros alemães não serão apenas homens de livros, mas homens de caráter, e é para este fim que queremos educá-los. Para que tenham, desde a mais tenra infância, a coragem de olhar diretamente nos olhos impiedosos da vida. Para repudiar o medo da morte e reconquistar o respeito por ela. Esta é a missão dos jovens, por isso vocês estão certos de, nesta hora tardia, entregar o lixo intelectual do passado às chamas. É uma forte, grandiosa e simbólica responsabilidade, uma responsabilidade que irá provar a todo o mundo que a base intelectual da República de Weimar está sendo derrubada agora; mas que a partir das ruínas irá crescer, vitorioso, o senhor de um novo espírito".


III - Lista de Autores vitimados:



Entre os escritores cujas obras foram queimadas naquela noite pelos estudantes, estavam socialistas conhecidos, como o dramaturgo Bertolt Brecht; o fundador do conceito do comunismo, Karl Marx; autores "burgueses" críticos, tais como o dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler; e as "influências estrangeiras corruptoras", entre eles a obra do escritor americano Ernest Hemingway. As fogueiras também consumiram as obras do alemão Thomas Mann, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, e também do escritor Erich Maria Remarque, cuja rigorosa descrição da Primeira Guerra Mundial em seu livro "Nada de Novo no Front" era perseguida pelos ideólogos nazistas.

Outros autores conhecidos também vitimados  foram  Walter Benjamin, Erich Kästner (que anónimo assistia na multidão),  Sigmund Freud, Albert Einstein, Heinrich Heine, Ricarda Huch.

Naturalmente, também queimaram obras de escritores judeus, entre eles Franz Werfel, Max Brod e Stefan Zweig.  As multidões também queimaram as obras do admirado poeta judeu alemão Heinrich Heine que havia se convertido ao cristianismo e que, em 1820, havia escrito: "Onde se queimam livros, acaba-se queimando as pessoas".


IV - Universidade Humboldt - Berlim  


A Universidade Humboldt de Berlim  é a mais antiga universidade de Berlim, fundada em 1810 pelo lingüista e educador liberal prussiano Wilhelm von Humboldt, cujo modelo universitário influenciou fortemente outras universidades européias e ocidentais. 

Desde 1828 era conhecida como Universidade de Frederico-Guilherme  em homenagem ao rei da Prússia Frederico Guilherme III. Em 1949, trocou seu nome para Humboldt-Universität em homenagem a seu fundador.



foto da Universidade de Berlim
Universidade de Berlim, foto HistoriacomGosto


A universidade acolheu vários pensadores alemães dos últimos dois séculos, entre eles o filósofo Johann Gottlieb Fichte, o filósofo idealista G.W.F. Hegel, o filósofo pessimista Arthur Schopenhauer, e os famosos físicos Albert Einstein e Max Planck. 

Na lista temos também o geólogo Alfred Wegener que descobriu que os continentes já foram um só, os fundadores da teoria marxista Karl Marx e Friedrich Engels e o unificador alemão Otto von Bismarck. 

A universidade teve 29 ganhadores do Prêmio Nobel. 

Período Nazista

Depois de 1933, como todas as universidades alemãs, foi transformada em uma instituição nazista de ensino. Foi da biblioteca da Universidade que 20 000 livros escritos por "degenerados" e oponentes do regime foram retirados para serem queimados em 10 de maio daquele ano na Opernplatz (hoje Bebelplatz) para uma demonstração defendida pela SA, que também incluiu um discurso de Joseph Goebbels. 

Estudantes judeus, professores e oponentes políticos dos Nazistas foram expulsos da Universidade e muitos deportados e assassinados.

Período Comunista

Em 1946, a Universidade reabriu suas portas, mas desta vez no setor soviético da cidade. A administração soviética logo tomou o controle da Universidade, relegando todos os estudantes que não se conformavam à ideologia comunista. Em reação a isso, a Universidade Livre de Berlim foi fundada em 1948 no setor ocidental da cidade. Até o colapso do regime alemão oriental em 1989, a Universidade Humboldt permaneceu sob um controle severo do Partido Socialista Unificado da Alemanha ou SED, que, através da rigorosa seleção dos estudantes segundo a linha do partido, garantiu que nenhuma oposição democrática poderia nascer nos seus campi.

Período Atual

Após a liberação do Comunismo, a universidade foi radicalmente reestruturada e todos os professores tiveram que postular por suas cadeiras novamente. A faculdade foi grandemente substituída por professores da Alemanha Ocidental.

Atualmente, a Universidade Humboldt é uma universidade pública com um elevado número de estudantes (37.145 em 2003, entre os quais mais de 4.662 estrangeiros) segundo o modelo das universidades da Alemanha Ocidental, e como a sua parceira Universidade livre de Berlim.

(fonte de todo o texto: Wikipedia - Universidade Humboldt)

V - Antiga praça da Ópera e atual Bebel Platz


A  Bebelplatz (antigamente Opernplatz) é uma praçapública localizada no distrito do Mitte de Berlin.

Na praça estão localizadas a Ópera Nacional, a Catedral católica de Santa Hedwirges ea Universidade Humboldt. No centro da praça está o monumento relembrando o evento da queima de livros de 1933.

foto atualizada e colorida da antiga praça da Ópera e atuau Bebel Platz


O nome Bebel Platz foi dado em homenagem a August Bebel fundador do Partido Social democrata da Alemanha

Monumento ao 10 de maio de 1933

Hoje em dia, um monumento a esse evento pode ser visto no centro da praça, consistindo de um painel de vidro abrindo-se para uma sala branca subterrânea contendo prateleiras vazias com espaço para 20000 livros e uma placa, contendo uma epígrafe de uma obra de Heinrich Heine de 1820: "Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen" ("Aquilo foi somente um prelúdio; onde se queimam livros, queimam-se no final também pessoas"). 


painel de vidro no chão da praça abrindo para uma sala branca vazia, em frente na praça temos uma igreja
 Igreja Católica
               
                    outra foto do painel de vidro no chão, do outro lado temos a Universidade Humboldt
                             Universidade Humboldt no fundo
         

A Catedral de Santa Edwirges foi a primeira igreja católica construída na Prussia depois da Reforma. 


V - Museu Judaico de Berlim

O Museu Judaico de Berlim consiste de dois prédios: uma construção antiga em estilo barroco, onde se encontram a entrada, o caixa, salas para exposições temporárias, salas para eventos, a lojinha do museu, um restaurante, e uma construção de arquitetura moderna, onde se encontram as exposições permanentes. Uma passagem subterrânea leva o visitante da entrada, no prédio antigo, ao prédio novo, uma vez que este não tem nenhuma entrada oficial. (https://simplesmenteberlim.com/)

foto do Museu Judaico de Berlim


No museu judaico de Berlim encontra-se a peça "Biblioteca Subterrãnea II" que faz um contraponto ao monumento Biblioteca subterranea na Bebel platz. Enquanto na primeira não há nenhum livro, nessa ele é representada por prateleiras repleta de livros para dizer que não se conseguirá nunca matar as idéias e as criações da humanidade. 


painel de vidro no solo similar ao da Bebel Platz - A diferença é que nesse dá acesso para uma sala cheia de livros

foto da sala com as prateleiras chaias de livros
prateleiras lotadas


VI - Referências


- Holocaust Museum -
 site    https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007978
  (Todo os ítens do I ao III)

- Site alemão em português "Made for mindes"
-https://www.dw.com/pt/1933-grande-queima-de-livros-pelos-nazistas/a-834005

- Wikipedia - Queima de Livros 10 de maio de 1933 / Universidade Humboldt / Bebel Platz

- Site cultural Simplesmente Berlim - https://www.dw.com/pt/1933-grande-queima-de-livros-pelos-nazistas/a-834005

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Carnaval em Veneza

I - Introdução


foto de um casal fantasiado pelas ruas de Veneza. Os dois estão com roupas de veludo vinho, com colares e borados. Eles estão com a máscara branca que cobre todo o rosto. O rapaz usa chapéu vinho de abas e a moça um chapéu branco tipo uma touca
foto @drclerk em shutterstock.com

A primeira coisa a se fazer ao resolver apreciar um carnaval na Europa é desapegar da visão brasileira de muito samba, frevo e folia. As festas de carnaval na Europa antes de tudo, são contemplativas. Além de culturas diferentes, também não se pode beber livremente nas vias públicas, então tudo é muito educado e respeitoso. Itália e França são os países da Europa mais famosos por suas festas de Carnaval. É possivel ir à diversas festas de carnaval pois elas não ocorrem de forma simultânea. Não há 4 dias oficiais como no Brasil e elas podem ocorrer antes ou depois do “Mardi Gras”, apesar da tradição cristã.

II - Veneza  


Veneza é uma cidade italiana da região do Venêto, famosa por seus canais, museus e uma história milenar. Veneza foi capital da "Sereníssima República de Veneza" por cerca de mil anos, quando a partir do século X já era uma das maiores potências comerciais da Europa. O seu vigor econômico era devido à sua grande frota marítima e às atividades comerciais e portuárias por ela desenvolvida.  

Em 1797, Veneza foi invadida pelas tropas napoleônicas e cedida à Áustria, em troca da Bélgica. Esse foi o fim da Sereníssima República de Veneza. Os territórios antes dominados pela república foram divididos em partes que se tornaram províncias do Império Austríaco.

Em 1866, no processo de Unificação, a Itália adquiriu do Império Austríaco o Vêneto, após a guerra, na qual a Itália era aliada à Prússia de Bismarck. (fonte Wikipedia)


 foto do pier de venza com a chegada de gondolsa e pessoas sentadas no cais


Na Itália, há festas de carnaval em diversas cidades, notadamente na Sicilia e Toscana, todas tendo os corsos e paradas como carro-chefe, bem como as fantasias. Como o estilo dos carnavais da Toscana e Sicilia se assemelha ao de Nice, a visita deu-se apenas em Veneza mesmo. 

Resgatado no início da decada de 1980, o carnaval ocorre durante o inverno europeu e é o maior evento dessa época na cidade, resgatando o turismo de inverno. O ápice do carnaval de Veneza coincide com o nosso carnaval. São 03 semanas de festa, sendo uma pré, a semana de abertura e a de encerramento que coincide com nossa terça-feira gorda.

a) A chegada: 

Tudo no carnaval de Veneza é diferente a começar pela chegada. Existem dois aeroportos por onde você pode chegar: um em Tivoli e o outro, o aeroporto Marco Polo. Nesse, você ja é recebido por um Pierrot que distribui os folders com a programação, ainda no saguão. Daí é escolher como chegar ao centro histórico. Você pode pegar um autobus e ir até a Piazzale Rome, de onde partem os barcos de navegação publica; pegar o bateau bus que parte diretamente do aeroporto e faz diversas paradas ao longo de aproximadamente um hora de trajeto, ou pegar um táxi (lanchas), por um preço médio de 80 euros. À medida que vai parando, você começa a entrar no clima do carnaval; já é possivel vislumbrar os mascarados quando vamos nos aproximando do centro histórico.


 foto de uma mmultidão de pessoas andando pelas ruas


b) A programação: 


Durantes o dia, as atrações principais ocorrem na Piazza San Marco, dependendo da semana variam as atrações, sendo as mais famosas os vôos (do anjo – que abre o carnaval de Veneza e é realizado por uma colombina, a Maria eleita no ano anterior que entrega o cetro ao dodge e de Aquila - normalmente,realizado por uma celebridade), que partem do campanário da Igreja e chegam à Piazza. 


Vôo do Anjo (fonte: wikipedia)



foto de uma modelo encenando o Voo do Anjo
foto Matteo Chinellato
em Shutterstock.com
Em uma edição do Carnaval em meados do século XVI, entre os vários eventos e shows organizados na cidade, foi feito um evento extraordinário que causou sensação: um jovem acrobata turco seguiu apenas com a ajuda de uma barra , para chegar à célula sino  da torre de São Marcos a pé, no fragor da multidão abaixo delirante, sobre uma corda comprida que começou a partir de um barco ancorado no cais da Piazzetta. Na descida, no entanto, ele chegou à varanda do Palazzo Ducale, entregando os presentes do Doge.

Depois do sucesso espectacular desta empreitada, agora chamada svolo o turco , o evento, que geralmente tinha lugar à quinta-feira antes da Quaresma, foi programada como cerimônia oficial para as edições posteriores, com técnicas semelhantes e formato que ao longo dos anos sofreu numerosas variações.

Por muitos anos o show, mantendo o mesmo nome, tinha apenas acrobatas executando o número, até que inúmeros jovens venezianos para demonstrar coragem começaram a se aventurar no movimento.

Em uma dessas vezes,  um homem com asas e decoradas com os anéis na corda, foi içado e fugiu em alta velocidade ao longo da corda. Ele  cunhou o novo jargão de Vôo do Anjo

Em 1759 , o show terminou em tragédia: em algum momento, o acrobata caiu no chão entre a multidão horrorizada. Provavelmente por causa deste acidente grave, o evento, realizado desta forma, foi proibido. Por um tempo, o programa teve lugar, substituindo o acrobata com uma grande pomba de madeira em seu caminho, sempre a partir da torre do sino, jogando flores e  confete na multidão. Atualmente é feito uma descida de um jovem escolhido, do alto da torre, mas sempre preso por cordas e cintos de segurança.

O võo do anjo e a festa de Maria são acompanhados pelo cortejo de gôndolas.

Cortejo de Gôndolas




foto de uma gondola com pessoas fantasiadas de cavaleiros / cavalheiros da idade média no cortejo de gondolas
foto de Ioan Cnejevici em Shutterstock.com


Festa de Maria

Também tradicional, é a escolha (coroação) da Maria do carnaval. Durante o carnaval são selecionadas doze Marias. Uma delas sera coroada a Maria do carnaval. A cerimónia remete ao século IX, quando diz-se que a população de Veneza libertou 12 moças que tinham sido raptadas por piratas. 



 foto do cortejo das Marias. Doze belas moças são carregadas ricamente vestidas, todas iguais, em uma espécie de andor, sentadas, e lvedas nos ombros por rapazaes para que seja escolhida uma que seja a Maria do carnaval daquele ano.
foto de Godromil em Wikimedia Commons


Durante o dia ocorrem ainda, eventos paralelos em outras Piazzas, sendo alguns dedicados às crianças. 

As noites são dedicadas principalmente aos  bailes. Há uma programação noturna no Polo Arsenale, que conta com quiosques de comidas e bebidas e espataculos pirotecnicos, malabares e bandinhas de jazz, local difícil de achar por sinal; embora haja transporte publico noturno (balsas) fazendo o traslado da Piazza San Marco ao Arsenale. Se resolver ir a pé tem que encontrar o fluxo e seguir pra não se perder. Nesse polo também ocorrem alguns dos "Balls". Os bailes tentam resgatar as festividades dos séculos XII a XVII  caracterizadas por grandes festas privadas, repletas de intervenções culturais. Os bailes são realizados nos Palazzos venezianos e custam no minimo 300 euros. Os mais famosos chegam a valores superiores a 1500 euros, incluidos aí o jantar e eventualmente, o aluguel de fantasias. Sim, para ir nos bailes você precisa, obviamente estar fantasiado. Há opções mais em conta se você adquire ingresso "after-dinner", podendo ter acesso após a meia-noite.

c) Das máscaras e fantasias:

  outra foto de um casal fantasiado e mascarado de roupas vermalhas e máscara branca. os dois com chapéus vinho
foto de MagSpace em Shutterstock.com


O carnaval de Veneza, como já falei é muito contemplativo. O foco e o forte da festa são os mascarados e suas fantasias a desfilar e posar para fotos durante todo o dia.  Existem máscaras e fantasias para todos os bolsos, desde máscaras / fantasia “made in china” e vendidas a 1 euro, até o capricho do artesanato local, verdadeiras obras de arte em papier maché. As fantasias podem ser vendidas ou alugadas. Em média o aluguel de uma fantasia não sai por menos de 200 euros. Geralmente são pesadas e confeccionadas com materiais nobres. Até porque há de se enfrentar uma temperatura máxima de 07 graus só com elas. 

Bauta


Um dos disfarces mais comuns no carnaval antigo, especialmente desde o século XVII, permaneceram em voga sendo também usados ​​no Carnaval moderno, é definitivamente o Bauta . Este traje, puramente veneziano e usados ​​por homens e mulheres, é feito de uma máscara branca especial chamada larva sob um chapéu tricorn preto e complementada por uma envolvente capa escura chamado tabard . O Bauta foi amplamente utilizado durante a época de Carnaval, mas extrapolou também ao teatro ,  em encontros amorosos e sempre que se queria a liberdade para atrair ou ser cortejada, garantindo mutuamente o anonimato total. Para este fim, a forma particular da máscara na face assegura  a oportunidade de beber e comer sem ter de remover.


 foto de duas mulheres fantaidas e mascaradas com roupa cor vinho   foto de outras duas mulheres com fantasias azuis e máscaras brancas


Apesar de ser possivel encontrar fantasias mais modernas, o forte ainda são os costumes tradicionais, representando os aristocratas de séculos passados, fantasias renascentistas, as mascáras de corvo e muitos fantasmas da ópera.  É lindo ver o cuidado de cada produção. Percebe-se que cada detalhe foi pensado com muita antecedência. 


 foto de um homem fantasiado mas com uma máscara de Leão e duas crianças também fantasiadas   Um casal fantasiado de bruxos. Os dosi com ropas de espantalhos
 foto de um casal com fantasias azuis o homem com uma máscara de bico pássaro e a mulher com máscara apenas nos olhos

Uma alternativa são as capas venezianas vendidas em toda esquina em preços variando de 10 a 50 euros (de veludo de melhor qualidade). O importante é entrar no clima. Basta um adereço qualquer e você já começa a entrar no brincadeira e entender o verdadeiro espirito do carnaval veneziano: ver e ser visto. Se adquirir uma mascara e uma capa já pode se preparar para os flashs...todos querem te fotografar e ainda há aqueles que dirigem as poses desejadas: e você faz e aí você tem ocupção por todo o dia. 


Ainda há a opção das pinturas de rosto realizada por artistas locais que dispoem suas mesinhas nas piazzas e reproduzem as máscaras em forma de pintura.

d) Das bebidas: 


 foto de um drink a base de Aperol

Definitivamente você não vai ao carnaval de Veneza para tomar cerveja,...; o forte são os vinhos e os aperitivos, em especial um apéro, sendo típico o spritz (drink à base de aperol – quase um capari de laranja, prosecco e água gaseificada). Eu adoro, mas não é para qualquer paladar.



e) Das Gôndolas: 


Não vi muitas em uso durante o periodo, alguns casais de turistas ou à noite, alguns que a utilizam para ir aos balls “comme il fault” (da maneira padrão antiga).

III - Para quem é o carnaval: 


Acreditava eu, que predominantemente encontraria em Veneza casais ou pessoas mais maduras. Engano, tem de tudo, casais jovens, casais maduros e muitos grupos, de todas as idades. Tem festa  e diversão pra todos. A cidade fica lotada num vai e vem frenético e controlado.

Horários


Dos horarios: O dia começa tarde em Veneza.  Em geral a programação inicia após as 10:30. As lojas permanecem abertas durante todo o fim de semana e até tarde; é possivel fazer compras às 23:00. Em contrapartida, até 1:00 da manhã é tudo fechado. Ótimo para quem chega dos bailes  pela manhã. Não perde nada da festa.

IV - Referências


O Texto desse blog foi produzido principalmente por Luciana Lopes Lucena, Engenheira Civil, Doutora em Economia e  pós doutorado em Ciências dos Matériais em Toulon. Ela conheceu o carnaval de Veneza em 2016. Colaboramos com a complementação de fotos e pequenas complementações de texto consultados da Wikipedia.

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